Opinião

Com Thatcher e Princesa Diana, quarta temporada de The Crown é a série de 2020

Série embarcou em um dos momentos mais emblemáticos da realeza


Cena de The Crown com princesa Diana e Charles
Princesa Diana e Charles em The Crown - Foto: Reprodução/Netflix

A quarta temporada de The Crown chegou cercada de expectativas por conta da entrada de duas figuras emblemáticas na história do Reino Unido: Princesa Diana (Emma Corrin) e Margaret Thatcher (Gillian Anderson). Em 10 episódios, o roteirista Peter Morgan optou – acertadamente – por distribuir o protagonismo da rainha Elizabeth II (Olivia Colman) com as outras duas personagens e deu um novo rumo para a série. Se a terceira temporada havia ficado abaixo da segunda, a quarta já entra como uma das melhores coisas produzidas pela TV e é a melhor produção de 2020.

Antes de embarcar na história, é preciso elogiar a maneira em que Peter resolveu contar cada episódio. Ele fez pequenos curtas de 50 a 60 minutos para apresentar as nuances dos personagens, não se perdendo em histórias paralelas sem sentido e sem graça, como ocorreu na terceira temporada, por exemplo. Para quem é apaixonado por literatura, é fácil perceber que Morgan criou uma espécie de “livro” de crônicas, instigando o público a cada movimento da família real.

O enredo se passa nos anos de 1970 e adentra na década de 1980. Se na terceira temporada conhecemos a relação da rainha com seu filho Charles (Josh O'Connor) e ficamos com dó do príncipe, desta vez The Crown fez questão de relembrar os motivos que fizeram o sucessor da coroa ser tão detestado pelos ingleses durante um longo período.

A história de amor entre Diana e Charles é digna de uma boa telenovela. Ela foi transformada em uma mocinha sofredora – com defeitos, é claro – enquanto Charles se provava um homem pouco afetuoso e que claramente estava se envolvendo naquele casamento para agradar sua família. Além da absurda semelhança com a princesa, Emma Corrin acerta ao fazer mímica com a sua voz. Ela também fugiu do maniqueísmo, oferecendo maiores camadas de Diana, ora era uma mulher deslumbrada com o mundo real, ora uma mulher frustrada pela rejeição do marido, ora revoltada com a imprensa por não lhe dar privacidade.

E The Crown oferece um dos melhores momentos político do Reino Unido. Margaret Thatcher foi uma figura controversa e criou admiradores e inimigos ao longo da vida. Gillian Anderson tinha uma difícil missão, já que a ex-primeira-ministra já foi interpretada no cinema por nada mais nada menos do que Meryl Streep. Por incrível que pareça, a veterana atriz acaba não devendo nada para sua colega.

No filme A Dama de Ferro (2011), Meryl humanizou Margaret, entretanto, o longa teve um roteiro pálido e pouco retratou a complexidade de uma das mulheres mais importantes do século XX. Diferente da série da Netflix, que não teve nenhuma preocupação em se jogar na vida dessa influente política. Isso permitiu que Anderson apresentasse mais camadas e, consequentemente, não causasse qualquer estranheza numa comparação com Streep.

The Crown é a série de 2020

Com Thatcher e Princesa Diana, quarta temporada de The Crown é a série de 2020

Sem nenhuma dúvida, The Crown é uma das melhores produções já feita pela Netflix em todos os sentidos: roteiro, direção, elenco, figurino e tudo que você possa imaginar, tanto que a produção venceu o Globo de Ouro em 2017. Entretanto, a série nunca conseguiu levar o Emmy por conta de concorrências pesadas. Uma grande injustiça.

 

A quarta temporada é uma mistura de um conto de fadas sombrio com House of Cards da vida real. Para quem gosta de romances frustrados, The Crown é uma excelente opção. Para quem gosta de política, The Crown é uma excelente opção. Para quem gosta de histórias biográficas, The Crown é uma excelente opção. Para quem gosta de qualidade, a quarta temporada de The Crown é a melhor opção.

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