Modorrenta

"Bom Sucesso" erra com primeiro capítulo e parece ensaio fotográfico de paisagem

Autores optam por apresentação e capítulo só tem duas cenas importantes

Alberto (Antônio Fagundes) e Paloma (Grazi Massafera) se conhecem em "Bom Sucesso"

Publicado em 29/07/2019 às 20:52:14 ,
atualizado em 29/07/2019 às 22:00:05

Por: Daniel César

Estreou nesta segunda-feira (29) a nova novela das sete da Globo, "Bom Sucesso". A trama de Rosane Svartman e Paulo Halm exibiu o pontapé inicial da história de Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antônio Fagundes) e estreou, mas simplesmente não começou ao optar por um primeiro capítulo paisagístico em que somente duas cenas serviram, de fato, para costurar a história central.

Com escolha que lembrava os anos 80 e 90 em que o capítulo um tinha como função básica apenas apresentar personagens para que o telespectador ficasse familiarizado com todo o elenco que apareceria na TV ao longo dos meses seguintes, "Bom Sucesso" mostrou uma fotografia do que pretende ser a novela, mas de forma estática acabou não servindo de base para avaliar a premissa e, muito menos, para captar ou encantar na estreia.

O que se viu ao longo da primeira metade da estreia foi uma sequência de cenas repetitivas que mostrava a força de Paloma como mãe e mulher trabalhadora. A relação de cumplicidade entre mãe e filhos também foi mostrada à exaustão em uma sucessão de cenas que não faziam a história caminhar e tinha como única função gritar ao público. "A Paloma é boa mãe".

Na outra ponta a opção se manteve idêntica. Alberto foi visto em várias situações em que mostra seu poderio de empresário e seu mau humor para com os filhos e funcionários. Mas também, o telespectador não conseguiu entender a razão desse personagem aparecer constantemente em cena, visto que não havia ação alguma proposta a eles.

E é justamente ao final desse álbum mofado de fotografias que acontece a primeira cena que, de fato, costura a história. Na clínica para fazer um exame de sangue, Paloma acaba conhecendo Alberto numa situação pastelão e típica do horário das sete. 

Se a primeira parte da estreia decidiu fazer uma apresentação modorrenta dos personagens, a segunda optou por criar uma esquete melodramática que se mostrou um gancho falso. Ao usar o recurso dos "atrasados do ENEM", os autores jogaram para as redes sociais vibrarem, mas desperdiçaram minutos importantes de arte para mostrar as consequências de uma falsa gravidez que não serviu para nada. 

E depois de uma sucessão de cenas desnecessárias que tentavam, ora ser engraçadas, ora ser melodramáticas, o capítulo exibiu a segunda cena realmente necessária, quando Paloma descobre os resultados do seu exame de sangue.

Num capítulo que beirou os cinquenta minutos de arte, o primeiro capítulo teve apenas duas cenas que amarram a história e diversas sequências sem importância. Como a aliteração de leitura, em que os dois protagonistas se pegam lendo livros, com direito a mocinha se imaginar como Alice, da obra "Alice no País das Maravilhas", no melhor estilo "Sítio do Pica-Pau Amarelo".

Se o roteiro de "Bom Sucesso" se equivocou ao mostrar um capítulo fotográfico e ultrapassado e sem apresentar uma história forte, conectada entre os núcleos e com personagens tendo objetivos claros, o elenco foi um acerto. Grazi está ótima em cena (apesar de uma derrapada na cena final) e promete dominar a TV com suas cenas que caminham entre o melodrama e o pastelão constantemente.

Antônio Fagundes segue sendo um dos maiores de todos os tempos e demonstra estar muito à vontade no papel. Nesta estreia quem também merece atenção é Fabiula Nascimento, Rômulo Estrela e Armando Babaioff. 

Do ponto de vista da direção, "Bom Sucesso" também demonstrou firmeza e um ar de modernidade com colagem de cenas que fogem do didatismo e também com uma edição cortante que parece sempre deixar as sequências pela metade. É um estilo a se observar.

Ao final do primeiro capítulo, a nova novela das sete, no entanto, não disse a que veio e, por mais otimista que seja, é impossível saber se a novela será boa ou não, visto que a história simplesmente não começou. 


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