Quarta Parede

Além de Pantanal: Outras 5 novelas da Manchete que mereciam remake

Mercado começa a revisitar tramas da extinta emissora; outro exemplo é Dona Beija, prestes a ter nova versão pela HBO Brasil


Christiane Torloni e Raul Gazolla na novela Kananga do Japão, exibida na Manchete em 1989. Na foto, eles usam trajes de época
Christiane Torloni e Raul Gazolla protagonizaram Kananga do Japão (1989), sucesso na Manchete - Foto: Reprodução

Pantanal estreia na Globo nesta segunda-feira (28), 32 anos após a primeira versão ir ao ar na Manchete. A trama criada por Benedito Ruy Barbosa, adaptada agora por seu neto, Bruno Luperi, abre um precedente na emissora carioca, que se mostra aberta a fazer novas versões de sucessos de sua antiga concorrente.

De 1983 a 1999, período em que esteve no ar, a Manchete produziu boas novelas, que chegaram a incomodar a Globo não apenas em audiência, mas também pelo prestígio alcançado por algumas produções. É o caso, por exemplo, de Dona Beija (1986), estrelada por Maitê Proença, exportada para vários países.

Não apenas a Globo, mas todo o mercado está atento à possibilidade de produzir remakes dessas novelas. Já há um projeto em andamento na produtora Floresta, para a HBO Brasil, a fim de refazer Dona Beija no formato de “telessérie”. O nome de Grazi Massafera já foi apontado como o mais cotado para o papel principal.

Confira, a seguir, outras 5 novelas da Manchete que poderiam render bons remakes:

Corpo Santo (1987) reúne ingredientes para uma novela das 11

Além de Pantanal: Outras 5 novelas da Manchete que mereciam remake

Corpo Santo foi desenvolvida como uma crônica policial do Rio de Janeiro. Viúva, Simone Reski (Christiane Torloni) se envolve com Téo (Reginaldo Faria), sem nem imaginar que o bon vivant trabalha para a indústria pornográfica e deseja ter a filha da nova namorada, Lucinha (Silvia Buarque), como estrela de um de seus próximos filmes.

Ousada e problemática aposta da Manchete em 1987, a novela sofreu com a debandada da protagonista: Christiane Torloni se desentendeu com a equipe e deixou a produção na metade. Ainda assim, os autores José Louzeiro e Cláudio MacDowell seguiram com a história, que alcançou relativo sucesso e, pelo conteúdo sexual e violento, seria uma boa pedida para a faixa de superséries ou novelas das 23h da Globo.

Carmem (1988) se daria bem no streaming

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A atriz Lucélia Santos tem este como um de seus trabalhos mais difíceis na TV. Desiludida, a personagem principal faz um pacto de sangue com a Pombagira cigana, a fim de ficar rica e destruir o homem que a desprezou. Nessa jornada, é vítima do amor obsessivo de José (Paulo Gorgulho).

Carmem foi uma adaptação da ópera homônima, de Bizet, assinada por Glória Perez, em seu primeiro projeto solo na televisão. A autora, hoje consagrada, poderia revisitar um de seus primeiros trabalhos após Travessia, prevista para substituir Pantanal. Daria certo no formato de “novela para o streaming”, como já apostam Globoplay e HBO Max.

Adaptada, Kananga do Japão (1989) renderia uma boa novela das 6

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Um dos maiores sucessos da Manchete, Kananga do Japão precedeu Pantanal e, pode-se dizer, abriu caminhos para o sucesso da trama rural, já que chamou atenção de crítica e público para as tramas da emissora. Aqui, a história reconstituía a boemia de uma famosa casa noturna do Rio de Janeiro dos anos 1930.

A protagonista Dora (Christiane Torloni), vinda de uma família falida, se torna uma estrela da dança, mas decide abandonar esse sucesso para se casar por interesse. Folhetim puro, daria um bom projeto para as 18h com os mesmos ares de superprodução que fizeram o sucesso do original, dirigido pela cineasta Tizuka Yamasaki e por Carlos Magalhães.

Governo Bolsonaro pode ser pretexto para reboot de O Marajá (1993)

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Com o fim do Governo Collor, a Manchete tentou levar ao ar O Marajá, com claras referências ao ex-presidente da República, que havia renunciado em 1992. A Justiça, contudo, barrou a exibição da trama, que nunca foi levada ao ar. A protagonista da história seria Mariana (Júlia Lemmertz), uma repórter que descobre o plano do então presidente eleito de governar o Brasil até 2020.

Talvez um remake pudesse soar anacrônico, mas valeria a pena um reboot, com uma proposta aos mesmos moldes, ambientada no Governo Bolsonaro. Resta saber qual autor enfrentaria esse desafio e de que forma ia preferir retratar os últimos quatro anos: como uma comédia de erros – fadada a ser sem graça – ou uma tragédia como a que assistimos na vida real.

Série sobre Xica da Silva (1996) faria justiça à personagem histórica

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Revelada no papel principal da trama da Manchete, Taís Araujo já deu o aval para uma nova adaptação. “A Xica da Silva foi uma mulher articuladora, muito política, bastante inteligente. Ela nunca foi retratada dessa maneira como merecia ser, como devia”, disse a atriz em entrevista ao site Notícias da TV, no ano passado. A história da escravizada que virou rainha já havia sido contada no cinema, em filme de 1976 com Zezé Motta.

A novela de 1996 foi o último sucesso da Manchete e o primeiro na carreira do autor Walcyr Carrasco. Na época, ele assinava como Adamo Angel para driblar o SBT, por ter contrato de exclusividade com a emissora de Silvio Santos. Uma série sobre a personagem histórica, com uma abordagem antenada aos novos tempos, cairia bem.

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