Thiago Forato
Enfoque NT

Tela Quente "esfria" e faz hora extra no verão da Globo

Adentrando a madrugada, filmes perderam o sentido na segunda-feira à noite com o BBB


Logo da Tela Quente congelado
Tela Quente "esfriou" demais na programação da Globo - Foto: Reprodução/TV Globo

No ar há 34 anos, a Tela Quente foi de protagonista a mero coadjuvante na programação da Globo. Criada para combater Jô Soares no SBT em 1988, a maior sessão de filmes da emissora carioca vem fazendo hora extra enquanto o BBB está no ar. Com um Jogo da Discórdia adentrando a madrugada, os filmes têm servido apenas para aborrecer a equipe do Jornal da Globo e até desfigurar a grade, como aconteceu na semana passada, quando até o Corujão foi cancelada e a volta da Conversa com Bial praticamente passou o bastão para o Hora 1.

Na última segunda (14), a "reunião de condomínio" do BBB 22 terminou por volta da meia-noite, mas continuou no Globoplay e Multishow. "A gente deu uma paradinha lá no jogo pra avisar que o BBB 22 termina agora aqui na programação da Globo. Hoje a Renata Lo Prete não vai brigar comigo não. Acabamos dentro do tempo, Renata", avisou Tadeu Schmidt.

De fato, se não fosse por compromissos comerciais, não faria sentido manter a Tela Quente neste verão. Ainda que seja uma marca forte, perdeu a função e ninguém reclamaria se ela tirasse férias durante os primeiros meses do ano. Com um Jogo da Discórdia mais afiado, os filmes deixaram de ser a grande atração da segunda-feira à noite e passaram a ser até um estorvo. Não faltou gente reclamando pela exibição do longa-metragem Braven: Perigo na Montanha (2018) em detrimento do reality show.

Em 11 exibições nesses dois meses e meio de 2022, cinco filmes foram inéditos na TV aberta. O que prova que a própria Tela Quente se transformou ao longo dos últimos anos. Desde 2015, a sessão vem mesclando inéditos e reprises ao longo do ano, deixando de seguir a premissa que havia antes: destaques do ano anterior entre janeiro e março, e a partir de abril, somente as estreias.

Entre 2009 e 2012, foi tentado, por exemplo, exibir reprises durante o verão, e inéditos no restante do ano, com exceção de julho, que reunia produções infantis/teens de sucesso e já exibidas na TV.

A tela ficou morna

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Desde 2014, quando a Globo optou por exibir O Rebu também às segundas, a Tela Quente foi "rebaixada" para o segundo horário da linha de shows durante quase todo o ano. Em maio, contudo, deve voltar a ser exibida depois da novela, que será Pantanal.

Indo madrugada adentro, a Tela Quente acumula uma média de apenas 13,1 pontos de média na Grande São Paulo em 2022. A pior da história. O filme que menos pontuou foi Mulheres ao Poder (2020), no dia 7, com 7,8 pontos, enquanto a melhor foi As Trapaceiras (2019), inédito, no dia 10 de janeiro, com 17,3 pontos.

O perfil de filmes exibidos durante os três primeiros meses do ano também mudou. Se antes a Tela Quente optava pelos destaques do ano anterior, agora ela recorre a reprises mais batidas, como foi o caso de A Garota no Trem (2016), longa-metragem transmitido em 14 de fevereiro e que já teve algumas exibições na Band.

Em janeiro, a Globo anunciou "1000 filmes" ao longo da programação, sendo alguns dos principais oriundos de antigos acordos como as produtoras Warner e Disney, que agora focam nos seus respectivos streamings. Material para a sessão esquentar novamente não vai faltar.


Thiago Forato é jornalista, assina a coluna Enfoque NT desde 2011, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Forato também é autor do blog https://parlandodepalmeiras.com.br. Converse com ele pelo e-mail thiagoforato@natelinha.com.br ou no Twitter, @tforatto

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