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De suspensão das novelas ao jornalismo: Globo teve papel fundamental na luta contra a Covid

Globo paralisou novelas, afastou artistas e dedicou enorme espaço para tratar da doença na programação

De suspensão das novelas ao jornalismo: Globo teve papel fundamental na luta contra a Covid
William Bonner e Renata Vasconcellos à frente do Jornal Nacional - Reprodução/TV Globo

Thiago Forato

Publicado em 04/03/2021 às 05:41:00,
atualizado em 04/03/2021 às 09:44:14

Em um ano de pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a Globo teve papel fundamental na luta contra a doença. Ainda que a ala bolsonarista ou radicais cuspam marimbondos ao citar o nome da emissora, comemore demissões ou qualquer devaneio do tipo, ela foi a grande informação da TV aberta para quem quis saber mais acerca do mal, tendo dado o exemplo desde o início.

Não demorou muito tempo, em março do ano passado, para que ela cogitasse a suspensão da produção de novelas, fato que acabou se concretizando alguns dias depois. Paralisou aquele que é seu principal produto: a novela, priorizando a saúde dos seus funcionários. A medida se alastrou para outros setores, como o do entretenimento, que viu profissionais consagrados como Faustão e Ana Maria Braga se afastarem, chegando a fazer seus programas em casa, do jeito que dava.

O que parecia um exagero para alguns no início devido ao negacionismo, hoje é fácil perceber como a Globo agiu de maneira correta. Criticada por supostas manipulações em seus noticiários, é alvo dos radicais e já tem a antipatia de uma fatia do público. Pequena, é verdade. Caso contrário, não seria a líder de audiência há tanto tempo.

A importância que o canal carioca deu à Covid-19 não se resumiu a isso. Após ter enxugado por um tempo determinado programas de entretenimento como o Encontro com Fátima Bernardes, Mais Você e o Se Joga, criou um noticiário especial (Combate ao Coronavírus) para explicar diariamente a doença, que era (e ainda é, diga-se) extremamente nova. A Globo foi a emissora quem mais se dedicou a informar e orientar a população, fazendo valer sua posição.

Alarmismo, sensacionalismo ou prudência?

Criticada por deixar a população em polvorosa com o novo coronavírus, a Globo ainda "chocou" menos que outras partes do mundo, como o Reino Unido. Por lá, os europeus se destacaram por mostrar imagens diretamente nos hospitais, seja no atendimento ou entrevistando familiares, relatando estafa e desespero dos profissionais da saúde diariamente, bem como dos doentes.

Por aqui, imagens de cemitérios lotados sem espaço para todos os mortos causaram espanto. Obviamente que esse tipo de coisa impressiona, mas nem isso foi capaz de sensibilizar o brasileiro, já que vivemos o pior momento da pandemia. Ao passo que se fala em lockdown, distanciamento e confinamento, há irresponsáveis promovendo festas e aglomerações, ignorando completamente a realidade que atravessamos.

O papel de veículos de imprensa é justamente esse: alertar, orientar e noticiar o que está acontecendo. Infelizmente, há quem subestime o poder do vírus e passe a atacar conglomerados como a Globo, que vem cumprindo seu papel.

A Globo, por ser a maior, é a grande vitrine E por "sorte", quem se destacou positivamente. Outras emissoras tiveram um papel mais tímido no combate à doença que assolou o mundo. Pior do que isso, alguns negacionistas e outros que cogitam intervenção militar no seu casting. Lamentável.


Thiago Forato é jornalista, assina a coluna Enfoque NT desde 2011, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele pelo e-mail thiagoforato@natelinha.com.br ou no Twitter, @tforatto 



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