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A TV brasileira e o dilema entre inovar ou deixar rolar

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Band se esforça para emplacar aos domingos - Fotos: Divulgação
Helder Vendramini

Publicado em 03/08/2018 às 09:29:53

A dificuldade em se fazer algo diferente no Brasil é notória em todos os segmentos. Sejam empresas ou pessoas, a ideia é buscar uma fórmula que dê certo e ir abraçado a ela até que isso se torne insustentável. Com as emissoras de televisão, não tem como ser de outra forma.

Nesse cenário, emissoras que se arriscam a fazer algo diferente acabam tomando dois rumos: sucesso absoluto ou fracasso retumbante. A televisão não dá margem para meios-termos e essa peculiar característica inibe a ousadia de seus executivos.

Recentemente, se deram alguns exemplos dessas tentativas e ficou claro ao público o que cada mudança trouxe ao canal que a bancou.

O SBT colhe os frutos de uma aposta arriscada: colocar jornalismo ao vivo durante praticamente toda a madrugada. A emissora, que começou patinando no horário, aos poucos foi agregando público e invariavelmente alcança a liderança no período.

A TV brasileira e o dilema entre inovar ou deixar rolar

Enquanto isso, a Globo ainda busca uma aposta certeira que faça com que seu “Vídeo Show” retome a força de outrora. Foram inúmeras as mudanças tanto de apresentador quanto de formato desde a saída de Miguel Falabella do comando da atração, mas poucas obtiveram êxito e nenhuma alcançou o mesmo sucesso.

Contudo, o caso mais emblemático talvez seja o da Band. Com pouca verba e muito espaço na grade, a emissora resolveu fugir do lugar comum e, ao invés de vender horários para os mais diversos locatários, destinou boa parte de seu dia a conteúdo próprio.

A reformulação da grade da emissora implicou na perda de espaço de programas consagrados como “Jogo Aberto”, “Terceiro Tempo” e “Os Donos da Bola”, em prol de apostas como “Melhor da Tarde” e “Agora é Domingo”, além da abertura de espaço para outros, como o “Superpoderosas”.

O fato é que, apesar do arrojo, a Band não conseguiu, ao menos até o momento, sucesso na sua empreitada. Apesar de o “Melhor da Tarde” ir muito bem no faturamento, sua audiência ainda no máximo mantém a média anterior no horário. Isso porque, apesar de dar 1,7 ponto em um horário vendido que dava 0,2, também dá 1,7 em uma faixa que a Band alcançava 3,5.

A TV brasileira e o dilema entre inovar ou deixar rolar

Se o programa de Cátia Fonsenca fica no “zero a zero” quando se fala em audiência, o mesmo não pode se dizer em relação ao “Agora é Domingo”, “Show do Esporte” e, principalmente, “Superpoderosas”.

Com médias de 1,8 ponto,Datena consegue igualar ou superar algumas atrações que o antecederam, mas vê essa margem ser consumida quando comparado ao “Terceiro Tempo”, que Milton Neves apresentava antes da mudança.

Falando nele, seu novo velho programa, o “Show do Esporte”, não decolou e mantém-se na casa dos 1,5 ponto, o que, comparado ao “Pânico”, que ocupava a faixa até o fim do ano passado, representa uma queda vertiginosa, fazendo com que a Band fique atrás até mesmo da RedeTV! na média-dia do domingo. Pouco para quem esperava disputar a vice-liderança com Record TV e SBT.

Mas o principal problema dos diretores da emissora atende pelo nome de “Superpoderosas”. O programa conseguiu reduzir a quase 10% a audiência no horário, levando a Band a atingir zero ponto em diversas oportunidades.

A TV brasileira e o dilema entre inovar ou deixar rolar

Além de mudar, é preciso analisar com cuidado o caminho que será seguido. Talvez tenha faltado à Band observar a concorrência e verificar que, no horário de “Superpoderosas”, a Globo tem uma programação consolidada voltada ao mesmo público e com audiência que, embora não comprometa, fica abaixo de outros produtos da casa.

Também pode ter faltado verificar o público do domingo, seus anseios e o que a concorrência entrega, antes de fazer as alterações na grade ou então, simplesmente, tudo isso foi feito e a resposta acabou sendo diferente da que se desenhava.

O fato é que, por mais imprevisíveis que sejam os resultados, toda tentativa de renovação é válida e, se houver humildade para consertar o que não funcionou, consistência para assegurar o produto ainda que os números não sejam o esperado e caixa para manter o bom andamento da atração, os frutos podem ser colhidos mais adiante.