Coluna Especial

Ex-diretor de Faustão revela os bastidores da guerra com Gugu no SBT

Alberto Luchetti dirigiu o Domingão do Faustão entre 1998 e 2000

Gugu e Faustão travaram uma das maiores disputas por audiência da televisão
Por Redação NT , com Alberto Luchetti

Publicado em 18/09/2020 às 05:35:34

A disputa pela audiência de domingo entre Globo e SBT, no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, foi uma das maiores - se não a maior - e mais divulgada concorrência entre emissoras da televisão brasileira. De um lado Augusto Liberato, o Gugu, cria do maior comunicador dessa história de 70 anos, Silvio Santos, e de outro, Fausto Silva, que deixou o sucesso cult dos Perdidos na Noite no fim da década de 1980, na Bandeirantes, e nunca mais conseguiu ser uma novidade na TV.

Sem a mesma descontração do Perdidos, Fausto fazia, na época, um programa mecânico, engessado e previsível. Foi nessa estrutura extremamente inerte que Gugu, sabiamente, surfou livremente e virou a pedra no sapato da emissora do Jardim Botânico.

O desespero foi tamanho na Globo que a então diretora Leonor Correa, irmã do apresentador, ultrapassou todos os limites de bom senso e produziu o Sushi Erótico, na tentativa de elevar a audiência do Domingão. Foi uma das maiores aberrações da TV brasileira, onde atores da Globo degustavam sushis e sashimis expostos e servidos de forma decorativa num corpo seminu de uma modelo qualquer.

Enquanto isso, Gugu, mais inteligente, humilde e moderno, elevava a audiência do SBT com quadros humanos e sensíveis como, por exemplo, o Sentindo na Pele, onde o apresentador ia para a rua caracterizado de mendigo. Conquistou o Brasil.

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Fausto Silva, de cultura questionável e com atitude prepotente, sempre culpando terceiros pelos problemas de seu programa, tentava se alavancar em bordões do futebol, das décadas de 1980 e 1990, como se ainda fosse repórter esportivo. No segundo semestre de 2000 o ciclo de Fausto Silva na Globo estava com os dias contados. Seu programa cristalizou-se na vice-liderança com perda significativa de anunciantes. A alta cúpula da emissora, descontente com os rumos do programa, trocava - sem sucesso - diretores e quadros, na tentativa de reverter a audiência.

De junho de 2000 até dezembro de 2001, o Domingão do Faustão havia ganhado apenas três domingos de Gugu Liberato, diante de quase 80 programas disputados. Anunciantes como a Nestlé, por exemplo, trocaram o dominical da Globo por uma grande promoção no Domingo Legal do SBT, espalhando outdoors por toda a cidade. A Vênus Platinada estava patinando.

Isso tudo eu presenciei. Fiquei na direção geral do Domingão desde o começo de 1998 até maio de 2000, quando fui designado para preparar a estreia do programa Altas Horas no sábado à noite. E depois até 2002 em outras produções da Globo, até lançar a primeira TV da internet em abril daquele ano.

Coincidentemente com a minha saída do programa, foram três anos de sucesso do SBT com Gugu Liberato, diante de fracassos da Globo, com o Domingão do Faustão. A retomada da audiência pela emissora do Jardim Botânico só aconteceu em setembro de 2003, quando Gugu Liberato exibiu em seu programa uma falsa reportagem com supostos integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) ameaçando artistas e personalidades da cidade. Com esse fatídico episódio, a credibilidade de Gugu ficou abalada e pouco depois ele deixou a emissora. Terminava aí a guerra da audiência aos domingos. Vale dizer que não foi a Globo que ganhou, mas o SBT que perdeu.


Alberto Luchetti Neto
Jornalista, foi diretor geral do Domingão do Faustão, diretor da Rádio e TV Bandeirantes, diretor da Rádio e TV Jovem Pan, repórter da Folha de S.Paulo e repórter de política do Estado de S.Paulo. Criador e Diretor Geral da ALLTV, primeira emissora 24 horas ao vivo da Internet.

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