Antenado

Fim do "Vídeo Show" é fato marcante, mas já era previsível e não fará falta

Globo anunciou o fim do "Vídeo Show" nesta terça-feira (08), após quase 36 anos no ar

Sophia Abrahão e Joaquim Lopes ficarão marcados como os últimos a apagarem a luz do "Vídeo Show"
Por Gabriel Vaquer

Publicado em 08/01/2019 às 17:33:33

Não dá para não se chocar com o fim do "Vídeo Show", tradicional programa de bastidores da Globo que acaba na próxima sexta-feira (11) após quase de 36 anos no ar.

É fato - na última década, a emissora teve uma grande paciência com o formato. Já perdemos a conta de quantas formações, formatos e diretores o programa já teve.

A crise do "Vídeo Show" começou a aparecer, em termos de Ibope, com a chegada de Zeca Camargo em 2013. Virou algo histérico, estranho, meio falso. Mas ganhou vida em 2015 por causa da ousadia de colocar uma dupla bem-humorada.

Monica Iozzi e Otaviano Costa conseguiram imprimir humor e uma certa ousadia na atração. Mas a ex-"CQC" saiu e nunca conseguiram achar que pudesse manter a mesma pegada.

E se não havia na emissora um certo bom humor, uma leveza, o público procurou no concorrente. Você pode não gostar das fofocas dadas, mas "A Hora da Venenosa", do "Balanço Geral SP", tem isso de sobra.

No momento, os telespectadores queriam descontração. A Globo não estava conseguindo e nem se esforçava para fazer isso, afinal, as escolhas do "Vídeo Show" eram extremamente questionáveis.

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Não dá para entender, por exemplo, porque Sophia Abrahão ficou praticamente dois anos na apresentação, mesmo sem evoluir em naturalidade.

Mas o grande problema, de fato, era o seu conteúdo. O "Vídeo Show" virou um programa, nos últimos tempos, de matérias fúteis, conteúdos vazios e apresentadores sem muito o que acrescentar ao que ele propunha.

Na década de 90 e início de 2000, quando se popularizou, o programa misturava um pouco de bastidores com a valorização da história da televisão brasileira. Isso, atualmente, se perdeu de uma forma inacreditável, com exceção de um quadro, o "Memória Nacional".

Hoje, o "Vídeo Show" exibia apenas matérias sobre os bastidores da própria Globo, que já não tem mais interesse do público em geral, e fofocas. O quadro de Mônica Salgueiro, o "Selfie da Verdade", era o auge disso. Vazio e desconexo com a proposta da atração.

Acabar com uma atração de 36 anos choca? Claro. Guardadas as devidas proporções, é como se a Globo finalizasse o "Fantástico" hoje. "Vídeo Show" é uma marca, um case de sucesso. Mas já estava datado, ultrapassado.

Com todo o respeito à história do "Vídeo Show", o seu fim era previsível. E não dá para dizer que fará falta. Não fará.

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