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Amor de Mãe aposta em clichês e assassinatos na reta final

Novela parece que só tem morte e clichê

Amor de Mãe aposta em clichês e assassinatos na reta final
Na novela Amor de Mãe, Thelma virou uma espécie de Soraya Montenegro - Foto: Reprodução/Globoplay

Daniel César

Publicado em 21/03/2021 às 08:11:50

A reta final de Amor de Mãe voltou não tem nem uma semana e, se os personagens da trama fossem reais, poderiam acusar Manuela Dias, autora da obra, de genocídio, para usar a palavra da moda. Evidentemente se trata de uma piada por conta da quantidade de mortes que o folhetim das 21h apresentou em tão pouco tempo no ar com capítulos inéditos. Mas mais do que mortes, a história protagonizada por Regina Casé, Taís Araújo e Adriana Esteves teve de sobra clichês.

Para o grande público entrevistas de autores não servem de parâmetro ao assistir uma novela, isso é mais para os críticos, como este que vos escreve, que passa horas sentado escrevendo em busca de defeitos. Mas em Amor de Mãe os defeitos se acumulam que nem é preciso procurá-los. O parágrafo começou falando de entrevistas justamente porque Manuela Dias deu diversas declarações no lançamento da novela, no distante ano de 2019 num outro mundo que já não existe mais, e falou por mais de uma vez que o telespectador não veria clichês em sua novela.

Talvez a sutileza da piada por conta de um formato já tão reutilizável não funcionou e ninguém entendeu nada porque, o que se vê desde o primeiro capítulo é uma sucessão de folhetins. Quem bem lembra quando a novela foi interrompida, este crítico já não esperava grandes coisas, tanto que fez uma sugestão brilhante, modéstia à parte, mas que acabou não sendo atendida pela Globo. Mesmo para quem tinha expectativas baixas, a volta de Amor de Mãe surpreendeu no quesito quantidade de clichês. Nem Gloria Magadan e Walcyr Carrasco juntos seriam capazes de tanto.

É bem verdade que um bom folhetim precisa lançar mão do clichê porque ele está estabelecido no gene da telenovela brasileira. Mas quando só resta este recurso, a trama fica previsível e sem nenhum apelo, é o que acontece com a atual novela das 21h, que apelou para o recurso mais velho da história da TV, a vilã assassina, que conversa sozinha e parece querer matar todo mundo a seu bel prazer. Ao menos, neste caso, há uma vantagem: as sequências em que Adriana Esteves brilha tanto quanto a luz do sol e mostra que é uma das melhores atrizes de sua geração.

Mas Thelma não pode ser uma personagem icônica porque simplesmente não faz sentido. E Manuela Dias perdeu a mão da personagem, que já tinha problemas de estrutura, nesta reta final ao tirá-la do escopo de mãe que faz qualquer coisa para seu filho e levá-la para o lado de Soraya Montenegro em Maria do Bairro. Há de se lembrar também que a vilã é meio desastrada, afinal, criar um plano infalível no melhor estilo Projota do BBB21 e que, horas depois, é descoberto até o local de onde ela mandou o e-mail, não dá para ser considerada a gênia do crime, não é?

Amor de Mãe e o mar de sangue

Recentemente a Record ficou famosa pelo dilúvio exibido na novela Gênesis, mas a quantidade de água chamou menos a atenção que o mar de sangue distribuído por Manuela Dias em Amor de Mãe. São tantas mortes exibidas de todas as formas possíveis, que variam de assassinato dentro de carro, atropelamento e chegando até a tiro na cara, que dá inveja ao episódio mais bombante do Cidade Alerta.

Morte por si só na dramaturgia não é exatamente um problema, basta lembrar que grandes filmes, como O Poderoso Chefão e Bons Companheiros, mata tanta gente que parece até treinamento de guerra. O ponto é que Amor de Mãe oferece uma história naturalista e de cotidiano, o que contrasta completamente com esse tanto de crime. Para e pensa: Lurdes é de uma família normal, que poderia ser sua vizinha. Thelma também e Vitória ainda mais. Quantos assassinatos por semana você presencia entre seus vizinhos? Pois é aí que mora o problema. Amor de Mãe não é uma trama policial que justificaria tantas mortes.

O coronavírus em Amor de Mãe

 

Embora criticado, é preciso aplaudir a escolha da autora e da direção ao apresentar o coronavírus na novela. Na maior parte do tempo, Manuela Dias ofereceu a seus personagens um texto leve, cotidiano, sobre a doença e fugiu do didatismo ao máximo, o que ajudou a aceitar como novo normal. O ponto baixo, mas importante, foi o uso das máscaras porque atrapalhava na compreensão do texto, principalmente quando Danilo (Chay Suede) falava.

O plot de Betina (Ísis Valverde) também chama a atenção pelo clichê - dessa vez bem bolado - da enfermeira que ficou rica e sente um chamado à profissão num momento em que se necessita tanto de profissionais da saúde. Fica um protesto: ela deveria morrer porque daria um choque para os telespectadores e, talvez, ajudasse mais na conscientização.


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