Especial Silvio Santos
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Cinco vezes que Silvio Santos melhorou a programação da Globo

Silvio Santos também mexeu na concorrente para melhor

Faustão, Xuxa e Jô Soares
Faustão, Xuxa e Jô: Silvio Santos teve papel fundamental na carreira deles - Foto/Montagem NaTelinha
Thiago Forato

Publicado em 12/12/2020 às 00:00:08

Silvio Santos, que completa 90 anos neste sábado (12), não mexeu e remexeu somente na grade do SBT. O Homem do Baú também conseguiu melhorar a grade da Globo e realizou mudanças importantes nas últimas décadas na concorrente. Algumas delas, aliás, duram até hoje.

Nesta série de reportagens especiais, relembramos como Silvio conseguiu impactar naquela que já foi sua principal concorrente, desde destinar um grande espaço da programação para as crianças com Xuxa e até contratar Faustão para quebrar sua hegemonia aos domingos.

Xuxa na Globo

Em 1986, o SBT estava no auge com o palhaço Bozo e a Globo buscava alguém que pudesse brigar de igual com a programação infantil da concorrente. Na TV Manchete (1983-1999), despontava uma loira cativante e com um carisma único: Xuxa Meneghel.

Apresentando o Clube da Criança (1983-1998), Xuxa chamou a atenção de Boni, ex-todo poderoso da emissora, que decidiu lhe convidar para comandar as manhãs globais. Depois de um longo namoro, eis que finalmente ela assinaria com o canal carioca.

A partir daí, a Globo passou a investir maciçamente em suas manhãs e dedicá-la aos pequenos, mesclando musicais, brincadeiras no palco e desenhos animados, travando guerras de audiência contra o SBT, que sempre investiu na programação infantil.

Boris Casoy e o TJ Brasil

Cinco vezes que Silvio Santos melhorou a programação da Globo

O lançamento do TJ Brasil (1988-1997) marcou uma das grandes revoluções no jornalista. Segundo Albino Castro Filho, aquela seria a passagem da televisão brasileira para a modernidade.

Boris Casoy, então, com 47 anos de idade, acreditou que aquilo era uma prova profissional. "Não posso dizer que já domino totalmente o veículo, mas já fiz rádio", disse ao Jornal do Brasil em agosto daquele ano.

A ideia era fazer o que a TV deveria ter feito na década de 60, segundo Marcos Wilson, diretor-geral de telejornalismo do SBT na época: um telejornal produzido e apresentado por jornalistas com a figura do âncora, que também pode tecer comentários e críticas.

Tudo isso ajudou a transformar o Jornal Nacional, que revolucionou o jornalismo e a TV brasileira em 1969. Foi o primeiro telejornal para todo o país, apostando em um jornalismo "isento", consolidando um formato fixo com a cobertura da política nacional, internacional, esporte e variedade. Apostou na agilidade e rapidez da notícia curta, mas em meados da década de 1990, era apontado como ultrapassado.

Em 1996, o JN decidiu seguir uma linha futurista no cenário e a introdução de âncoras. Com a contratação de Lilian Wite Fibe, que estava no SBT, e a chegada de William Bonner, que já estava na emissora. Estava dada a largada para se assemelhar ao concorrente.

O JN, então, passou a contar com Wite Fibe e William Bonner a partir de 1996, substituindo Sergio Chapelin e Cid Moreira, que ficou por 26 anos no telejornal. E o próprio SBT sabe que ajudou nessa transformação.

Depois de 26 anos no ar, a Globo resolveu seguir o raciocínio do SBT e colocar jornalistas para apresentarem telejornais. "Estamos orgulhosos porque criamos o primeiro âncora do país ao colocar Boris Casoy à frente do telejornalismo", festejou Albino Castro ao Jornal do Brasil em 1996.

Domingão do Faustão

A guerra de audiência aos domingos sempre foi mais acirrada. Naquela época, Silvio Santos ainda reinava durante mais de oito horas distribuindo prêmios e brincando com suas colegas de trabalho no SBT.

A Globo, observando isso, já queria lançar uma atração nos mesmos moldes. O próprio diretor Daniel Filho dizia que a emissora buscava um programa de variedades, descompromissado e alegre.

Em 1988, a rede já tinha ousado e tirado Gugu Liberato (1959-2019) do SBT, que estava no auge com o seu Viva a Noite aos sábados. Silvio Santos não hesitou em ir até o Rio de Janeiro e conversar diretamente com Roberto Marinho para romper o acordo, pagando uma multa milionária para manter o seu pupilo, até devido ao problema que tinha na garganta.

A Globo sabia que só concorrendo com um programa semelhante, já que todas as outras opções foram tentadas, conseguiria finalmente vencer o SBT e fazer da liderança um fato. Dito e feito.

Estreava o Domingão do Faustão em março de 1989, rapidamente abocanhando a liderança nas quatro horas em que ia ao ar, entre 15h e 19h. Silvio chegou a ficar 11 pontos atrás de seu concorrente, e a disputa só viria a ficar mais acirrada no final daquele ano, com o efeito novidade que já tinha passado.

Embora Silvio ainda se alternasse em algumas ocasiões na liderança até o início dos anos 90, não demorou muito para que perdesse de vez o trono aos domingos. Foi o responsável direto para a contratação de Faustão pela Globo. E que permanece até hoje no ar.

Tela Quente

Em 1988, Silvio Santos contratou Jô Soares, que dava até 70 pontos no Ibope com seu Viva o Gordo (1981-1987) na segunda-feira à noite. E não é que ele decidiu lançar o Veja Gordo (1988-1990) justamente na segunda-feira?

A Globo, então, resolveu se apoiar em grandes produções do cinema e lançar uma espécie de sessão premium, onde haveria somente os campeões de bilheteria e filmes inéditos. Nascia ali a Tela Quente, que exibiu Star Wars - O Retorno de Jedi na sua estreia. E também está no ar até hoje.

Com filmes, a Globo agradou as suas principais parcerias de Hollywood e também o público, que conseguia assistir aos grandes sucessos do cinema nas segundas-feiras à noite depois da novela.

O sonho de Jô Soares

Silvio Santos só conseguiu contratar Jô Soares porque também lhe concedeu a realização de um sonho: ter um talk-show nos mesmos moldes dos americanos, nos finais de noite. Diariamente, Jô entrevistou as mais diversas personalidades entre 1988 e 1999 no Jô Soares Onze e Meia, que nunca ia ao ar exatamente nesse horário.

No ano de 1999, a Globo lhe chamou de volta para oferecer justamente aquilo que sempre havia negado: um talk-show. E Jô Soares aceitou a proposta. Se existiu ressentimentos? Jô garante que não.

Tanto que quando Jô estava saindo do SBT, Silvio Santos lhe fez uma homenagem no extinto Em Nome do Amor (1994-2000) e deixou as portas abertas caso quisesse voltar. No ano 2000, estreava o Programa do Jô na Globo, onde ficou no ar até o final de 2016. Mais uma vez Silvio Santos conseguiu incrementar a grade da, até então, principal concorrente.