Tudo por uma Segunda Chance: novela vertical da Globo ressuscita Gloria Magadan
Primeira novela vertical da Globo, Tudo por uma Segunda Chance mostra talento da emissora para superprodução
Publicado em 25/11/2025 às 20:30,
atualizado em 25/11/2025 às 21:08
A Globo estreou nesta terça-feira (25), sua primeira novela vertical, Tudo por uma Segunda Chance, escrita por Rodrigo Lassance e com direção artística de Adriano Melo e o maior destaque foi a ressurreição de Gloria Magadan (1920-2001), a primeira grande novelista do país e que foi responsável por ajudar a construir as telenovelas no Brasil.
A frase, evidentemente, é uma metáfora para tentar explicar de forma resumida o conceito da novela, que tem entre 2 e 3 minutos em cada capítulos. Nos primeiros 10 liberados nesta semana nas redes sociais da emissora, o que se viu foi um modelo que apostava no melhor estilo da novelista que a consagrou nos anos 60.
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Com Débora Ozório como a mocinha injustiçada, acusada de tentar matar o seu grande amor Lucas (Daniel Rangel), tentando reconstruir a vida e provar a inocência para viver feliz ao lado do mocinho, desmemoriado. Enquanto isso, Soraia (Jade Picon), a responsável pelo crime e grande vilã, faz de tudo para destruir a felicidade do casal e ficar com o mocinho milionário.
A trama batida já foi contada mil vezes ao longo da história das novelas brasileiras. Ainda assim, com os capítulos curtos e poucas cenas, é impossível desgrudar os olhos da tela enquanto os capítulos vão se desenrolando por uma razão simples: em um momento em que o espectador da internet quer vídeos curtos, nada mais chama a atenção do que um bom dramalhão no melhor estilo Gloria Magadan.
Nada é complexo e tudo é mastigado, óbvio e simples. Não é preciso explicar muito do roteiro porque o espectador se vê diante das respostas sem nenhuma recompensa ou mistério. Mas o grande drama de Paula é irresistível, afinal a mente do brasileiro foi treinado por seis décadas para este momento.
Tudo o que o público de novelas quer é ver uma mocinha injustiçada, chorando, correndo de um lado feito barata tonta para provar a própria inocência. Enquanto na outra ponta, uma vilã cruel, perversa e de história em quadrinhos, brilha com movimentos hiperbólicos, com veneno, armações dignas de James Bond e sempre saindo por cima.
O elenco já disse a que veio. Débora Ozório brilha intensamente como a mocinha cuja história poderia ser contada em 1960 como a primeira novela brasileira. A atriz, já experiente, embora jovem, sabe dosar o dramalhão de sua personagem sem parecer falso. Daniel Rangel, embora com poucas cenas, segurou seu mocinho fantoche.
Além disso, nomes como Marcos Winter e Vanessa Gerbelli, mesmo com uma única cena, mostraram que podem se destacar. Beth Goulart, no entanto, já teve suas oportunidades e brilhou como sempre faz.
Jade Picon, após um desempenho sofrível em Travessia (2022), avançou num formato em que ela fica mais à vontade, por dominar o vertical das redes. Sua Soraia não é complexa e nem tem grande espaço para composição, por isso sua aposta nas caras e bocas funciona perfeitamente bem e entrega uma vilã deliciosa, do jeito que o brasileiro adora odiar.
Tudo Por Uma Segunda Chance não vai revolucionar a história da TV e das novelas, mesmo sendo a primeira trama vertical da Globo. Com direção e produção de encher os olhos, a aposta num formato consagrado é a prova de que a ideia nem é essa, mas a intenção é atingida em cheia: colocar a maior emissora do país produzindo um formato que vinha crescendo entre amadores. Agora, é para profissionais.