Em 1990

Fora das câmeras da Manchete, Pantanal driblou empecilhos e quase não foi ao ar

Apesar das dificuldades, a trama de Benedito Ruy Barbosa foi um sucesso


Cristiana Oliveira de cabelos soltos apontando arma para a câmera em cena de Pantanal na TV Manchete
Cristiana Oliveira viveu Juma Marruá na versão original de Pantanal - IMDB/Manchete

Valeu a pena Benedito Ruy Barbosa ter batido o pé e insistido para que Pantanal saísse do papel. Anos antes de ir ao ar na Manchete, o autor apresentou a ideia na Globo e o projeto chegou a ser estudado e aprovado, mas a emissora considerou o acesso às locações complicado e a trama foi engavetada.

O canal chegou a sugerir que as externas fossem realizadas na zona rural do Rio de Janeiro, mas o autor insistiu para que as gravações ocorressem no Pantanal e a ideia foi descartada. Em entrevista recente ao NaTelinha, Paula Barbosa, atriz e neta do escritor, contou que na época havia essa barreira porque as novelas só eram gravadas no Rio e em São Paulo e a Globo não sabia como levar os atores para o Mato Grosso do Sul.

Vendo que, se dependesse da emissora dos Marinho, a obra não seria produzida, Benedito Ruy Barbosa apresentou o projeto à Manchete e foi um sucesso em 1990, marcando a teledramaturgia brasileira e se tornando um divisor de águas na carreira do autor. Porém, vender o projeto foi apenas o primeiro desafio do novelista.

O que hoje seria facilmente resolvido com um e-mail, na época demandou uma força-tarefa. Longe dos estúdios da extinta rede de televisão, os atores e a equipe de produção do folhetim recebiam as cópias dos textos da trama por meio de voos diários. Um smartphone também fez falta para que os profissionais envolvidos nas externas falassem com os produtores de base, locados no Rio e em São Paulo. A comunicação era feita com rádios amadores, já que muitas locações eram em lugares interioranos e as chamadas telefônicas se tornavam inviáveis.

O elenco também precisou se adaptar ao ambiente e aos "companheiros" de set. Em participação no Domingo Show, da Record, em 2019, Cristiana Oliveira, que deu vida à protagonista Juma, detalhou um episódio em que Sérgio Reis a salvou de um possível ataque. "Eu lembro que eu estava sentada em uma madeira, com as pernas atravessadas, e estava limpando um peixe para poder fazer a cena. E o Marcos Winter, que fazia o Jove, tava andando assim, com a água do joelho. E eu estava lá, amarradona, e daqui a pouco eu só escuto o Serjão gritando, do outro lado 'Juma, cuidado'. Quando eu olhei, assim, a cabecinha do jacaré."

Remake de Pantanal ganhou status de superprodução na Globo

Fora das câmeras da Manchete, Pantanal driblou empecilhos e quase não foi ao ar
Irandhir Santos e Renato Góes estão no elenco do remake de Pantanal - João Miguel Júnior/TV Globo

Se 30 anos atrás Pantanal teve que lidar com diversas dificuldades e mesmo assim superou todas as expectativas, o remake que estreia no próximo dia 28 pode ser alvo de apostas ainda maiores. A adaptação de Bruno Luperi será a prima rica da dramaturgia da Globo, que não está medindo esforços para que a trama decole e fez um alto investimento na novela.

Para contemplar todo o material de produção, produção de arte, cenografia, figurino, caracterização e tecnologia, foram necessários 12 caminhões, que suportam aproximadamente 12 toneladas cada um, o que resultou em mais de 140 toneladas de material sendo transportadas para o interior do Mato Grosso do Sul.

A emissora carioca iniciou a produção da trama das nove em agosto do ano passado, na região conhecida como Nhecolândia. Durante cinco meses, mais de 150 pessoas estiveram diretamente envolvidas nas gravações no local, que fica a cerca de quatro horas da cidade mais próxima, Aquidauana, que tem cerca de 50 mil habitantes. Seis fazendas deram suporte diretamente à produção, seja para hospedagem, para gravação ou almoxarifado.

Segundo apurou o NaTelinha quando as gravações começaram, o orçamento de Pantanal é bem superior ao aprovado para produções da faixa horária, que historicamente já é a mais cara entre os três principais horários de novelas. No novo folhetim, a previsão de investimentos é na ordem de pelo menos 20% superior ao que se costuma gastar em produções contemporâneas do horário das 21h.

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