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Band aposta alto e supera qualidade da Globo na Fórmula 1

Estreia da categoria na Band empolgou os fãs de automobilismo

Sérgio Maurício, Reginaldo Leme e Felipe Giaffone no estúdio
Sérgio Maurício, Reginaldo Leme e Felipe Giaffone comandaram transmissão da Fórmula 1 na Band

Helder Vendramini

Publicado em 30/03/2021 às 09:54:13,
atualizado em 30/03/2021 às 09:57:50

A Fórmula 1 finalmente estreou na Band. A mudança mais comentada do automobilismo brasileiro concretizou-se no fim de semana, com o primeiro Grande Prêmio da temporada 2021 da principal categoria do automobilismo mundial. Com uma cobertura maiúscula, a emissora deu à F1 o tratamento que os fãs reclamavam não ser mais dispensado pela Globo. A começar pela exibição do treino, no sábado, em TV aberta, rede nacional. O canal carioca deixara de fazê-lo, relegando o evento apenas para seu canal fechado e internet.

O telespectador mais desavisado só deve ter notado a mudança de emissora quando foi citado pela primeira vez o nome da equipe Red Bull, que a Globo, seguindo sua política interna, pautada apenas no próprio departamento comercial, insiste em renomear para RBR.

Com transmissão do elogiado Sérgio Maurício, em conjunto com um premiado Reginaldo Leme e uma já realidade Felipe Giaffone, os trabalhos ainda contaram com boa parte da equipe técnica saída da Globo e a repórter Mariana Becker, que faz, há muitos anos, um trabalho impecável na cobertura in loco do evento.

No domingo, 9h, começou o que seria a transmissão mais aguardada pelos fãs da categoria em território paulista. 10h30, para todo o Brasil. Foram uma hora e meia de pré-corrida, com direito a elogios, brincadeiras e até ofensas à antiga detentora da transmissão, preparando bem o clima para o evento que viria logo mais.

Ao meio-dia, Sérgio Maurício deu início a uma das melhores transmissões da Fórmula 1 dos últimos anos. É bem verdade que a corrida ajudou, animado que é o sempre empolgante GP do Bahrein, que parece ter caprichado ainda mais pra mostrar seu cartão de visitas na nova casa.

Se a corrida foi excelente, a transmissão, impecável. Novamente, erros comuns em grandes eventos ao vivo não apareceram. O áudio não falhou, a imagem também não, as intervenções da reportagem foram sempre precisas e naturais. Realmente parecia uma corrida a mais no SporTV, não uma estreia na Band. Méritos da emissora, que soube aproveitar bem a brecha deixada pela emissora dos Marinho e não economizou para trazer da concorrência o também know-how da dinâmica do esporte. Só percebia-se que não era uma transmissão global pelo slogan “Isso a Band mostra”, pela descontração dos integrantes da equipe de vídeo e pela citação dos nomes reais das equipes. A Fórmula 1 raiz estava de volta.

Band ficou mais de cinco horas ao vivo com a Fórmula 1

Após o GP, outra novidade. A exibição das entrevistas pós-corrida e da cerimônia do pódio, relegada, há anos, a um espaço sem importância no site da Globo. Em seguida, um Sérgio Maurício que era só sorrisos e uma equipe bem entrosada fizeram o pós-corrida da Band, pra ninguém botar defeito. Análises das equipes, da performance dos pilotos, repetições de ultrapassagens, de pontos importantes e intervenções sempre sensatas e importantes de Reginaldo e Giaffone só deixaram de ser protagonistas quando brilhou a estrela de Mariana Becker, em uma entrevista exclusiva com o vencedor da corrida, Lewis Hamilton.

Ao término da cobertura, às 14h30, a Band havia completado cinco horas e 30 minutos dedicados à categoria apenas no domingo. A audiência, que tinha sido boa para os padrões da emissora no sábado - 2 pontos - foi ainda melhor no domingo, quando a TV do Morumbi marcou 5,5 pontos, com picos de 6,5.

Para efeito comparativo, a Band conseguiu cinco vezes mais audiência do que anteriormente no horário e chegou a brigar pelo terceiro lugar em um disputado começo de tarde de domingo. A Globo, com todo seu poderio e alcance, raramente atingia a marca de 10 pontos.

A transmissão empolgou fãs pelo Brasil, a hashtag #F1naBand ficou entre as mais comentadas durante todo o tempo da corrida e do pós e os elogios foram muitos de um público que vinha sendo maltratado e estava carente de uma transmissão à altura de seu amor pelo esporte.

A Band apostou alto, conseguiu viabilizar o negócio com o patrocínio da Claro, por enquanto, única cota vendida, mas certamente novas serão vendidas nos próximos dias. Como recompensa pelo trabalho duro e arriscado, cativou os fãs e soube ouvir os telespectadores.

O saldo, no geral, é positivo. Ganham todos e, principalmente, o automobilismo. Que outras emissoras sigam o exemplo e passem a tratar o automobilismo - e a velocidade em geral - com o mesmo carinho e respeito.

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