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Memória afetiva foi a grande protagonista da estreia de "Verão 90"

Colunista analisa a estreia da nova novela das 19h da Globo

A Patotinha Mágica
Reprodução/TV Globo/Reality Social

Publicado em 29/01/2019 às 20:59:40 ,
atualizado em 29/01/2019 às 21:12:43

Por: Thallys Bruno

Após duas pretensas experiências por sinopses mais “diferenciadas”, o horário das sete reencontra a comédia solar e romântica peculiar às tramas da faixa, desta vez mesclada com boas doses de memória afetiva. É o que promete “Verão 90”, nova novela do horário, escrita pelas autoras Izabel de Oliveira e Paula Amaral e que traz de volta o diretor Jorge Fernando, que acaba de se recuperar de um AVC sofrido em 2017.

Ambientada no início dos anos 90, herdando ainda características comuns à década anterior, a trama conta a história do reencontro de Manuzita (Melissa Nóbrega/Isabelle Drummond), João (João Bravo/Rafael Vitti) e Jerônimo (Diogo Caruso/Jesuíta Barbosa). Juntos, eles formaram o grupo “Patotinha Mágica”, uma verdadeira febre entre o público oitentista. Com o fim do grupo, eles seguiram caminhos diferentes, até se reencontrarem em 1990.

Manuzita, uma destrambelhada jovem – à imagem e semelhança da mãe, a exuberante e maluca atriz Lidiane (Cláudia Raia) –, persiste em se manter sob os holofotes, mesmo com inúmeras recusas nos testes de novelas a que se submete. João, por sua vez, entrou para a faculdade e se tornou radialista, enquanto o irmão Jerônimo, tomado pela inveja, faz de tudo para retomar a fama, sendo capaz até de passar por cima de quem quer que seja – e sobra para a mãe dos rapazes, a humilde Janaína (Dira Paes), administrar os conflitos.

A estreia não economizou agilidade. Aliás, pode-se até dizer que ficou um tanto corrida. A primeira fase foi norteada pelo sucesso de uma encantadora Manuzita e pelo sonho dos irmãos de integrarem o grupo quando a garota anuncia o concurso para seu novo parceiro. No entanto, a alta velocidade deu a impressão de que o plot poderia ser mais bem explorado, em especial a relação da ególatra mãe da atriz mirim, que havia sido atriz de pornochanchada anteriormente.

Aliás, desde já, pode-se destacar Melissa Nóbrega e Cláudia Raia como grandes destaques da estreia. A naturalidade de Melissa na atuação e no canto chama atenção por sua delicadeza. Por sua vez, Cláudia, mesmo encarnando mais uma personagem sensual-espalhafatosa, um tipo recorrente em sua carreira, mostrou que essa é sua praia e rendeu os momentos mais divertidos da estreia.

João Bravo e Diogo Caruso, intérpretes dos jovens Jerônimo e João, também merecem os elogios, bem como Jesuíta Barbosa – que logo na primeira cena já deu mostras de que tem um grande papel nas mãos. Já Dira Paes, experiente e talentosa atriz, tem nas mãos uma evidente dificuldade: Janaína, mãe dos garotos, é colocada como uma mãe controladora ao extremo, um tipo difícil de provocar simpatia do público e que, se mantido o tom da estreia, pode cansar facilmente.

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No entanto, é fácil dizer que a memória afetiva foi a grande protagonista deste primeiro capítulo. Inúmeras referências a antigos programas de TV, como a “Sessão Aventura” e o “Cassino do Chacrinha”, ídolos da época, como Fábio Jr. e Gretchen, além da formatação do antigo programa da “Patotinha Mágica”, vibrante e colorida, conseguiram chamar atenção pelo saudosismo, fora as passagens de tempo relembrando fatos do país e do mundo. 

A trilha sonora reforçou este aspecto, com artistas como Titãs, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Gretchen, Fábio Jr, Gal Costa e Tim Maia. Outro ponto positivo vai para a abertura, mesclando referências das duas décadas em um estilo que lembra os primórdios da extinta (e saudosa) MTV Brasil, que durou entre 1990 e 2013 – e dará as caras nos próximos capítulos na pele da fictícia PopTV.

Após cinco anos de sua última empreitada, a fracassada “Geração Brasil” (2014, ao lado de Filipe Miguez), Izabel de Oliveira retoma a parceria com Paula Amaral, com quem escreveu temporadas de “Malhação”. E, a julgar pelo apresentado na estreia, o desafio de “Verão 90” é manter o clima de transição entre os oitenta e noventa sem perder o fôlego. A opção das autoras em uma primeira fase excessivamente acelerada deixou a sensação de que faltou uma melhor exploração do contexto da Patotinha. Ainda assim, a memória afetiva e os bons conflitos “plantados” deram vontade de continuar acompanhando.

Thallys Bruno Almeida é um grande fã de teledramaturgia brasileira e adora escrever sobre novelas e séries. Agora está no NaTelinha. Siga-o no Twitter: @thallysbalm


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