Grande composição

Atuação da Semana: Taís Araújo é visceral e rouba a cena em Amor de Mãe

Atriz teve a chance de brilhar numa trama rocambolesca

Atuação da Semana: Taís Araújo é visceral e rouba a cena em Amor de Mãe
Em Amor de Mãe, Taís Araújo se destaca por seu trabalho como Vitória. Foto: Divulgação

Publicado em 29/12/2019 às 06:49:19 ,
atualizado em 29/12/2019 às 08:47:07

Por: Daniel César

Nem todo ator ou atriz sabe compôr um personagem dentro de uma história rocambolesca. O peso nas tintas do dramalhão mais atrapalha que ajuda quem é obrigado a interpretar personagens neste contexto, é preciso delicadeza e cuidado para o resultado final não soar absurdo na tela. É o caso de Amor de Mãe com a revelação do passado de Vitória. Embora a situação não tenha justificativa e não faça sentido dramatúrgico, Taís Araújo achou um jeito de brilhar nas sequências.

A semana já seria da consagrada atriz por conta de sua composição visceral na sequência de seu parto feito no meio da rua por Sandro (Humberto Carrão) em cenas fortes que foram ao ar próximo ao Natal. Ainda que a coincidência do filho biológico que ela não sabe fazer o parto da mãe, a atriz emocionou numa sequência que poderia soar piegas, mas foi tocante graças ao talento dela e também de seu parceiro Carrão.

O que pouca gente imaginava é que ela ainda teria chances maiores de brilhar. No capítulo da última sexta-feira (27) se iniciou a exposição do passado de Vitória e o público descobriu que ela abandonou um filho quando era muito jovem. Toda a sequência em que ela revelou o segredo foi muito bem trabalhada.

Se a direção é o destaque positivo de Amor de Mãe, o posicionamento de câmera ajudou Taís Araújo a construir cenas cativantes e muito densas. Ainda que a história e o contexto não fizesse nenhum sentido e não se justificasse numa trama contemporânea, a atriz não tinha culpa e com poucos limões fez uma limonada e tanto.

Taís é safa e sabe todos os atalhos para fazer uma grande composição. Certamente ela percebeu que o tom melodramático da revelação estava exagerada no texto e que ela precisaria chamar a atenção mais para si que para o roteiro trôpego. Para isso, ela abusou da expressividade e do choro, sem contudo soar artificial porque o objetivo era fazer o telespectador se compadecer com o sofrimento da personagem.

Deu certo e, embora as explicações não fossem válidas e o recurso utilizado por Manuela Dias deveria estar superado há pelo menos três décadas, a atuação de Taís Araújo amenizou o tom rocambolesco da história e deu veracidade ao sofrimento da personagem. Se era preciso convencer o público do passado absurdo, ela conseguiu sozinha e apesar do roteiro. Por isso, Taís Araújo é a Atuação da Semana.




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