Sandro Nascimento
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Análise

Na contramão da Globo, SBT dá férias para produções e se torna um Canal Viva da TV aberta em janeiro

Silvio Santos chegou a investir dinheiro nas empresas em 2017
Divulgação
Sandro Nascimento

Publicado em 24/01/2019 às 06:00:00

O ano de 2018 terminou e o SBT não trouxe nenhum projeto para sua grade diária que tivesse força comercial para reverter as quedas de faturamento que vem enfrentando nos últimos dois anos.

O próprio Silvio Santos reclamou em dezembro de 2017, durante a festa de confraternização do Grupo Silvio Santos, que precisou injetar R$ 400 milhões em suas empresas, dentre elas o SBT: "eu tenho colocado muito dinheiro", e completou: "tem dado maus resultados".

A consequência desses problemas financeiros foi a perda de emprego de em torno 200 funcionários naquele ano na TV.

De acordo com o último balanço publicado em maio de 2018, referente a 2017, o SBT faturou R$ 998 milhões contra R$ 1,012 bilhões de 2016. Esse valor é o mesmo que o canal conseguiu lucrar em 2013.

Porém, mesmo tendo retração em seu faturamento, analisando o SBT ao longo de 2018, constata-se uma certa inércia ou comodismo para buscar novos caminhos na programação de segunda a sexta, capazes de atender uma demanda para grande anunciantes.

Durante a grade matinal, a emissora divide seu espaço entre produtos jornalísticos e infantis. O "Primeiro Impacto", por todas suas características exibidas, dentre elas um galo empalhado no cenário e dancinhas criativas, não possui um perfil que o mercado publicitário vem querendo apostar junto aos seus clientes. O "Bom Dia & Cia", diante de todas as regulamentações que existem para o setor, restringe qualquer perspectiva de aumento de lucratividade para o canal.

O interessante nisso, é que o SBT não renovou com a Disney, que injetava milhões nesta faixa, porque não conseguiram um aumento que pleiteava nas negociações, entre outros motivos. Ficaram sem o aumento e o dinheiro americano. Cabe a pergunta: qual investidor substituiria o volume de valores que a Disney colocava no caixa de Silvio Santos para exibir Mickey Mouse e cia de manhã?

A carência de bons produtos capazes de fisgar o mercado publicitário continua no período da tarde. A grade está fatiada entre desenhos animados, "Chaves", atrações populares e novelas mexicanas.

SBT dá férias para produções e se torna um Canal Viva da TV aberta em janeiro

Apenas no horário nobre o SBT exibe produtos que possuem qualidade que atendam o interesse das grandes empresas: "SBT Brasil", "As Aventuras de Poliana", "Programa do Ratinho", "A Praça é Nossa", "Conexão Repórter" e as sessões de filmes.

Em janeiro, diferente da Globo, que possui uma programação especial de verão e cria produtos para incrementar a grade e dar o start no faturamento, entres eles "Big Brother Brasil" e a nova novela das sete, "Verão 90", o SBT optou por reprisar toda sua grande de entretenimento.

Neste cenário, atualmente, entre 16h e 02h, ou seja, 10 horas de programação, a emissora produz apenas cerca de 1h40. Todo o restante, por volta de 86% do espaço, é recheado com reprises e enlatados, quase um Canal Viva.

Enquanto isso, do outro lado, o anunciante encontra na Globo um jornalismo com credibilidade, programas inéditos e ao vivo e uma audiência líder.

A Record TV, concorrente direta do SBT, está trazendo novidades durante os meses de férias, entre elas "The Four", com Xuxa Meneghel, e o "Troca de Esposas", com Ticiane Pinheiro.

Porém, mesmo com uma grade feita de "melhores momentos", em janeiro a diferença na média-dia de audiência entre Record TV e SBT é mínima. Mas a explicação para isso pode ser a ausência de uma estratégia eficaz do principal concorrente. Apenas isso.

Se a meta é ser segundo lugar bem próximo do canal de Edir Macedo com baixo custo, tudo caminha para um acerto na programação. Entretanto, depois, não pode reclamar de novo déficit nas contas. Talvez isso possa mudar com a recente compra feita pelo canal, a tosca série mexicana "La Rosa De Guadalupe". Sai verão e entra verão...