Visão Panorâmica

Com efeito The Voice, Mestre do Sabor pode ousar mais

Programa culinário seguiu linha positivista

Com efeito The Voice, Mestre do Sabor pode ousar mais
Apresentador do Mestre do Sabor - Foto: Reprodução/Globo

Publicado em 17/10/2019 às 06:12:00 ,
atualizado em 17/10/2019 às 09:17:41

Por: Naian Lucas

Mestre do Sabor estreou na semana passada (10) e já foi possível identificar o estilo que o programa seguirá ao longo dos próximos episódios: positivismo. Sim, essa será a palavra da temporada, algo que se tornou frequente em outras produções da Globo ao longo dos últimos anos.

Guiada por Claude Troisgros, muito conhecido pelo público do GNT, a atração veio com status de ser o MasterChef da Globo, contudo, quando as informações do formato foram surgindo, a produção ganhou o apelido de The Voice da culinária. E, de fato, comprovou-se que o programa segue o roteiro da competição musical.

O primeiro ponto é como os participantes são apresentados ao público. Como se fosse um documentário, os competidores narram suas trajetórias profissionais e pessoais. A produção intercala os inscritos sentados explicando os motivos que os levaram a entrar no reality e vídeos/fotos deles trabalhando e se relacionando com amigos e familiares, algo muito parecido com The Voice, Popstar e até as estreias do Big Brother Brasil.

Outro ponto é o caminho escolhido para os jurados e apresentador. Apesar dos chefs serem um pouco mais rígidos do que os técnicos do The Voice, o positivismo está ali. Ah, o positivismo. Tudo precisa terminar com alguma esperança, um sopro de conforto, como se a vida fosse alegre, pra cima.

Claro que é um programa de entretenimento, mas a dureza e um pouco de rispidez pode trazer ao telespectador boas risadas. Por que não mesclar um pouco de positivismo e mau humor?

O The Voice Brasil e o Popstar trilham o caminho da esperança e frases encontradas em pára-choques de caminhões que transportam balinhas de goma. Só comove quem tem ervilha no cérebro. E o que falar da última edição do Big Brother Brasil que buscou participantes para festejar? Não é muita petulância achar que entretenimento é ver um monte de gente em colônia de férias trocando abraços na beira da piscina?

Claro que não é necessário que o Mestre do Sabor, assim com outros programas, forcem situações constrangedoras e desagradáveis atravpes das ofensas, mas uma análise mais aprofundada, uma crítica melhor desenvolvida e até um pouco de impaciência é bem-vinda.

Chefs de Mestre do Sabor são carismáticos

E a Globo tem em mãos três jurados carismáticos. Eles podem fazer com que a emissora ousem um pouco mais com Mestre do Sabor e saía da sua zona de conforto. Quem viu o primeiro episódio do reality, pode ter tido a sensação que estava diante de um monte de cantor sertanejo: Se fechasse os olhos, não encontraria diferença.

Por conta do roteiro muito parecido com os outros realities, ficou a sensação que o Tiago Leifert chamaria Carlinhos Brown para pedir a plateia para levantar e dar o famoso grito “Ajayô”.

Por ser um programa de culinária, e sabemos que há muita pressão num ambiente de cozinha, os chefs podem buscar uma profundidade nas suas análises. Duvido que isso ocorra, mas não custa torcer. O positivismo na vida é bom, só que quando forçado, fica brega e clichê.


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