Daniel César
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Desenvolvimento

Atuação da Semana: Como Sophie Charlotte cresceu em uma década na Globo

Atriz teve um início discreto e sua presença em Fina Estampa é a prova disso

Sophie Charlotte em cena de Fina Estampa
Sophie Charlotte cresceu em seus anos como atriz - Foto: Divulgação
Daniel César

Publicado em 12/04/2020 às 15:00:17

Quando surgiu na TV em Malhação, entre 2007 e 2009, muita gente apostava que Sophie Charlotte seria um rostinho bonito que logo sumiria dos grandes papéis na dramaturgia do Brasil. Sua composição mexicanizada da protagonista, que está no ar novamente no Viva, dava a sensação que ela não seria postulante de grandes papéis. Ela conseguiu ao ganhar Amália, de Fina Estampa, mas novamente recebeu críticas por conta do tom choroso da personagem.

Assim como aconteceu com Caio Castro, Sophie aproveitou a oportunidade em Malhação para mostrar potencial dramático e quem assiste diariamente a novelinha teen no canal a cabo percebe que ela sempre teve expressividade. Seu problema era o oposto de colegas em início de carreira, pois em muitos momentos passava do ponto. 

Em Fina Estampa, a atriz novamente lançou mão do rio de lágrimas para sustentar sua atuação e Amália foi uma mocinha que incomodou parcela do público e da crítica porque Sophie a conduziu sempre com letras fortes demais para as situações vividas, o que chegou a atrapalhar a credibilidade do desenvolvimento da história. Mas, outra vez, a força de suas expressões davam sinais de que havia uma artista ali e que precisava apenas ser moldada por uma direção que enxergasse esses talentos.

Sophie Charlotte cresceu 

Foi o que aconteceu em Sangue Bom (2013). Na trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, com direção de Denise Saraceni, ela deu vida a anti-heroína Amora Campana e conduziu uma personagem forte, complexa e cheia de antíteses sem cair na idiossincrasia a que antes expunha o público. Com Amora, Shopie Charlotte dosou as emoções e acertou ao elevar a ebulição das expressões apenas em momentos importantes.

De lá para cá, a atriz vem escolhendo seus personagens a dedo e sempre quando se sente desafiada, como foi em Babilônia, quando viveu a desconstrução de uma menina em crise familiar, para a mocinha sofredora da história de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga.

Seu mais recente trabalho possivelmente não foi visto pela maioria das pessoas, Ilha de Ferro, produção em que ela aparece na  primeira temporada, é também muito desafiador. Uma mulher liberal, quase libertina e, principalmente visceral. Sophie subiu o tom até quase o limite da credibilidade e foi o grande destaque da produção exclusiva do Globoplay.

Agora, a atriz poderá ser vista, embora sem data definida, em Anjo de Hamburgo. Na primeira produção do streaming da Globo todo falado em inglês e que terá distribuição para o mercado internacional, ela dá vida a Aracy de Carvalho, esposa de Guimarães Rosa e que ajudou centenas de judeus a entrarem clandestinamente no Brasil no período da Segunda Guerra Mundial. As filmagens da série, que tem direção de Jayme Monjardim foram interrompidas por conta da pandemia do novo coronavírus.

Atuação da Semana: Como Sophie Charlotte cresceu em uma década na GloboPor conta deste desenvolvimento raro de se ver nos tempos atuais, em que boa parte dos atores e atrizes ficam presos a um modelo de interpretação, mesmo sem trabalhos inéditos neste momento, mas com os olhos voltados ao potencial em Fina Estampa, Sophie Charlotte é a atuação da semana.

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