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Silvio Santos não gosta de ostentar e é exigente como empresário, conta ex-CEO do grupo

Guilherme Stoliar trabalhou por 49 anos no Grupo Silvio Santos

O apresentador Silvio Santos, com terno e gravata, sorri no palco do seu programa no SBT
Silvio Santos no comando do seu programa no SBT - Foto: SBT/Beatriz Nadler
Sandro Nascimento

Publicado em 12/12/2020 às 00:00:02

Guilherme Stoliar, 64, é sobrinho de Silvio Santos e por 49 anos trabalhou como braço-direito do apresentador nas empresas do grupo. Em agosto, decidiu deixar o cargo de CEO, onde atuava nos últimos 10 anos, para se dedicar a projetos pessoais. Em entrevista ao NaTelinha, o executivo destaca que o homem do Baú chega aos 90 anos deixando como o legado a própria televisão brasileira, e como empresário, Silvio é muito exigente e não tão complacente como frente às câmeras. Stoliar revela que o dono do SBT não gosta de ostentar e que possui uma humildade “que pouco se vê no mundo de hoje”, e se declara: “A pessoa que eu mais admiro nesse mundo”.

Neste sábado (12), Silvio Santos completa 90 anos e o NaTelinha preparou um canal especial com entrevistas exclusivas, vídeos e reportagens sobre o apresentador. Em sua conversa com o site, Guilherme Stoliar, que iniciou sua trajetória no Grupo Silvio Santos como office-boy, justificou a importância do apresentador na história dos 70 anos da televisão, completados em setembro.

“O Silvio é um ícone da televisão brasileira. Uma das personalidades mais importantes, além da TV, do próprio Brasil. Eu diria que o Brasil tem três grandes ícones: um na música, que é o Roberto Carlos, outro no futebol, que é o Pelé e na TV, o Silvio Santos”, explicou.

E completa: “Ele deixa o que nós temos na televisão. Parte desta construção que a TV brasileira tem, muitos tijolinhos que foram colocados pelo Silvio Santos. Por criação dele, por te trazido de fora e ter repetido aqui. Não tem uma pessoal igual ao Silvio, ele é muito especial”.

Fora do Grupo Silvio Santos, Guilherme Stoliar vem se dedicando a sua empresa a cabo fundada em 1998, a TV Alphaville. Além disso, prepara a estreia de um projeto audiovisual de ensino à distância. Para o ex-CEO do GSS, as decisões do animador de auditório como dono do SBT ajudaram a Globo a melhorar sua programação.

“Ele chamou a atenção do SBT quando colocou uma rotina de trocar de canal após a novela. Ele fez uma revolução no próprio telejornalismo. Quando nomeou o Bóris Casoy como âncora de telejornal e trouxe o Aqui e Agora para o SBT. Então, ele tem um diferencial em termos de fazer uma programação que pouca gente possui. Silvio tem esse legado muito forte. Embora pareça que ele não goste muito de jornalismo, ninguém tira dele o fato de ter mudado o jornalismo da TV brasileira. Na verdade não é que o Silvio não goste de jornalismo, ele gosta de audiência”, diz.

E continua: “Quando o produto dá audiência, não importa se é jornalismo, um filme ou se um programa de auditório, ele está em busca da audiência para TV aberta. Que algo que a TV aberta deveria estar fazendo sempre: de agradar sempre 100% dos telespectadores”.

Ao ser questionado sobre o período mais difícil na trajetória de Silvio Santos, Guilherme Stoliar explica: “O fato de ficar fora da TV é uma coisa difícil. Pelo que conheço, de todos esses anos, a coisa que o Silvio mais gosta é de apresentar o programa dele. Quando não consegue apresentar, como está agora por exemplo, por causa dessa pandemia, é um sofrimento muito grande para ele. Ele não precisa externar (triste por ficar fora do ar) e ele não externa, mas a gente percebe tanto o quanto ele gosta de apresentar o programa dele. Quando o Silvio Santos está mais feliz? Quando ele apresenta o programa, quando está no auditório, com as colegas de trabalho e fazendo as brincadeiras que faz”.

Stoliar conta que em todas as atividades que Silvio Santos atua, seja como apresentador ou empresário, está sempre criando coisas e buscando o novo. “Quando você inova, corre o risco de dar muito certo ou errado. Felizmente, todas as vezes que ele errou, as vezes que acertou, pagou essa conta. O importante que tem vontade de fazer e não foge disso. Não se esconde tomar atitudes. Ele é um sujeito proativo”.

Silvio Santos é um empresário exigente e sem ostentação

Silvio Santos não gosta de ostentar e é exigente como empresário, conta ex-CEO do grupo

O Grupo Silvio Santos é formado pelas empresas Hotel Jequitimar, Jequiti, Liderança Capitalização, SBT e Sisan. Sobre o lado empresarial do apresentador, além do Baú da Felicidade, Guilherme aponta que a Tele Sena foi uma grande “sacada” na história de Silvio Santos: “Grande mesmo. Eu digo que ele atirou no que viu e acertou no que não viu. Porque o objetivo da Tele Sena era levantar um determinado volume de dinheiro para colocar numa empresa do Grupo (Silvio Santos) que precisava”.

“Só que ele conseguiu fazer uma coisa tão bem feita, tão bem amarrada, que o negócio já dura 31 anos. E continua com um volume de vendas muito expressivo. Ele tem uma credibilidade total. Silvio Santos sempre primou de nunca deixar de entregar um prêmio, nunca. Ele sempre fez questão de pagar prêmio, e prêmios altos, com grande satisfação. Isso sempre foi azeitando a máquina dele. Foi sempre energizando os negócios dele. Ficar ao lado do Silvio me ajudou muito na minha formação intelectual e empresarial. Ajudou-me muito. Basicamente, isso foi minha formação. Ter trabalhado com ele foi a minha grande escola”, explica.

Segundo Stoliar, longe das câmeras do SBT e como empresário, o animador é “extremamente exigente e duro. Não é o sujeito tão bonzinho do Silvio Santos na televisão. Como empresário, não é tão doce como se vê na televisão, enquanto negociante. Mas ele é de uma humildade que a gente pouco vê no mundo de hoje. Ele não tem vaidades que nós mortais temos. Para ele qualquer carro atende e qualquer classe de avião. Silvio não tem avião, helicóptero, não tem barco... Ele vive para o trabalho. O Silvio sempre orientou através de exemplos. Eu nunca vi o Silvio ostentar nada, nunca”.

O NaTelinha solicitou uma mensagem a Guilherme Stoliar, sobre algo que ele nunca teve oportunidade de dizer pessoalmente ao Silvio Santos, e ele responde: “Silvio é a pessoa que eu mais admiro nesse mundo. Teve coragem de fazer o que os coxinhas da TV brasileira não conseguem fazer. Teve o peito e a coragem, com todo tipo de risco que poderia acontecer de pior pra ele. Sempre se expor por aquilo que acreditava”.

E encerra: “Todos os dias, você convivendo com ele tem passagens interessantes e curiosas. Ele deixa uma experiência de vida muito grande. Ele começou muito cedo e está deixando para nós, que somos parentes e amigos, a certeza de que a honestidade e o trabalho constroem pontes sobre qualquer oceano”.