Cada vez mais longe da TV paga, Simba precisa de um novo plano de ação urgente

Rodrigo Faro, Luciana Gimenez e Ratinho estrelaram uma das primeiras campanhas da Simba

Publicado em 17/05/2017 às 11:00:28 , atualizado em 17/05/2017 às 16:17:28

Por: Helder Vendramini

Após pouco mais de um mês e meio, a Simba Content, joint-venture criada por RecordTV, SBT e RedeTV!, segue longe de um acerto com as operadoras de TV paga.

Em uma estratégia que se mostrou suicida desde o início, as emissoras sofrem para aumentar seus índices de audiência e começam a sentir os efeitos da queda em suas relações comerciais, inclusive, de acordo com informações, sendo obrigadas a ceder outros espaços para compensar a perda dos anunciantes.

Paralelo a essa situação, as únicas negociações que mostraram evolução foram as realizadas com a Vivo, entretanto, o desfecho mostra-se contrário ao pretendido, com a suspensão de seus sinais sendo anunciada pela operadora.

Em um momento de crise e, aparentemente, sem nenhuma carta forte na manga, a Simba peca por forçar uma negociação em níveis bastante acima daquele que possui atualmente.

Por anos, as emissoras da joint-venture ignoraram a TV paga. Não aproveitaram os momentos de crescimento do meio para investir no nicho desde sempre dominado pela Globo.

O avanço da Bandeirantes nesse segmento mostra que, apesar das dificuldades, bastava aos canais buscar algo diferenciado para que passasse a disputar um espaço no line-up das operadoras.

O Grupo Bandeirantes não tem tantos nem tão expressivos canais em seu pacote. Dele fazem parte os pouco vistos Arte 1 e BandSports, com conteúdo inferior aos seus concorrentes diretos, o extremamente segmentado TerraViva, o ausente Sex Privé (presente apenas na Oi e em operadoras menores) e o carro-chefe BandNews, único de destaque da lista.

Contudo, apenas no momento em que a TV analógica começou a ser desligada no país as emissoras resolveram se movimentar e propor, de forma informal, alguns canais à TV paga.

O curioso é que ou fala-se de canais extremamente simples de serem implementados, como uma espécie de “Viva” com material das três redes, ou de canais aparentemente impraticáveis, como um de esportes.

A Simba parece ignorar o know-how do SBT em produtos infantis e o da RecordTV em dramaturgia, por exemplo, que poderiam render bons produtos para as operadoras.

Rumores da negociação da RedeTV! com a Turner para finalmente trazer uma versão em português da mundialmente famosa CNN, algo especulado desde sempre, mas nunca concretizado.

Record, SBT e RedeTV! têm potencial para oferecer bons canais ao público. Mesmo que baseados em parcerias com produtoras. Um canal de notícias, outro de acervo e um infantil seriam bem-vindos e certamente abririam algumas portas para as emissoras, especialmente se, no pacote, estiverem também as quatro abertas que pertencem ao grupo (RecordTV, Record News, RedeTV! e SBT). Ainda é possível que se trabalhe em um canal de novelas e/ou séries (nacionais e estrangeiras), cujo acervo das redes também é grande ou a mão de obra para produção é vasta.

Da forma como vem sendo conduzida, a negociação pela inserção dos canais abertos na TV paga caminha a passos largos para um grandioso fracasso, alegrando apenas às produtoras de canais pagos, que viram seus produtos melhorarem consideravelmente na audiência após a saída das TVs abertas.


Helder Vendramini é formado em Rádio e TV e pesquisa esse meio há vários anos. Aqui no site, busca fazer análises aprofundadas dos mais variados temas que envolvem a nossa telinha.



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