Daniel César
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Bom Dia, Verônica volta potente e mostra que a Netflix pode mais

Nova temporada da série mostra qualidade que é raro dentro da plataforma


Imagem dos protagonistas da sérieBom Dia, Verônica
Bom Dia, Verônica teve os episódios da segunda temporada lançados - Foto: Divulgação/Netflix
Por Daniel César

Publicado em 04/08/2022 às 05:16:00,
atualizado em 04/08/2022 às 09:35:31

A nova temporada de Bom Dia, Verônica, liberada na última quinta-feira (03) na Netflix Brasil, cumpre bem seu papel de mostrar por que é considerada uma das - senão a melhor série brasileira da plataforma. Com uma história ainda mais enveredada pelo thriller policial, que a dramaturgia brasileira vem deixando de lado de forma equivocada, a produção protagonizada por Tainá Müller traz as personagens da temporada anterior e também investe em novos, como o religioso estuprador Reynaldo Gianecchini.

O ator, aliás, fez muito bem em trocar a Globo pela Netflix ao aceitar o desafio de viver um vilão numa série policial, se permitindo ir por caminhos que seus papéis nas novelas nunca haviam oferecido. Embora seja, talvez, o grande acerto da temporada, ele não é o único. A começar pelo roteiro de Raphael Montes que prova, mais uma vez, ter sido uma escolha acertada para escrever a primeira novela da história da HBO no Brasil, Segundos Intenções.

O conceituado autor de livros já se destacou no primeiro ano ao investir em dramaturgia, com uma história eletrizante. Agora, os seis episódios da segunda temporada dão indícios de que Montes está cada vez mais maduro e entendendo a própria narrativa. Bom Dia, Verônica, que poderia ter seguido o modelo do primeiro ano de contar uma investigação paralela, avançou na narrativa e bebeu da fonte de séries policiais de outros países, que já estão mudando o formato.

Com Verônica investigando a quadrilha responsável por assassinar sua mãe e deixar seu pai inválido, enquanto se passa por morta, ela é convidada a outra historia, que a princípio parece um núcleo paralelo, mas que na verdade leva exatamente às investigações da policial. Os episódios são ágeis, não perdem tempo com embromações e vão construindo um castelo de cartas com perguntas e respostas, criando um jogo de gato e rato com o telespectador.

A direção é de José Henrique Fonseca (Mandrake, Valentins), que é casado com a atriz Claudia Abreu, e mostra que é possível apresentar um trabalho bem feito fora da Globo. O diretor opta por takes em que o público nem sempre sabe o que o personagem está vendo e que vai gerando tensão a cada corte. Além disso, ele se preocupou mais em trabalhar com o elenco para dar profundidade às cenas que em colocar câmeras em locais inesperados para atrair atenção ao seu trabalho.

A nova temporada de Bom Dia, Verônica coleciona acertos e vale a atenção de quem é fã de séries e também de um bom thriller policial. Mas ela também levanta a pergunta: se a Netflix Brasil sabe produzir com tamanha qualidade, porque gasta tempo em entregar conteúdos tão aquém do aceitável? 

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