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O futuro já começou

Mais canais e custos extras: O impacto nas antenas parabólicas com a tecnologia 5G

Tecnologia 5G começa a dar seus primeiros passos

Antenas parabólicas uma ao lado da outra
Telespectador de antena parabólica terá mudanças com o 5G - Foto: Ilustração/Pixabay
Thiago Forato

Publicado em 16/07/2021 às 07:11:00

Cerca de 20 milhões de lares em todo o Brasil assistem televisão através de uma antena parabólica em banda C, antenas circulares de 1,6 metro de diâmetro ou mais. Com uma média de 4,5 pessoas por residência, existem cerca de 90 milhões de brasileiros que veem TV através dessa plataforma. Sim, quase metade da população consume o veículo dessa maneira segundo dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua), coletados pela IBGE. E com a chegada da tecnologia 5G, haverá uma oferta maior de canais, bem como custos extras de até R$ 400 para fazer a migração.

Os sinais que chegam até as parabólicas trafegam, em parte, na frequência de 3,5GHZ. A Banda C, que transmite os sinais de televisão via satélite para parabólica, atua na frequência de 3,7GHZ a 6,45GHZ, enquanto o 5G deverá utilizar de 3,3GHZ a 3,7GHZ. "E é aí que surge o conflito com o 5G", explica Mario Finamore, CEO e founder da Broadcast Media do Brasil, empresa que atua no setor de mídia e TV expandindo sinais de emissoras em diversas plataformas.

"Teremos um número maior de canais sendo disponibilizados e com qualidade de imagem e som superior. Esse é um ganho substancial para o telespectador. Vale lembrar que, com a migração do sistema atual de Banda C para o novo sistema de Banda Ku, as pessoas não ficarão desassistidas. A Anatel prevê que, até 2025, haverá transmissão concomitante - chamada dupla iluminação - tanto na faixa atual quanto na nova. Então, em 2025, deve ser feito o desligamento da Banda C, e somente aqueles que tiverem adquiridos os novos aparelhos poderão continuar assistindo à TV aberta por parabólica", alerta Finamore ao NaTelinha.

Segundo ele, a tecnologia 5G e parabólicas podem conviver, mas para isso, alguns canais de TV sofreriam interferência em regiões onde uma antena de 5G estiver próxima a uma parabólica. "No caso dessas antenas ficarem afastadas, não haveria interferência alguma na recepção de sinal", pontua.

Para solucionar possíveis interferências, duas possibilidades foram colocadas: diminuir o problema distribuindo filtros instalados nas TVs ou a total migração da parabólica para outra frequência. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não aceitou a alternativa de instalar filtros nas parabólicas e optou pela migração de todas as parabólicas instaladas para Banda Ku, uma outra faixa de frequência de internet.

As dúvidas quanto ao 5G e antenas parabólicas

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No início deste ano, a Anatel aprovou o edital que define regras para a licitação da tecnologia 5G no Brasil. E muitos se perguntaram o que acontecerá com as antenas parabólicas, já que utilizariam uma mesma faixa de frequência.

Sem prazo definido, o edital até o momento estabeleceu apenas que as operadoras que comprarem lotes do 5G deverão distribuir receptores e antenas menores (Banda Ku) para os brasileiros que utilizam parabólicas, incluindo a instalação. E aí que pode surgir um grande problema para as famílias brasileiras: o custo.

Somente oito milhões de famílias estão cadastradas no Cadastro Único do Governo Federal, em programas como Bolsa Família e similares, o que deixaria 12 milhões de famílias "no escuro" e com a responsabilidade de arcar com esse custo, que não é baixo. Segundo Finamore, a migração custaria cerca de R$ 400, com o kit com antena Ku, receptor, cabos e LNB (conversor de baixo ruído). "Porém, será necessário solicitar o kit através de um 0800", avisa.

O Governo Federal também vai ter que mexer nos cofres, o que lhe custará cerca de R$ 2,8 bilhões para fazer a migração. "Essa mudança de tecnologia deve durar cerca de dois anos", projeta Finamore, que explica outros benefícios da tecnologia 5G.

"Trata-se de uma evolução do padrão atual, o 5G quando em operação vai proporcionar uma internet muito mais rápida, mais estável e com maior aplicabilidade. A chamada ‘Internet das Coisas’ (IoT), veículos autônomos e conectados, conexões sem fio devido a excelente taxa de latência (tempo entre upload e download). Teremos uma verdadeira revolução em áreas como: Telemedicina, Educação, Transporte, e sobretudo acúmulo de dados."

O 5G ainda nem chegou, mas acredite, a sexta geração (6G) já está em desenvolvimento. "Possivelmente ela não precisará de estações terrestres para prover cobertura, está se trabalhando para que a transmissão do 6G seja via satélite", encerra.

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