Visão Panorâmica

O futuro da TV aberta passa pela regionalização das programações

Na contramão, SBT dará fim às suas marcas regionais, investindo num conceito de rede única

Neila Medeiros
Neila Medeiros é apresentadora do SBT Brasília: Emissora focará em conceito de rede única

Publicado em 24/01/2019 às 17:11:48 ,
atualizado em 11/03/2019 às 14:46:33

Por: Naian Lucas

Conforme noticiado pelo NaTelinha com exclusividade nesta quarta-feira (23), o SBT decidiu dar fim às nomenclaturas regionais de suas emissoras próprias, investindo num conceito de rede única.

Entretanto, este é o caminho oposto da comunicação e da sociedade no mundo todo em que as cidades estão se tornando protagonistas em deferimento de entes federais.

Nos últimos meses, os jornalistas e telespectadores estão acompanhando as modificações feitas pela Globo para frear o crescimento da Record TV em diversas praças do país, principalmente dos programas jornalísticos locais, como o “Balanço Geral”.

Em São Paulo, por exemplo, “A Hora da Venenosa” foi uma das responsáveis por sepultar o “Vídeo Show”. Em Salvador, a Rede Bahia retirou o “Bem Estar” da sua grade e colocou um programa local no horário, algo inédito entre as afiliadas da Globo.

A emissora carioca pretende dar maior liberdade às afiliadas para brigar pela audiência contra os jornais e programas locais das concorrentes. A própria Vênus Platinada resolveu diminuir o tempo de exibição do “Bom Dia Brasil” e dar mais meia hora aos telejornais locais matutinos.

Os telespectadores estão se interessando mais pelas suas cidades e menos por assuntos globais. Esse fenômeno tem uma explicação técnica. Ao redor do mundo, segundo Teemu Alexander Puutio, pesquisador da Universidade de Turku, na Finlândia, as cidades estão se tornando mais independentes dos poderes centrais.

Há muito tempo, os países sempre foram protagonistas nas discussões políticas de todos os seres humanos e, obviamente, ganhou espaço nos veículos de comunicação. Não por acaso, o termo globalização ganhou força bem na Segunda Guerra Mundial, por volta de 1941.

O avanço da tecnologia fez as informações circularem com maior intensidade, permitindo que as pessoas trocassem ideias, conhecessem novas culturas e realizassem amizades.

Com o mundo da internet, os cidadãos têm apresentado mais interesses no município que vive do que no estado e até mesmo no país. Fazendo um paralelo com o mundo político, as cidades estão se tornando mais fortes nas suas decisões, formando alianças urbanas regionais, nacionais e até internacionais, desde que elas tenham interesses comuns.

Numa comparação simplória, o Brasil faz parte do Mercosul, pois tem interesses parecidos com o Uruguai, Argentina, Venezuela e Paraguai. Ao redor do mundo, há diversos países que formam grupos para negociar, algo extremamente normal. Porém, as cidades também estão formando parcerias, para ter a mesma influência.

A mais famosa é a Liga Nacional das Cidades dos Estados Unidos. Outro exemplo é o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, que reuniu mais de 380 cidades. Os EUA foram contra o documento, entretanto, os municípios de Nova York e São Francisco entraram no acordo e mostraram soberania em relação ao país.

Esse fenômeno também já existe no Brasil. No Noroeste Paulista, por exemplo, cidades criaram dois grupos chamados AMENSP e AMA. Os prefeitos destes blocos fazem reuniões mensais e viajam para capital de São Paulo para negociar em grupo com o Governador.

Voltando ao universo da televisão, como na política, o avanço tecnológico tem mostrado a TV aberta que o caminho será os programas locais, seja no entretenimento ou jornalismo. As afiliadas devem ganhar mais espaço no poder de formatar suas programações.

Este fato já ocorre nos Estados Unidos entre todas as emissoras. Oprah Winfrey (foto/acima), a maior apresentadora da América, por exemplo tinha seu programa exibido em canais diferentes dependendo da região do país governado por Donald Trump.

A Record TV compreendeu isso de forma rápida. O SBT também vinha trilhando este caminho, até decidir unificar as filiais como rede única. A Globo tem engatinhado com esse novo processo, contudo, cedo ou tarde, terá que se jogar no novo jeito de se fazer televisão.

Em nota enviada ao NaTelinha no dia 11 de março, a emissora de Silvio Santos diz que “desde junho do ano passado trabalha em um projeto de reorganização de sua arquitetura de marcas. Uma das diretrizes, baseada em pesquisa, foi a de fortalecer a marca SBT nacionalmente, se adaptando e acolhendo a todos. Sendo assim, as submarcas regionais foram descontinuadas, removendo quaisquer limites geográficos, entretanto, preservando o conteúdo e apresentadores de cada região”.

Naian Lucas escreve há 10 anos e já fez de tudo um pouco nas redações. Apaixonado por televisão, é roteirista e trabalha na área desde 2014. Atualmente, é repórter do NaTelinha e aficcionado por tudo que envolve dramaturgia. Siga-me no Twitter: @naiaan


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