Opinião

Estrela da Casa acerta na segunda temporada, mas ainda precisa de ajustes

Reality musical da Globo foca em apresentações e amplia estrutura de palco, corrigindo falhas da primeira temporada


Cantor do Estrela da Casa em foto
Estrela da Casa vai bem na segunda temporada - Foto: Reprodução/Globo

Com duas semanas no ar, a segunda temporada de Estrela da Casa apresenta mudanças significativas em relação ao primeiro ano. O programa da Globo, que em 2024 havia concentrado sua narrativa no confinamento dos participantes, em 2025 reposicionou sua proposta para dar protagonismo à música. As dinâmicas atuais giram em torno das apresentações no palco, dos treinos realizados durante a semana e do processo de preparação dos competidores. Essa reconfiguração alterou o eixo da atração e buscou responder às críticas recebidas na estreia.

A produção também investiu na ampliação estrutural. O Festival, eixo central da competição, ganhou um palco maior e recursos técnicos que aproximam a estética do programa de um grande espetáculo televisivo. A decisão reposiciona o reality no mercado e estabelece uma diferenciação em relação a outros formatos do gênero.

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Outro ponto de mudança foi a seleção dos participantes. A primeira temporada sofreu com um elenco de artistas pouco preparados, com problemas recorrentes de afinação e dificuldades técnicas que comprometeram as performances. Neste ano, a triagem buscou candidatos com maior domínio vocal. A diferença é perceptível na comparação entre temporadas: se em 2024 a maior parte das apresentações foi marcada por limitações técnicas, em 2025 a competição reúne perfis mais consistentes, em linha com o histórico de programas de calouros da televisão aberta. Entre os competidores está Hanii, revelado em quadros musicais de Raul Gil, que simboliza esse novo direcionamento.

Apesar dos avanços, o formato ainda apresenta fragilidades. O processo de eliminação é uma delas. Hoje, as saídas ocorrem no mesmo dia das apresentações, o que reduz o tempo de avaliação do público e limita a participação da audiência no processo. Como o reality é exibido diariamente, um calendário alternativo poderia distribuir as etapas de forma mais eficiente, reservando um dia para as performances e outro para os resultados, com espaço adequado para votação.

A ausência de um júri fixo também afeta a clareza do programa. Atualmente, as avaliações são feitas por convidados rotativos, o que impede a construção de parâmetros consistentes ao longo da competição. Um modelo híbrido, com jurados permanentes e participações pontuais de convidados, poderia garantir maior estabilidade no processo de julgamento e oferecer ao público critérios mais transparentes para avaliar os concorrentes.

As mudanças implementadas já apontam para uma evolução do formato em comparação ao primeiro ano, mas o desenho da atração ainda demanda ajustes. O foco na música, a ampliação estrutural e a escolha de candidatos tecnicamente mais preparados recolocaram o reality em um patamar mais próximo do esperado para o gênero. Entretanto, o desenho das eliminações e a definição do corpo de jurados permanecem como pontos a serem revisados caso a Globo opte por uma terceira temporada. A condução de Ana Clara, que se consolida como nome em ascensão na emissora, acrescenta outro elemento de relevância ao futuro do programa.

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