Análise

Bacci, Mion, Gottino e mais: Record TV é a maior vencedora do "Melhores do Ano NaTelinha 2018"

Mesmo sem dramaturgia forte, canal se destacou no jornalismo e realities

Luiz Bacci sorrindo
Luiz Bacci venceu em todas as categorias que concorreu - Reprodução

Publicado em 20/12/2018 às 10:00:44

Por: Thallys Bruno

O NaTelinha divulgou na manhã desta quinta-feira (20) a lista com os resultados finais da tradicional votação do “Melhores do Ano NaTelinha 2018”. E as escolhas do público que votou até esta quarta-feira (19 de dezembro) fizeram da Record TV o canal mais mencionado na premiação do site.

Mesmo enfrentando uma fase apagada em sua teledramaturgia – “Apocalipse” foi um grande fracasso e “Jesus” também não correspondeu às expectativas – a emissora da Barra Funda garantiu a maioria das vitórias nas categorias relacionadas ao jornalismo e também ao reality “A Fazenda”, que concluiu recentemente sua décima temporada.

Contando com a elogiada performance de Marcos Mion, que apagou por completo as tristes lembranças de Britto Jr. e Roberto Justus, a disputa rural foi vencedora na categoria “Melhor Reality” e Mion foi escolhido como “Melhor Apresentador”, enquanto a ex-peoa Nadja Pessoa foi destacada como a “Polêmica do Ano”, por seus barracos com os colegas dentro e fora do confinamento.

O jornalismo do canal, que recentemente recebeu críticas por uma postura supostamente favorável ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) – apoiado pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, proprietária da emissora –, se consolidou especialmente com seus programas mais populares, como o “Cidade Alerta” e a edição paulistana do “Balanço Geral”.

O vespertino da hora do almoço foi escolhido como “Melhor Jornalístico Local” e ainda deu a Reinaldo Gottino a vitória em “Melhor Apresentador Local”, bem como o quadro “A Hora da Venenosa”, de Fabíola Reipert, que foi escolhido como “Melhor Programa ou Quadro de Fofocas” por seu formato mais informal, em contraponto ao desgastado “Video Show” na Globo.

Já o jornalístico do fim da tarde, nos últimos meses, vem fazendo história e derrotando até mesmo produtos sólidos do fim de tarde global, como a desastrosa “Malhação: Vidas Brasileiras” e a lenta novela das seis, “Espelho da Vida”. Apostando numa linha documental, aliada ao sensacionalismo típico do programa, o “Cidade Alerta” foi vencedor em “Melhor Atração Jornalística”, além de render duas vitórias ao seu apresentador Luiz Bacci: “2018 Foi o Ano De...” e “Melhor Âncora Jornalístico”. O principal mérito de Bacci foi apostar em uma linha mais séria, longe do humor carismático do saudoso Marcelo Rezende, que nos deixou no ano passado. Ainda merece destaque a vitória de André Tal, correspondente da Record em Londres, como “Melhor Repórter/Correspondente”, deixando pra trás revelações do jornalismo global, como Pedro Vedova e Andréia Sadi.

Mesmo com o domínio da Record TV, a Globo não deixou de conquistar uma boa parcela de vitórias, especialmente no campo da dramaturgia. Ainda assim, escolhas bem questionáveis. Sérgio Guizé, dono de uma atuação irregular como Gael em “O Outro Lado do Paraíso”, superou colegas muito mais inspirados, como Vladimir Brichta – o vilão Remy de “Segundo Sol” – e Antônio Calloni – irrepreensível na pele do sádico Dr. Roger Sadala na série “Assédio”, do Globoplay.

A vitória de Rayssa Bratillieri, a patricinha Pérola, de “Malhação Vidas Brasileiras”, como “Ator ou Atriz Revelação” vai para a conta dos seus fãs. Num ano que teve as veteranas Cláudia di Moura e Kelzy Ecard, que se destacaram na insossa trama de João Emanuel Carneiro, é difícil entender a vitória da atriz com uma das temporadas mais equivocadas da novelinha. Fã-clube em peso.

Se estas escolhas assustaram, em outras categorias a justiça se fez presente. Adriana Esteves, que brilhou como a vilã Laureta na trama baiana das nove, foi escolhida como “Melhor Atriz”; enquanto Letícia Colin – que roubou a cena como a prostituta Rosa, apesar da personagem ter perdido força no final – foi merecidamente aclamada em “Melhor Coadjuvante”. Já a categoria “Melhor Dramaturgia Além das Novelas” premiou, com louvor, a primorosa “Sob Pressão”, que encerrou recentemente sua segunda temporada mostrando que ainda tem muito a dizer sobre o caos na saúde pública brasileira.

Em “Melhor Novela”, surpreendeu a vitória de “As Aventuras de Poliana”, do SBT. Anunciada como a trama infantil mais longa já produzida pela emissora em um único enredo – com previsão de chegar a impressionantes 700 capítulos – a história de Iris Abravanel, baseada nos livros de Eleanor H. Porter, iniciou sua trajetória conquistando recordes e mais recordes de audiência, sinalizando o carisma do enredo brilhantemente protagonizado por Sophia Valverde e Igor Jansen; que não perdeu o fôlego mesmo com a bizarra substituição de Milena Toscano por Thaís Melchior na pele de Luísa, tia da protagonista. Embora a atuação de Milena tenha conquistado muitos fãs e criado certa resistência em torno da troca, Thaís não tem culpa da equivocada decisão do SBT e vem segurando o papel com competência.

Também na emissora da Anhanguera, a veterana Eliana foi escolhida como “Melhor Apresentadora”, embora seu programa esteja em um momento pouco inspirado, não sendo raras até mesmo apelações para o sensacionalismo típico de Geraldo Luís em seu “Domingo Show” ou de Rodrigo Faro em sua “Hora do Faro”.

No segmento esportivo, a Globo saiu vitoriosa nas principais categorias, com as escolhas do “Esporte Espetacular” – que acaba de completar 45 anos de existência com a saída da talentosa Fernanda Gentil para o entretenimento – em “Melhor Esportivo da TV”; e do veterano Mauro Naves como “Melhor Jornalista Esportivo”. Ainda assim, fez falta o narrador Luís Roberto, cuja destacada atuação na Copa do Mundo de 2018 – que a Globo exibiu sozinha no aberto – lhe rendeu o posto de segundo narrador, antes ocupado por Cleber Machado.

No campo dos talk-shows, uma acirrada disputa se deu entre o “Lady Night”, de Tatá Werneck, no Multishow, e o “The Noite”, de Danilo Gentili, no SBT. A vitória do programa de Tatá em “Melhor Talk-Show”, com 3% a mais sobre o segundo colocado, deixou claro o quanto a humorista brilha ao lado de seus convidados, se permitindo em suas entrevistas uma naturalidade infinitamente maior do que em suas atuações nas novelas.

Com todos os resultados, o “Melhores do Ano NaTelinha 2018” evidenciou um ano especialmente inspirado para a Record TV. A emissora de Edir Macedo mostrou que, embora esteja longe do “caminho da liderança” de anos atrás, ainda tem força para incomodar a líder Globo, além de ser mais ousada que o rival SBT. A Globo, por sua vez, deixou claro que ainda possui o melhor conjunto de dramaturgia do Brasil, embora tenha enfrentado uma safra menos atraente este ano.

Agradecemos a todos os leitores que participaram votando em todas as categorias e desejamos um Feliz Natal e um 2019 repleto de felicidades, alegria e sucesso para todos!

Thallys Bruno Almeida é um grande fã de teledramaturgia brasileira e adora escrever sobre novelas e séries. Agora está no NaTelinha. Siga-o no Twitter: @thallysbalm



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