Atuação da Semana: Marjorie Estiano prova que é capaz de interpretar qualquer personagem
Marjorie Estiano está brilhando como Ângela Diniz
Publicado em 23/11/2025 às 13:32,
atualizado em 23/11/2025 às 13:34
Quando surgiu em 2003 como a vilã Natasha, de Malhação, ninguém imaginaria o tamanho que Marjorie Estiano teria. Ali, já era possível prever que se tratava do maior potencial artístico que a novelinha poderia ter em sua história. Agora, 22 anos depois, ao dar sua versão de Ângela Diniz, ela prova que não apenas é a mais capacitada de sua geração, como é capaz de interpretar qualquer personagem.
Na minissérie da HBO, Marjorie encarna uma personagem completamente diferente de tudo que já fez na TV. Diniz foi considerada uma das mulheres mais sensuais dos anos 70, algo que a atriz passa longe de querer demonstrar. Longe dos holofotes, se recusa a dar entrevistas constantemente e mal fala da vida pessoal. A socialite é sua antítese completa.
Daí a grande dificuldade. Em trabalhos anteriores, Estiano sempre buscava algo que parecia vir de seu próprio âmago. Seja como Maria Paula, a mocinha vingadora de Duas Caras (2007) ou Manu, a sofrida irmã de A Vida da Gente (2013), até mesmo a sem sal Cora, de Império (2014), ajudaram a construir uma carreira focada na interpretação, na expressividade e na narrativa, muito menos no corpo.
+ Globo faz operação para salvar Três Graças e gera crise com atores
+ Êta Mundo Melhor: Ernesto perde o controle após Candinho recuperar filho
Mas Ângela Diniz parece ter chegado para exorcizar esse preconceito contra a atriz. Marjorie se vestiu de uma mulher fútil, sim, mas à frente de seu tempo e encontrou elementos para puxar sua interpretação tropical. Cada olhar, cada explosão e até cada cantada foi feito numa versão até desconhecida de uma artista que é completa.
Diniz é um marco brasileiro, também pelo crime bárbaro cometido e por ter sido, talvez, a primeira mulher cancelada a olhos vistos da sociedade. Um caso desses certamente é instigante para qualquer ator e atriz, mas nem todos são capazes de interpretar dando seu próprio timing e sua própria natureza artística, fugindo de estereótipos ou até da biografia real.
A minissérie da HBO mostra uma Ângela na visão de Marjorie Estiano. Não é a visão machista que o mundo vendeu e tampouco uma versão puritana. Graças a maior atriz de sua geração, a minissérie é uma obra repleta de nuances e que se segura quase que totalmente numa interpretação visceral de Marjorie.