Antenado

Silvia Abravanel, sua visão de crianças e como isso está prejudicando a programação infantil do SBT

Silvia Abravanel vestida de borboleta
Reprodução

Publicado em 11/03/2019 às 14:00:50

Por: Gabriel Vaquer

Ao bem da verdade, Silvia Abravanel, atualmente apresentadora do "Bom Dia & Cia", do SBT, caiu de paraquedas na função. Em junho de 2015, o Ministério da Justiça fazia uma cruzada contra o trabalho infantil na TV, quando saíram Matheus Ueta e Ana Júlia, e entrou a filha de Silvio Santos.

O fato é que se tornar apresentadora do "Bom Dia" evidenciou e deixou claro para todos a visão estranha que Silvia já comandava o núcleo infantil do canal desde 2007, com decisões questionáveis e incoerentes, meio que misturando crenças pessoais com profissionais.

Acho que o maior exemplo disso foi em 2016, quando este repórter noticiou aqui no NaTelinha que a produtora Saban, até então responsável pela franquia "Power Rangers", uma das séries de maior fama entre as crianças, queria um acordo parecido com o que ocorre com a Mattel, que compra a faixa nacional do "Bom Dia & Cia" para exibir desenhos de suas franquias, como a "Monster High".

No entanto, Silvia Abravanel e seu núcleo não quiseram fazer negócio com a dona dos heróis coloridos por se tratar, para eles, de uma série violenta. Hoje, "Power Rangers" mudou de mãos. Além disso, nota-se que o "Bom Dia & Cia" exibe desenhos não muito atraentes para as crianças.

A última aquisição de impacto foi "Bob Esponja", quando a Globo o descartou depois de fechar seu núcleo infantil. A série veio com um acordo com a Nickelodeon, onde comprou também "Sam & Cat", "Henry Danger" e "Os Padrinhos Mágicos", além de "Kenan & Kel" e "The Amanda's Show".

Após isso, poucos investimentos, talvez pela falta de verba. Com um misto de pouco dinheiro e uma visão estranha para o que crianças têm que ver, ou que é violento ou não, Silvia toca o núcleo infantil. Mas é na apresentação que vemos muitos problemas.

Desde o início, ela tenta imitar uma voz de criança, quase professoral. Me lembrou quando uma mãe imita uma voz de bebê para o seu filho pequeno. É fofo para quem tem 2 anos de idade ou menos, que não entende nada, mas para crianças mais grandinhas, é constrangedor.

A prova de que Silvia Abravanel não tem muita noção do que está fazendo aconteceu na semana passada, quando ela tentou entrar voando no "Bom Dia & Cia", como uma borboleta. Novamente, tudo estava lá: o tom infantil forçado, a roupa brega e o errado tom lúdico para as crianças.

De fato, você não pode dar para as crianças algo super adulto, não é isto. Mas você não pode tratá-las como idiotas, ainda mais aos pequenos de hoje em dia, que têm acesso a tecnologia fácil em suas mãos. Essa visão da filha de Silvio Santos ajuda a explicar porque o "Bom Dia & Cia" deixou de ser competitivo em termos de Ibope fora das férias.

O programa deve perder mais tempo, porque o "Primeiro Impacto" será esticado novamente. Não existe um esforço para fazer o "Bom Dia & Cia" ser mais atraente, diferente, uma coisa boa numa ilha. Hoje, é descartável.

Continuando com essa visão, logo menos, até o SBT vai matar os desenhos. Mas nessa altura do campeonato, não acharia ruim. Fazer por fazer é errado. E é isso que a emissora faz atualmente com o "Bom Dia".

Gabriel Vaquer escreve sobre mídia há vários anos e está de volta ao NaTelinha. Além da "Antenado", faz reportagens especiais sobre a TV brasileira. Também é colaborador do UOL Esporte. Converse com ele. E-mail: gabrielvaquer@uol.com.br / Twitter: @bielvaquer


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