Opinião

Demissão de jornalista da Globo pelo peso mostra retrocesso da emissora

Michelle Sampaio
Divulgação
Foto do Colunista / Jornalista

Gabriel Vaquer
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Gabriel Vaquer

Gabriel Vaquer é repórter de TV e entretenimento desde 2012. Estudou jornalismo na Unit e FMU. Além do NaTelinha, trabalha como colaborador no UOL Esporte. Converse com ele. E-mail: gabrielvaquer@uol.com.br / Twitter: @bielvaquer

Publicado em 24/03/2019 às 08:00:45

A notícia no último sábado (23), foi o relato de Michelle Sampaio (veja no final), que foi dispensada da TV Vanguarda, afiliada da Globo no interior de São Paulo, por simplesmente não ter conseguido se manter no peso após ter engravidado, no ano de 2016.

O relato é chocante. Depois de ter sua filha, e mesmo tendo reportagens que vitalizaram e foram elogiadas, além de ter o carinho do público, a jornalista era constantemente pressionada pelas chefias para reduzir o seu peso, o que não conseguia.

"Como muitos sabem e me acompanham, há dois anos entrei numa briga com a balança depois de ter engordado muito na gravidez. Por estar acima do peso, fiquei um bom tempo trabalhando nos bastidores, cheguei a emagrecer um pouco, voltar pra reportagem e apresentação do jornal, mas saí do 'vídeo' novamente porque nunca de fato voltei ao peso antes da gravidez, que foi o pedido da emissora", diz o relato dela.

O fato choca até aqueles que acompanham televisão local com mais afinco, como este mero repórter. Mas não chega a ser surpresa: não é de hoje que emissoras exercem uma pressão gigante em jornalistas mulheres para que se mantenham no chamado padrão.

Isso fica bastante evidenciado em jornais da Globo, por exemplo, onde a maioria das apresentadoras locais precisam se manter magras, com um cabelo bem arrumado e sempre num padrão que foi criado anos atrás por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que é dono do canal.

Quem conhece de perto TV local e a TV Vanguarda, sabe que ela tem um ar antigo. Seu pacote gráfico é antiquado, seu jornalismo é feito de forma antiga, sem muita interatividade, frio, num padrão que lembra o que se era feito na década de 90, além de ser nada antenado com os dias atuais. É uma das piores afiliadas Globo.

Para se fazer uma demissão dessa, creio que a diretora de jornalismo, Terezinha Almeida, tenha se guiado em padrões determinados pelas chefias superiores. E todos sabem que Boni tem dia a dia ativo na TV Vanguarda, e não é de hoje.

Recentemente, Boni deu entrevistas criticando o atual momento do jornalismo da Globo, dizendo que vetaria várias das resoluções atuais que modernizaram a emissora carioca nesse quesito, batendo do "Hora 1", até mesmo em Maju Courinho, do "Jornal Nacional".

É meio duro dizer isso, até porque Boni ajudou a construir a televisão de alto nível que temos no Brasil, e merece todo o respeito. Mas em 2019, Boni e sua televisão, além de seu modo de gerir o negócio, não tem tanto a acrescentar ao mercado.

Ouvir ele ainda é bom, pela pluralidade de opiniões, mas ouvir ele e encarar como verdade absoluta não serve mais. A TV está evoluindo, dando passos cada vez maiores para se tornar mais próxima do que o povo quer e anseia. Casos como esse não podem ser mais tolerados. Boni e sua TV estão na vanguarda, mas no pior sentido dessa palavra.


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