Thiago Forato
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Enfoque NT

Confirmado em 2022, Caldeirão com Mion precisa deixar de ser "quadrado"

Caldeirão com Mion está confirmado na grade do ano que vem

Marcos Mion sorrindo e segurando microfone
As tardes de sábado da Globo tem dono: Marcos Mion - Foto: Divulgação/TV Globo
Thiago Forato

Publicado em 23/10/2021 às 08:07:00,
atualizado em 23/10/2021 às 10:43:04

A boa audiência e a repercussão positiva de Marcos Mion à frente do Caldeirão credenciaram o apresentador a permanecer como titular do programa em 2022. O plano da Globo inicialmente era fazer com que ele ficasse só até dezembro, mas se rendeu aos bons resultados. Com isso, a pergunta: a atração permanecerá a mesma?

Há quase dois meses no ar, é fato que Mion deu uma cara mais alegre ao Caldeirão. Aboliu o choro, apostou em um tom mais leve e pra cima, resgatando até sua essência original. Observando chamadas antigas, chega a ser estarrecedor como o programa se transformou, recheado com assistencialismo e lágrimas.

Em contrapartida, a falta de concorrência pode ser um impeditivo para que nada mude. Enquanto Mion se diverte em um formato que Silvio Santos já apresentou nos anos 80 (Jogo das Famílias) e depois em 2005 (Family Feud), o SBT transmite o Programa Raul Gil e séries do século passado. A Record "ataca" com filmes e uma edição do Cidade Alerta. A Globo não enfrenta concorrência alguma.

Para completar, o Sobe o Som nada mais é que um Ding Dong sem a campainha e o Isso a Globo Mostra, obviamente, formato que o consagrou em canais anteriores. São três quadros e nada mais, todos os sábados a gente já saber o que esperar. O Caldeirão era exatamente o oposto disso nos primórdios:  surpreendente, aberto e imprevisível. Ninguém sabia o que seria apresentado na próxima semana.

Caldeirão segue tendência dos programas de auditório

Infelizmente, uma triste tendência não só do Caldeirão como dos programas de auditório em geral. O Domingão do Faustão (1989-2021) já vinha por esse caminho, sucumbindo aos formatos e com uma previsibilidade desanimadora. O Domingo Legal, que já fez história no SBT, sofre do mesmo mal e transformou um Passa ou Repassa, game-show originalmente de 40 minutos, em duas horas e meia, com um outro quadro da Havan para completar as quatro horas semanais.

Com resultados satisfatórios, fica até difícil reivindicar mudanças. Por qual razão mudar aquilo que apresenta resultados? Por um lado, faz até sentido. Mas onde está o tesão em reviver a essência do que esses programas já foram um dia? Mion chegou cheio de gás na Globo e vontade de fazer acontecer. Ele será líder de audiência de qualquer maneira, ao não ser que os outros façam algo de diferente.

Sem forçar muito, o próprio SBT nas tardes de sábado, em 2019, beliscou a liderança com o Programa da Maisa nas primeiras exibições. Não demorou muito, dado o formatinho quadrado, caiu pelas tabelas e viu a audiência ruir. Há espaço para crescer e oferecer algo melhor ao público que quase morre de tédio em frente à TV caso não tenha a possibilidade de fazer outra coisa.


Thiago Forato é jornalista, assina a coluna Enfoque NT desde 2011, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Forato também é autor do blog https://parlandodepalmeiras.com.br. Converse com ele pelo e-mail thiagoforato@natelinha.com.br ou no Twitter, @tforatto



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