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Globo devia aproveitar pandemia e fingir que Amor de Mãe nunca existiu

Volta da novela nos faz querer assistir Fina Estampa de novo

 Globo devia aproveitar pandemia e fingir que Amor de Mãe nunca existiu
Amor de Mãe não deveria voltar - Foto: Divulgação

Daniel César

Publicado em 06/09/2020 às 08:18:50,

As primeiras notícias sobre a volta de Amor de Mãe deveriam fazer o brasileiro refletir se devemos ou não inventar alguma desculpa para continuar a quarentena depois que a pandemia acabar. Talvez fosse o caso de um panelaço exigindo a reprise de Amor à Vida ou quem sabe uma corrente no zap espalhando a notícia de que Manuela Dias não passa de uma infiltrada do regime chinês.

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Todo dia sai uma notinha com um spoiler diferente do outro mostrando que Amor de Mãe é um surto coletivo pré-pandemia e deveria ser ignorada após a noite das queimadas, quando todos iremos queimar nossas máscaras nunca ritual comemorativo pela vacina. A recente entrevista da autora para a Época somente mostra que teremos fortes emoções no início de 2021.

A intelectual autora chegou a revelar na famigerada entrevista que está lendo Édipo para compôr a cena de reencontro entre Lurdes (Regina Casé) e o verdadeiro Domênico (Chay Suede). A saga de Lurdes em busca de Domênico deveria ser abreviada com uma solução simples. O filho perdido não precisava ser Chay Suede, mas Eduardo Melo num brilhante trabalho em A Favorita. Bastava Regina Casé gravar um episódio especial do Esquenta com a participação de Catarina, a sôfrega personagem vivida por Lília Cabral, promovendo um encontro ao som de Zeca Pagodinho numa versão mambembe de Onde Estará meu Amor?

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Mesmo com uma quantidade menor de capítulos - em torno de 25 - a segunda temporada de Amor de Mãe já nasce mais ou menos como a última de Os 13 Porquês, cheia de situações que não fazem o menor sentido. Vai ter história de amor nascendo no meio de uma internação por coronavírus, mortes, enfermeira na UTI por causa da Covid-19, mais mortes. É tanto sofrimento que a gente até fica com vontade de rever Fina Estampa desde o começo outra vez.

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No universo paralelo criado pela trupe de Silvio de Abreu, a renovação da novela com um número menor de capítulos é um recado de que o folhetim deu errado, mas precisava terminar a história. Mantendo um paralelo com o mundo das séries, podemos de dizer que O Poderoso Chefão da dramaturgia global tratou Amor de Mãe feito a Netflix agiu com Anne With an E.

Se a primeira temporada de Amor de Mãe foi uma das responsáveis a tirar a Terra dos eixos e provocar uma pandemia, a segunda parece ser capaz de fazer os brasileiros implorarem por trocarem de lugar com Betina, personagem da intrépida Ísis Valverde e que, após passar quatro meses sem gravar, só voltou para ficar entubada em uma UTI por se contaminar com o coronavírus numa decisão que nos faz pensar se Grazi Massafera não é colaboradora de Manuela Dias.

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Como a Globo ainda não definiu a data de volta para a segunda temporada de Onde Está Domênico, ainda é tempo dos brasileiros de bem deste país conclamarem para que a emissora aproveite a pandemia e finja que esta novela foi apenas um surto coletivo e que, na verdade, ela nunca existiu. Com a volta de Bibi Perigosa, bem que a emissora podia estrear a nova novela de João Emanuel Carneiro e, quem sabe assim, ele também já corrigia o erro de Segundo Sol.

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