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Quarta Parede

SBT mantém acervo de novelas na gaveta, na contramão de Globo e Record

Produções saudosas, como Éramos Seis e Pérola Negra, seguem longe do público. Emissora promete novidades.

Othon Bastos e Irene Ravache encabeçavam elenco de versão da novela Éramos Seis produzida pelo SBT em 1994
SBT mantém novelas de sucesso na gaveta; títulos como Éramos Seis (1994) enfrentam conflitos por direitos autorais - Foto: Divulgação/SBT
Walter Felix

Publicado em 24/01/2021 às 05:55:00

Em quase 40 anos de história, o SBT nem sempre teve sua dramaturgia restrita às produções infantis e enlatados mexicanos. A emissora de Silvio Santos já produziu novelas destinadas ao público adulto aplaudidas pela crítica, além de tramas populares, com bons números de audiência. Todo esse acervo, contudo, segue guardado, mesmo neste momento em que a revisita aos clássicos da TV se tornou interessante ao público e negócio lucrativo às emissoras.

Desde o ano passado, a Globo vem disponibilizando novelas clássicas na sua plataforma de streaming. A variedade de títulos presentes no Globoplay vai de Vale Tudo (1988) a Kubanacan (2003), além de todas as tramas exibidas desde 2011. A Record também já se lançou no novo mercado, e foi além: no PlayPlus, é possível maratonar todas as produções desde a retomada da dramaturgia da emissora, em 2004.

O SBT segue na contramão deste fenômeno. O mais próximo de uma plataforma com conteúdo sob demanda é o SBT Vídeos, com uma vantagem: é gratuito. O acervo disponível, ainda que limitado, é valioso, com episódios de programas saudosos, como os talk-shows de Hebe Camargo e Jô Soares, além de atrações comandadas pelo Homem do Baú, a exemplo do extinto Qual é a Música?.

No quesito novelas, o SBT Vídeos deixa a desejar. Tem as recentes Carrossel (2012), Chiquititas (2013), Cúmplices de um Resgate (2014), Carinha de Anjo (2015) e As Aventuras de Poliana (2016), todas para o público infantil. Para adultos, há as pouco lembradas Amor e Revolução (2011) e Revelação (2008), e apenas uma mais antiga e de sucesso, disponível desde o ano passado: Esmeralda (2004).

Sem mensalidade aos usuários, a plataforma não tem a intenção de competir com os demais serviços - tanto que a versão recente de Chiquititas foi vendida à Netflix Brasil. Mas a prova do potencial do acervo da emissora é justamente o fato de que a novelinha, mesmo reexibida atualmente, figura entre os títulos mais assistidos da gigante do streaming, à frente das séries internacionais de grande sucesso.

Aposta na nostalgia tem dado frutos às emissora, mas SBT ainda engatinha neste fenômeno

SBT mantém acervo de novelas na gaveta, na contramão de Globo e Record
Com Patrícia de Sabrit no papel principal, Pérola Negra foi um dos sucessos da emissora nos anos 1990 - Foto: Divulgação/SBT

É claro que o investimento não dependeria da exclusiva vontade da alta direção em disponibilizar seu acervo de novelas. Haveria dificuldade em trazer para o público de 2021, por exemplo, uma de suas produções mais interessantes, a elogiada versão de Éramos Seis (1994), com Irene Ravache no papel de Dona Lola. Os direitos do livro escrito por Maria José Dupré agora pertencem à Globo, que produziu sua adaptação da história no ano passado, vedando, a princípio, a reapresentação da novela do SBT.

Outras produções também poderiam enfrentar entraves. As Pupilas do Senhor Reitor (1995), outro título lembrado pelos mais saudosos, é baseada em livro homônimo do português Júlio Dinis. Textos mexicanos foram matéria-prima de algumas das novelas mais lembradas da emissora, como Pérola Negra (1997) e Canavial de Paixões (2003). Tudo dependeria dos direitos legais da emissora sob os textos e a exibição das novelas.

Curioso observar, ainda, que mesmo na TV aberta o acervo de produções originais do SBT seja esquecido. À exceção das infantis no horário nobre, as reprises da tarde há um bom tempo são dominadas pelas enlatadas do México. Trata-se de um outro contraponto à Globo, que reexibe atualmente a antiga Laços de Família (2000), e também à Record, que mantém seu acervo em reprise no fim de tarde e ainda disponibiliza títulos menos célebres para a Rede Família e canais a cabo.

SBT mantém acervo de novelas na gaveta, na contramão de Globo e Record
Primeira versão brasileira de Chiquititas seria forte aposta na nostalgia - Foto: Divulgação/SBT

Se Chiquititas é tão vista na Netflix, por que não apostar em um próprio streaming, com foco no conteúdo infantojuvenil? A nostalgia, em alta atualmente, também poderia ser uma aposta, com o retorno da primeira versão brasileira da história, produzida na década de 1990, seja no canal aberto ou no streaming. A TV de Silvio Santos fica para trás entre as principais emissoras e parece fugir da briga ao nem sequer investir em um segmento que tem atraído tantos esforços das concorrentes.

Procurada pelo NaTelinha, a assessoria da emissora informou que "em breve, o SBT apresentará mais novidades", além dos títulos já ofertados pelo SBT Vídeos. Leia o comunicado na íntegra:

"A princípio as novelas disponíveis na plataforma são Amor e Revolução, Esmeralda, Revelação, As Aventuras de Poliana, Chiquititas, Carrossel, Cúmplices de um Resgate, Patrulha Salvadora. Em breve, o SBT apresentará mais novidades.
Vale lembrar que este conteúdo já é disponibilizado de maneira gratuita para o público e que pode ser acessado pelo www.sbtvideos.com.br ou pelos aplicativos SBT Vìdeo (Android e iOS)."



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