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Retrospectiva NT

Discussões, agressões e assalto: Os apuros dos repórteres ao vivo na TV em 2020

Repórteres foram as maiores vítimas de ataques no ano

Foto montagem de jornalistas agredidos em 2020
Repórteres agredidos em 2020 - Foto: Montagem
Redação NT

Publicado em 18/12/2020 às 05:49:00

Com o aumento da tensão entre o presidente Jair Bolsonaro e os veículos de comunicação, muitos repórteres foram atacados em entradas ao vivo durante 2020. Os profissionais da Globo acabaram sendo as principais vítimas, inclusive com agressões. Mas jornalistas da Band, Record, CNN Brasil e SBT também não escaparam da violência e viveram situações constrangedoras ao longo do ano.

O caso mais recente ocorreu no RJ1 na última quinta-feira (17). A apresentadora Mônica Teixeira chamou o repórter Paulo Henrique Cardoso para falar sobre o fechamento de Búzios para turistas em razão da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), quando um homem não identificado invadiu o link na rua e gritou: "Rede Globo lixo, vocês fazem parte desse sistema".

Após o ocorrido, a produção agiu rápido e Mônica interrompeu o repórter. "Infelizmente, a gente teve que interromper a transmissão no final", lamentou ela. Por conta disso, o NaTelinha fez uma retrospectiva com outros episódios que os jornalistas foram atacados.

Confira:

Globo Lixo no SP1

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Em setembro, durante o SP1, telejornal local da Globo, o repórter Guilherme Pimentel foi atrapalhado ao vivo por dois rapazes aos gritos de "Globo lixo", bordão de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Enquanto estava no ar para informar sobre a alta do preço do arroz, o jornalista quase teve seu trabalho interrompido pelos homens, que estavam mais interessados em aparecer do que em protestar.

Guilherme Pimentel chegou a se assustar de forma leve, porém continuou a transmitir a informação no telejornal apresentado por César Tralli. O âncora da atração também demonstrou incômodo com o episódio, mas não fez nenhum comentário.

Agressão em posto de saúde

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Em novembro, a equipe da TV Integração, afiliada da Globo em Uberlândia, Minas Gerais, foi agredida em frente a um pronto-socorro de Prata. O cinegrafista Stanley Matias gravou toda a confusão e a emissora exibiu no MG1 Regional. Em nota, o canal lamentou o ocorrido através de sua direção de jornalismo.

“A equipe estava na frente do Pronto Atendimento de Saúde Municipal, o PAM, ouvindo moradores sobre as condições físicas do prédio. A reportagem faz parte da nossa cobertura eleitoral. Um homem, que se identificou como médico com o nome Jaquenes Melo, foi tomar satisfação com a equipe e, enquanto o nosso colega conversava com ele, ele avançou sobre o repórter, tentou tomar o microfone e o celular da equipe. Outro homem não identificado que estava ao redor agarrou nosso colega”, relatou a apresentadora Vanessa Carlos.

O cinegrafista Stanley Matias posicionou a câmera em um espaço afastado da confusão e foi separar a briga. Em seguida, o autor não identificado pelo telejornal saiu do meio das agressões, jogou um celular no chão e fugiu. O prefeito Anuar Arantes Amuy informou a reportagem do MG1 que todos os envolvidos já estão identificados.

Agressão na praia

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No mês passado, a repórter Bárbara Barbosa, da NSC TV, afiliada da Globo em Santa Catarina, foi agredida enquanto fazia uma reportagem.  A jornalista mostrava a praia do Campeche, em Florianópolis, quando foi cercada por um grupo de banhistas e sofreu o ataque. A profissional vai Bárbara registrar um boletim de ocorrência.

A capital de Santa Catarina tinha um decreto que não permitia a permanência das pessoas na faixa de areia. A equipe do jornal local foi apresentar como estava ocorrendo as fiscalizações nas praias e, um grupo que desrespeitava as regras impostas pela prefeitura, decidiu atacar a jornalista.

Uma banhista chegou a pegar o celular da repórter e houve muito bate-boca na areia. Um posto de salva-vidas estava bem perto do atrito. Depois do tumulto, Bárbara recuperou seu celular, exibiu arranhões no corpo e a Polícia Militar acabou sendo acionada para acompanhar o caso.

Repórter salva homem

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Em julho, o repórter da Globo Rio, Rogério Coutinho, viveu fortes emoções enquanto aguardava para entrar ao vivo no RJ TV. Um funcionário da prefeitura do Rio de Janeiro estava trabalhando no Cais do Valongo, drenando um alagamento no local, quando foi eletrocutado. Ao ver a cena, Rogério correu e entrou na água para ajudar o homem. O funcionário foi retirado e atendido por equipe médica assim que a ambulância chegou.

Rogério detalhou o exato momento em que o homem sofreu acidente. "Nossa câmera estava virada para o outro lado, mas eu vi o momento que ele gritou. Ele ficou submerso, um funcionário da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbano) retirou aquele equipamento do fundo, foi essa bomba que deu curto. Eu vi ela soltando faísca. Eu entrei na água e o funcionário da Comlurb também entrou. Tô aqui molhado, a gente conseguiu tirar ele da água, depois de 40 segundos mais ou menos que ele ficou submerso", disse o rapaz a Mariana Gross, âncora do noticiário, durante sua passagem.

Julie Alves

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Em setembro, a repórter Julie Alves foi agredida em uma unidade de saúde em Japeri, região metropolitana do Rio de Janeiro. A jornalista, que gravava material para o programa Fala Baixada, da CNT, e seu cinegrafista precisaram ser medicados após serem impedidos de trabalhar por um funcionário público.

Nas imagens, Julie Alves recolhe o microfone no chão enquanto um homem se aproxima do câmera, chamado Vangelis. A repórter aponta para o agressor e pede para o colega registrá-lo com seu equipamento. Outro rapaz aparece tentando conter o agente municipal.

A jornalista contou ao NaTelinha na época que o microfone foi parar no chão por um golpe desferido pelo homem: "Ele partiu para cima de mim. Deu um tapa na minha mão, pensei que ele fosse dar na minha cara, e o microfone caiu. Eu me abaixei para pegá-lo e ele avançou no cinegrafista".

Agressão em Minas

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Em maio, uma equipe da TV Integração, afiliada da Globo em Minas Gerais, foi agredida durante a gravação de uma reportagem em Barbacena. Em vídeo publicado nas redes sociais, um homem atinge o cinegrafista com o tripé da câmera e chuta o equipamento.

A repórter Thaís Fullin e o cinegrafista Robson Panzera cobriam um surto de coronavírus na Escola Preparatória de Cadetes do Ar. O agressor se aproximou dos jornalistas e os xingou. Em seguida, tomou a câmera do jornalista, que tentou recuperar o material, mas foi agredido.

Em seguida, o homem tentou fugir de carro, porém foi preso e levado à delegacia para prestar depoimento. O agressor foi identificado como Leonardo Rivelli, de 54 anos, dono de uma fábrica de massas na cidade. O repórter cinematográfico teve uma lesão no dedo e um corte na mão. Ele foi hospitalizado na Santa Casa de Misericórdia de Barbacena e liberado à tarde.

"Bolsonaro tem razão"

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Em abril,  quem acompanhava a primeira edição do SPTV acabou se deparando com um verdadeiro climão, e tudo isso após uma mulher decidir invadir uma transmissão ao vivo e soltando xingamento contra a Globo.

Tudo aconteceu quando o repórter Renato Peters entrou em um link, quando uma senhora acabou arrancando o microfone da mão dele e disparou: "Globo é um lixo! O Bolsonaro tem razão!". Após o acontecido, tudo voltou ao estúdio, onde César Tralli se mostrou bastante incomodado com o acontecido, e aproveitou para pedir desculpas ao público.

“Peço desculpas aí para você que viu o Renato Peters estava ao vivo fazendo uma explicação importante que uma família que passa apuros aqui em São Paulo. A gente sempre está trazendo assuntos de interesse. Então peço desculpas, por conta do ocorrido”. comentou.

Detonou o Bolsonaro

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Em abril, durante a exibição ao vivo do Primeiro Impacto, a repórter Amanda Campos teve seu link invadido por um homem contrário ao governo do presidente Jair Bolsonaro. A jornalista estava na frente de uma estação de metrô em São Paulo quando o rapaz apareceu usando máscara e com um jornal erguido com a mão. A câmera tentou retirá-lo de cena, mas ele insistiu em continuar na tela e disparou repetidamente: “Fora, Bolsonaro!”.

Apresentadora do programa, Márcia Dantas interrompeu o link e a direção retornou o sinal para o estúdio. “Amanda, pelo amor de Deus! Atrapalhando o trabalho da repórter, tenha respeito pelo nosso trabalho, pelo trabalho da imprensa. A gente tá se arriscando aqui, arriscando nossa vida pra levar informação”, afirmou.

“Chega um cidadão querendo furar ali o trabalho da Amanda. Amandinha, você consegue continuar falando ou o cidadão continua por aí?”, questionou a comunicadora. “Desculpa, Márcia. Tem bastante gente mal-educada atrapalhando o trabalho dos jornalistas nas ruas”, explicou a repórter.

O homem, que tinha saído, retornou com o jornal e ficou ainda mais perto da jornalista. “Amanda, se protege. Se ele te agredir de alguma forma, você chama a polícia. Fica protegida, a gente volta já com a Amanda Campos. Que situação lamentável, não é só no SBT. Várias emissoras estão passando pela mesma situação na rua, tem imagens viralizando na internet. É difícil. A gente trabalhando pra te levar informação e aí não dá! Isso aí eu não concordo”, detonou Márcia.

Ameaça ao vivo

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No mês passado, o repórter Marcelo Bittencourt passou por um episódio tenso durante o Primeiro Impacto. O jornalista do SBT exibia ao vivo um acidente entre a cidade São Paulo e Guarulhos no final de uma madrugada, quando um homem exigiu que a câmera não o filmasse, se apresentou como "criminoso" e ameaçou a equipe de reportagem do canal. Após o susto, Bittencourt explicou o ocorrido nas redes sociais.

“Vamos parar de filmar nós aí”, afirmou o rapaz que não queria ser filmado. “Parceiro, cadê a responsabilidade? Você tá no seu trabalho, mas nós somos criminosos. Nós somos criminosos, entendeu parceiro? Dá licença aí, vira essa câmera pra lá. Você pode virar? Vira aí então”, ameaçou.

O jornalista se defendeu e explicou que a câmera estava virada. O bate-boca durou cerca de um minuto e Marcelo continuou o seu trabalho em seguida. “É lógico que o rapaz não quer ser filmado. O que a gente chama aqui é a polícia para fazer a sinalização pra que não ocorra nenhum outro acidente”, detalhou.

Meio constrangido e assustado com o episódio, Bittencourt se desculpou com Dudu Camargo, apresentador da primeira parte do Primeiro Impacto. “A gente pede até desculpa, Dudu Camargo, porque a gente tem que tomar conta da situação. O carro que vinha em alta velocidade acabou perdendo o controle. É possível já ver sinais de embriaguez no rapaz que conduzia o carro”, concluiu.

Briga de concorrentes

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Um verdadeiro climão aconteceu em fevereiro entre uma repórter da afiliada do SBT com a da Globo em Goiás. Durante um link das duas emissoras, Rozainne Ferraz, profissional vinculada à emissora de Silvio Santos, invadiu a reportagem da colega e tentou roubar a entrevistada para falar com ela.

“Uma situação tão chocante. A filha está aqui, a mãe dela também está aqui ao lado, vamos ouvir um pouco dela falando sobre esse sentimento de revolta, né?”, comentou a repórter enquanto deixava sua entrevistada para falar com a outra, que estava conversando com a jornalista da afiliada da Globo.

A repórter global, Patrícia Bringel, não gostou da situação e interrompeu a entrevista. “Por favor, eu estou falando com a tia agora”, e ignorou a presença da funcionária do SBT, que tentou disfarçar: "Vamos ouvir agora, porque a família, na verdade, está recebendo toda a imprensa numa coletiva”, explicou tentando colocar o microfone na boca da mulher que falava com a Globo.

Novamente, a colega parou a conversa para explicar. “Essa não é a mãe, essa é a tia. Nós tratamos que falaria com ela”, pediu a repórter da Globo, quando finalmente a concorrente decidiu se afastar: "Ok".

Repórter da Band agredida

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Em maio, a repórter Clarissa Oliveira foi agredida ao cobrir uma manifestação favorável ao presidente da República Jair Bolsonaro em Brasília. A jornalista da Band narrou como foi o momento em que uma apoiadora do atual governo a acertou com o mastro de uma bandeira do Brasil na cabeça. Em nota, a emissora lamentou o ocorrido e informou que abriu um boletim de ocorrência da agressão: "Ato inaceitável de selvageria".

Ela explicou que uma pessoa que participava das manifestações resolveu atacá-la após proferir ofensas contra os jornalistas que trabalhavam na cobertura do ato pró-Bolsonaro. Clarissa detalhou que a mulher chegou a pedir desculpas, mas de forma irônica, contudo, ressaltou que outros manifestantes quiseram saber como ela estava e mostrou solidariedade.

Assalto

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Em junho, a repórter Bruna Macedo, da CNN Brasil, foi assaltada enquanto estava em link com o programa CNN Sábado, apresentado por Rafael Colombo. Um homem abordou a profissional durante a cobertura das chuvas na cidade de São Paulo. Posteriormente, Colombo informou o público que se tratou de um roubo e que ele portava uma faca. Dois celulares foram roubados.

Colombo explicou que Bruna estava entrando no ar e na imagem do meio, que era vista sendo abordada por um rapaz. Macedo estava entrando diretamente da Zona Norte da capital paulista, da região da Ponte das Bandeiras, mostrando o rio Tietê que estava com o nível elevado por conta das chuvas durante a madrugada.

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