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Morte de Carlos e emoção de Lola tocam o público em Éramos Seis

Glória Pires e Danilo Mesquita foram peças-chave do belo e triste conjunto

Morte de Carlos e emoção de Lola tocam o público em Éramos Seis
Glória Pires foi ovacionada, merecidamente, na web por sua atuação visceral em Éramos Seis

Publicado em 09/02/2020 às 10:51:23 ,
atualizado em 09/02/2020 às 17:11:44

Por: Thallys Bruno

Éramos Seis chegou em 2019 à sua quinta adaptação televisiva. A triste saga da batalhadora Dona Lola (Glória Pires) vem conquistando merecidos elogios pela sensibilidade do seu enredo, conduzido desta vez por Ângela Chaves a partir das versões escritas por Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, tomando como base o romance original de Maria José Dupré. No último fim de semana, a trama chegou ao seu auge emotivo com uma de suas maiores viradas: a morte de Carlos (Danilo Mesquita).

O filho “certinho” de Dona Lola, o mais responsável e correto, se viu na obrigação de assumir o provimento da família com seu trabalho após a morte de Júlio (Antônio Calloni), o irresponsável e machista patriarca. Em meio à convivência familiar repleta de conflitos com o rebelde irmão Alfredo (Nicolas Prattes), retomou seu relacionamento com Inês (Carol Macedo), de quem havia sido separado na infância quando a mãe dela, Shirley (Bárbara Reis), fugiu com a filha e o antigo amante, João Aranha (Caco Ciocler).

O rapaz ainda se depara com as manifestações que culminaram na Revolução Constitucionalista de 1932, na qual forças paulistas se rebelavam contra os desmandos do Governo Provisório de Getúlio Vargas. A autora manteve o entrecho adotado por Abreu e Ewald, no qual Carlos é atingido por um tiro no meio de um protesto, ao tentar questionar Felício (Paulo Rocha) por seu namoro com a irmã Isabel (Giullia Buscacio) – no livro, ele luta na Revolução e morre apenas depois, por doença. A morte faz referência aos mártires do movimento pré-revolucionário: Euclides Miragaia, Mário Martins, Dráusio Marcondes e Antônio Camargo (conhecidos como MMDC, acrônimo formado pelas iniciais dos sobrenomes).

A construção da virada se deu logo a partir das cenas da última quinta-feira (06), quando o filho de Lola está prestes a viajar com Inês e é convencido a falar com Felício. No meio da manifestação, é atingido por um tiro da polícia ao socorrer um dos revoltosos. A apreensão toma conta da matriarca, temendo pelo pior; e da namorada, inicialmente achando que foi abandonada por Carlos. O desespero ganha forma quando Alfredo reconhece o irmão e avisa aos familiares, que se dirigem ao hospital.

As sequências exibidas ao longo de sexta (07) e sábado (08) ficaram marcadas pelo show absoluto do elenco, em especial das duas grandes peças-chave desta virada: Glória Pires e Danilo Mesquita. Cada vez mais lapidado, o jovem ator brilhou nos últimos momentos do certinho rapaz, especialmente quando confessou a Alfredo que tinha inveja do espírito guerreiro e livre do irmão, que tanto rendeu atritos entre os dois. Danilo e Nicolas Prattes – que originalmente viveriam os papeis trocados – entregaram pura emoção e uma linda cumplicidade fraternal.

A veterana, impecável desde o primeiro capítulo, já vinha dando um show atrás do outro com a expectativa de Lola pelo que aconteceu com Carlos. A partir do momento em que a mãe descobre o filho ferido, sucede-se uma sequência de tristes e primorosas cenas em que a atriz esbanja seu talento. Desolada, a dona de casa viu seu mundo cair – e Glória foi fundo em um desempenho tocante, real, representando perfeitamente a dolorosa inversão da ordem natural da vida (os pais serem enterrados pelos filhos), provando que foi a escolha acertada para a nova Dona Lola.

Ao lado do texto sensível de Ângela Chaves, a direção da equipe de Carlos Araújo foi decisiva para que o resultado final mantivesse a delicadeza e não resvalasse no piegas ou no mexicanizado. Mesmo em um momento cruel – embora que necessário para a condução do enredo –, a despedida de Carlos foi delicada graças à boa harmonia entre texto e direção, bem como o talento de outros nomes que também foram valorizados neste entrecho, como Cássio Gabus Mendes, Carol Macedo, Giullia Buscacio, Bárbara Reis e Joana de Verona.

Danilo Mesquita encerrou sua participação em Éramos Seis em grande estilo. O intérprete de Carlos soube compor um tipo certinho, às vezes cansativo, porém, tão cativante quanto os outros filhos de Dona Lola, graças à precisão de sua interpretação. Mesmo em uma carreira curta, Danilo demonstra ter competência para desafios ainda maiores. E Glória Pires, como Dona Lola, honra o posto que um dia pertenceu às grandiosas Gessy Fonseca, Cleyde Yáconis, Nicette Bruno e Irene Ravache. O protagonismo da atriz é exemplo do grande momento em que as mulheres ganham cada vez mais a linha de frente.

Este belo conjunto foi determinante para os merecidos elogios às sequências da morte de Carlos em Éramos Seis. Embora não seja um grande fenômeno de audiência (com média em torno dos 20 pontos, dentro do esperado para o horário), a trama de Ângela Chaves vem cumprindo sua trajetória com muita dignidade e sem se perder pelo caminho – como aconteceu com a antecessora Órfãos da Terra. A morte de Carlos – bem como a de Júlio, meses antes – foi prova de que a emoção também pode render quando o resultado é bem produzido.




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