Crítica

La Casa de Papel ignora a coerência para ganhar o público com cenas chocantes

Quarta temporada mostra desgaste de uma história que já acabou

La Casa de Papel ignora a coerência para ganhar o público com cenas chocantes
La Casa de Papel mantém a incoerência conhecida ao apostar em cenas chocantes - Foto: Divulgação

Publicado em 03/04/2020 às 05:15:22

Por: Daniel César

A parte quatro de La Casa de Papel está disponível para todos os assinantes da Netflix desde o início da manhã desta sexta-feira (03) e a produção não foge de seu maior DNA: abrir mão da coerência para ganhar a atenção do público com cenas chocantes, ainda que mostre o perigo de insistir numa história que já deveria ter sido cancelada.

Quem acompanha o universo de séries sabe que La Casa de Papel foi prevista para ser uma minissérie na TV espanhola e que a Netflix transformou o projeto em duas temporadas. Com o sucesso mundial, a própria plataforma de streaming decidiu oferecer ao público mais episódios e abriu mão do fechamento da história para criar relações interpessoais sem coerência narrativa, apenas para manter uma audiência sedenta.

La Casa de Papel nunca foi exatamente uma obra prima e nem mesmo a estatueta do Emmy Internacional pode mudar o fato de que a incoerência era a principal vocação da proposta. Na quarta temporada, muito mais que sequências que fogem da lógica narrativa, que continuam acontecendo apenas para chocar – a tentativa frustrada em imitar um casamento vermelho de Game of Thrones é só um exemplo –, o maior problema é fingir que existe uma história que acabou.

Desde que houve o encerramento do assalto, La Casa de Papel virou uma espécie de epílogo infinito de uma série que se recusa a ser encerrada apenas para satisfazer os fãs. Embora a grande paixão dos telespectadores sempre foi os personagens em detrimento do roteiro, quando o objetivo criado para unir os personagens foi cumprido, a proposta chegou ao fim.

Mesmo que as perseguições estejam lá. Ainda que o roteiro tenha encontrado recursos para envolver a polícia, o risco de morte, prisões e tensões, é óbvio que não é esta a história. Com o objetivo cumprido, acompanhar os personagens serve apenas de vaidade para quem está apegado a eles.

La Casa de Papel sabe que tem uma legião de fãs. Ela sabe também que esta base foi construída num universo em que o público aceita tudo. A série nunca precisou ter coerência, bastava ter cenas chocantes para todo mundo aplaudir. No entanto, se a produção latina pode aprender algo após tantos episódios em que a incoerência é irmã gêmea das sequências fortes, deveria se escorar em sucessos que vieram antes dela e que terminaram de modo deprimente. É melhor parar por aí antes que lhe falte público.


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