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Off domingo: As vezes que Silvio Santos apresentou programas diários

Silvio Santos também já apareceu diariamente na tela do SBT

Silvio Santos no Family Feud, Show do Milhão e Roda a Roda
Silvio Santos no Family Feud, Show do Milhão e Roda a Roda: atrações que apresentou diariamente no SBT - Foto/Montagem
Thiago Forato

Publicado em 12/12/2020 às 00:00:09

Domingo é dia de alegria. Domingo é dia de Silvio Santos. Esse slogan embalou o Programa Silvio Santos por décadas na televisão brasileiro e o dono do SBT é sinônimo de domingo, sendo tema até de música da banda Titãs, mas algumas vezes, o apresentador se aventurou também nos dias da semana e surgia diariamente na telinha.

A primeira vez ocorreu em 1992, quando o SBT fechou um acordo com Kolynos (marca de creme dental), e que patrocinou o Roletrando para ser exibido diariamente na faixa das 18h por três meses. Distribuindo prêmios, a promessa era de incomodar a novela Felicidade, da Globo, que alcançava até 50 pontos no Ibope.

Game-show que perdura até os dias de hoje com novo nome, o Roletrando Ekologia distribuía carros zero quilômetros e marcava a primeira vez de Silvio Santos na tela todos os dias, segundo o jornal Folha de São Paulo datado de março de 1992.

O superintendente comercial do SBT da época, Rubens Carvalho, relatou à Folha que Silvio Santos resolveu transformar o Roletrando, que já foi um dos quadros do Programa Silvio Santos no passado em diário, depois de ver "algo parecido dar certo" em uma televisão dos Estados Unidos. Provavelmente, tratava-se de Wheel of Fortune (Roda da Fortuna, em tradução livre) e que estreou em 1975, também no ar até hoje.

A entrada de Silvio Santos na briga diária de audiência deu um resultado melhor do que o esperado pelo apresentador, que almejava cerca de 8 pontos na Grande São Paulo. Dava em torno de 12.

Anos 2000 e rédeas da programação

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Em outubro de 2003, o Roletrando voltou com outro nome: Roda a Roda, e desta vez, patrocinado pela montadora Chevrolet. Por três meses todos os dias sorteando carros, a atração superou as expectativas da montadora, que recebeu mais de 10 milhões de cupons. O game ficou no ar até o início de 2004.

No primeiro semestre de 2005, a Johnson & Johnson estava de olho no poder que Silvio Santos exercia sobre as classes C, D E e fechou um acordo milionário, de cerca de R$ 25 milhões, numa promoção que teria o Roda a Roda como grande atrativo.

E Silvio Santos fez com que as vendas da marca também extrapolassem as expectativas. Entre maio e agosto daquele ano, durante 65 programas, o Roda a Roda, além de fazer a marca ter um alavanque em suas vendas, impulsionou o próprio horário nobre do SBT.

Com uma roleta, o dono do SBT era capaz de chegar até 20 pontos no Ibope contra o Jornal Nacional, especialmente quando estendeu sua aparição diária com outro game: o Family Feud.

Anteriormente denominado de Guerra de Famílias nos anos 80, Silvio Santos resolveu comprar o programa original da Fremantle em 2005 e colocá-lo em dobradinha com o Roda a Roda a partir das 20h. A atração estreou em junho e foi um grande sucesso.

O desgaste e o fim

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Até agosto, quando o SBT Brasil estreou, Silvio Santos brilhava todos os dias na emissora numa época que a grade era bem estruturada com o Chaves às 18h, Programa do Ratinho às 18h50, os games na sequência, a reta final de Esmeralda e Xica da Silva (1996) antes da linha de shows.

Depois que o contrato da Johnson & Johnson com o Roda a Roda venceu, Silvio Santos resolveu continuar o programa com outro patrocinador: o próprio Baú da Felicidade.

Com as mudanças na grade para tentar fazer o SBT Brasil dar certo, arriscou seus games e a audiência do Roda a Roda e Family Feud passaram a cair substancialmente. As duas atrações foram testadas em todos os horários: 18h, 18h30, 20h, 20h30, 21h, 21h30 e 22h.

O Roda a Roda acabou saindo no ar no ano seguinte devido ao desgaste, assim como o Family Feud, que antes de terminar, virou dominical (antes do Domingo Legal) em 2006 e o SBT perdeu os direitos.

Show do Milhão: Arma do SBT para derrubar a Globo

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O Show do Milhão estreou com o título Jogo do Milhão em 7 de novembro de 1999 e foi bastante alardeado pelo SBT. Com chamadas enigmáticas, elas se limitavam em dizer que os "22 dias estão chegando", em cenas que mais se assemelhavam a um filme ou série de terror, com direito a uma criatura fantasmagórica e bomba nuclear. Tudo para causar.

O game que mexeu com o país estreou com a proposta de ser exibido por 22 dias. A ideia era inicial era ter quatro temporadas por ano de 22 dias, sendo exibido diariamente, o que daria um vida útil de cinco anos, no mínimo, segundo estimado pelo então diretor artístico da emissora na época, Eduardo Lafon (1948-2000).

Na época que foi ao ar, Terra Nostra era um fenômeno na Globo. E Silvio Santos sabia que bater de frente com a novela era suicídio.

Como fez em outras oportunidades ao longo da história, fez o que se esperava: colocou seu Show do Milhão assim que terminava a novela da Globo, por volta das 22h, diariamente.

Silvio Santos sabia exatamente a arma que tinha em mãos. Não por acaso, prometeu aos anunciantes um mínimo de 20 pontos no Ibope, o que era equivalente a 1,6 milhão de espectadores na Grande São Paulo na época.

Caso não atingisse a marca, Silvio devolveria o dinheiro, de acordo com a diferença entre a audiência prevista e o alcançado.

A primeira temporada, há 21 anos, teve uma média geral de 22 pontos e picos superiores a 30, tendo causado fortes enxaquecas à programas como o Casseta & Planeta, Globo Repórter e até a imbatível Tela Quente.

Desgaste da fórmula

O Show do Milhão estreou sua segunda temporada em 12 de março de 2000, com a missão de levar ao ar 22 programas esporadicamente durante o ano, com um intervalo de tempo razoável. A intenção era não desgastar o formato e não cansar o público. A história, no entanto, foi diferente.

Após outros 22 programas exibidos em março de 2000, retornou à grade em 28 de maio do mesmo ano. Foi a última vez que o Show do Milhão seguiu o planejado. Em setembro de 2000, o Show do Milhão se tornou um programa fixo na grade e visava combater o futebol da Globo às quartas-feiras. Às terças e sextas, a Globo perdia todas as semanas para o SBT que exibia filmes inéditas da Disney e Warner. Silvio queria minar a linha de shows do canal carioca.

A partir de então, o Show do Milhão também passou a ir ao ar às quintas e domingos, mas a partir de 2002 não tinha mais o mesmo sucesso. Em 2003, já estava bastante desgastado. A audiência despencou, as revistas ficavam encalhadas nas bancas e surgiu o patrocínio da Tim para tentar dar um novo fôlego ao game.

O último suspiro aconteceu entre o final de 2003 e início de 2004, com o patrocínio do banco Bradesco. A atração saiu do ar dando 6 pontos no Ibope. Em 2009, o Show do Milhão voltou para promover a Vende-se Um Véu de Noiva, adaptada pela mulher Íris Abravanel.

Em cada capítulo da novela adaptada por Íris Abravanel, aparecia uma letra. Elas deveriam ser anotadas e enviadas ao SBT, sendo sorteadas no Programa Silvio Santos. Ao invés das 16 perguntas tradicionais, a versão de 2009 teve um aumento das questões. Eram 24 para faturar o milhão. Saiu do ar com índices em torno dos 6 pontos, ficando atrás até mesmo da Record e Band. Durou dois meses.