Diretor de conteúdo da Fox fala sobre projetos e diz: "canais premium começam a ser bem servidos"

Zico Góes antecipa novidades e explica saída da parceria com o SBT em "A Garota da Moto"

Fotos: Folhapress e Divulgação

Publicado em 15/04/2017 às 08:15:12

Por: Sandro Nascimento

Em busca de produções originais e inovadoras no país, pelo segundo ano consecutivo, o grupo Fox abre um site exclusivo para receber projetos de produtoras brasileiras.

"Isso surgiu de comum acordo com nossos colegas na lá América Latina, nós somos uma unidade da Fox na América Latina. Eles estavam sentindo essa necessidade de tornar a recepção de projetos mais abrangente e mais democrática", conta Zico Góes, diretor de conteúdo da Fox Network Group Brasil, em entrevista exclusiva ao NaTelinha.

Em 2017, o conteúdo procurado na segunda convocatória são os gêneros: Ficção, factual e infantil. Zico Góes ainda não sabe sobre os projetos destinados às crianças e não descarta um novo canal infantil no país. "Possivelmente só vai ser respondido pra mim daqui há uns dois meses. Mas quisemos aproveitar o edital, sabendo que este assunto iria aparecer pra começar a filtrar e peneirar os projetos infantis", explica o executivo.

O diretor de conteúdo da Fox Brasil justifica sobre o fim da parceria com o SBT na série "A Garota da Moto", no canal Fox Life: "Não vamos mais apostar em realities e vamos dar um tempo nas produções originais, porque esse canal precisa crescer mais do que ele tá hoje. 'A Garota da Moto' padeceu justamente neste decisão. O canal não quer mais apostar em produções originais por enquanto".

Zico Góes também nega que esteja nos planos da Fox Brasil migrar filmes blockbusters de primeira janela para seus canais premium no país. "Os canais premium da Fox são exclusivos para séries. Aliás, a gente nem pode. Na América Latina é diferente, é série e filme", diz o executivo.

Confira a entrevista completa:

Em busca de produções originais no país, a Fox Brasil está realizando a segunda edição da convocatória para novos projetos. Como surgiu essa iniciativa?

Zico Góes - Isso surgiu de comum acordo com nossos colegas da América Latina, nós somos uma unidade da Fox na América Latina. Eles estavam sentindo essa necessidade de tornar a recepção de projetos mais abrangente e mais democrática. Eles são baseados em Buenos Aires, mas eles fazem para a América Latina inteira. Então aquilo pra eles era até uma questão geográfica mesmo, de tentar mostrar ao continente todo, que a Fox estava acessível ao recebimento de ideias.

O Brasil é um pouco diferente, embora tenha dimensões continentais, também achamos que pra nós seria interessante. A iniciativa de fazer o site deu chance aos produtores que não teriam esse acesso. Começamos a ver que recebíamos projeto de tudo quanto é parte do Brasil, de produtores que nunca ouvimos falar, a maioria deles são muitos pequenos e mesmo assim com projetos muitos interessantes. Acabou dando mais certo aqui do que lá. Embora eles tenham recebido uma quantidade de projeto maior, em torno de 1000 e tantos, aqui recebemos em torno de 500 projetos e selecionamos dois.

Os nossos dois selecionados são mais legais que os que eles selecionaram lá, dito isso por eles próprios. Com isso deu chance para duas produtoras pequenas ter esse acesso e já começar a ter uma relação com a Fox. Uma é a produtora carioca chamada TVa2 e uma de São Paulo chamada Pink Flamingo.

O que o precisa para ter o "sim" da Fox?

Zico Góes - Primeiro tem algumas formalidade que todos eles precisam cumprir e nos entregar algo dentro do nosso primeiro filtro. Lá no site diz o que a gente quer e não quer. Tem uma questão formal que não basta mandar a ideia, eu quero ela desenvolvida, com um roteiro, sinopse... Tem pequenas coisas de quem escreve precisa fazer para gente poder avaliar. O próximo passo é uma adequação editorial, que muitas vezes tem a ver com o momento e é muito intuitiva também.

Chama a atenção a busca pelo conteúdo infantil. O que exatamente a Fox busca neste segmento?

Zico Góes - Isso é uma novidade para essa convocatória, ano passado não tinha. A gente ainda tá especulando e isso é uma questão da América Latina como um todo, como a gente vai usar projetos infantis. Porque temos a intenção de rodar projetos infantis nos nossos canais.

Seria para um novo canal infantil?

Zico Góes - Não sabemos ainda. Possivelmente só vai ser respondido pra mim daqui há uns dois meses. Mas quisemos aproveitar o edital, sabendo que este assunto iria aparecer pra começar a filtrar e peneirar os projetos infantis.

Ainda não sabemos exatamente que tipo de projeto a gente vai querer, tudo vai depender de como será essa nova iniciativa. Mas queremos que os produtores entrassem em contato com a gente com este tipo de projeto.

Hoje as leis de incentivo foram criadas para fomentar o conteúdo nacional na TV paga. Você considera esse tipo de modelo ideal?

Zico Góes - Eu acho que o que está acontecendo desde 2012, é que a lei, com todas as suas dificuldades e críticas, conseguiu a grosso modo fazer com que tanto os canais e os produtores se juntassem numa posição bem equilibrada, de poder inclusive.

Vamos dar um tempo nas produções originais no Fox Life, porque ele precisa crescer mais do que está hoje

Zico Góes explica fim da parceria com o SBT por A Garota da Moto

Parece que a lei acertou em cheio. Deu mais poder para o produtor e deu instrumentos financeiros para ele e o canal tocar produtos que antes da lei não se faziam. Eu acho que isso foi muito interessante. Embora todos esses canais sejam obrigado por lei a fazer, na verdade estavam precisando disso. Não precisaria de uma lei para você produzir coisas no Brasil, para brasileiros, por brasileiros e com produção independente.

Se eu fosse destacar uma das razões é porque existe criatividade e gente boa em todo lado. Não é só o canal que sabe fazer. Isso é muito interessante para arejar inclusive o tipo de produto que se tem. Hoje tem uma gama de programas, não só séries de ficção, que me parecem que trazem um frescor, uma novidade que antes da lei não havia.

Se isso é o melhor modelo de negócio, de crescimento das produtoras ou do equilíbrio desta relação de força entre canal e produtora, eu acho que talvez não seja o ideal ainda. Até porque é uma questão de mercado, ele vai achando seus melhores caminhos. De cara quem ganhou foi a audiência, de melhores e os mais variados produtos para o Brasil.

A parceria na produção da "A Garota da Moto" foi encerrada com o SBT. O que deu errado?

Zico Góes - Não é porque não deu certo a co-produção, ela deu muito certo. Foi um jeito de SBT e Fox compartilharem, não só a janela, quanto o custo. Então foi interessantíssimo, partindo da premissa que não há canibalização, um canal não vai roubar audiência do outro, pelo contrário, neste casos acaba um se beneficiando da promoção que o outro faz. Então, foi um bom negócio e um bom produto.

Mas por uma questão interna da Fox, o canal que exibia "A Garota da Moto" era o Fox Life, e o reposicionamento editorial deste canal na América Latina inteira pelos próximos dois anos é apostar em séries e filmes. Não vamos mais apostar em realities e vamos dar um tempo nas produções originais, porque esse canal precisa crescer mais do que ele está hoje. "A Garota da Moto" padeceu justamente neste decisão. O canal não quer mais apostar em produções originais por enquanto.

Estreias de filmes blockbusters em primeira janela está no radar dos canais premium da Fox?

Zico Góes - Não, os canais premium da Fox são exclusivos para séries. Aliás, a gente nem pode. Na América Latina é diferente, é série e filme.

Qual a principal aposta da Fox para disputar o mercado tão difícil dos canais premium no Brasil?

Zico Góes - Tem razão que é um mercado difícil. O brasileiro está ficando cada vez mais mal acostumado com a qualidade das produções que têm no ar. Os canais premium costumam ter percepção de que tem uma qualidade maior. As séries dos canais premium podem ser mais nichadas, ousadas, podem ir mais afundo no assuntos de sexo, crime, violência e drama.

Diferentemente de um canal básico, que você precisa de uma audiência mais abrangente de um denominador comum que siga para família toda, os canais premium você pode ser mais segmentado e mais assertivo e lá cabe qualquer tipo de história e isso é muito interessante para nós, contadores de histórias. O desafio é manter a qualidade destas histórias para que cada vez mais pessoas se interessem pelo canal e assinem, esse é o objetivo.

Temos algumas apostas para os canais premium, como o "Me Chama de Bruna", que é a história de Bruna Surfistinha que vai para sua segunda temporada, que é nosso carro-chefe. Essa série foi exibida nos canais premium da America Latina e foi a série original da Fox inteira de maior sucesso, foi a maior audiência de todos os tempos, uma série brasileira. Então colocamos muita fé que aqui no Brasil a história da Bruna vá bombar.

A outra aposta é "Um Contra Todos", que vai para sua segunda temporada também. Essa série do Breno Silveira foi exibida no Brasil no canal básico da Fox, porque os canais premium ainda não existiam e na época foi a maior audiência de uma produção original da Fox de todos os tempos no país, só perdendo para "The Walking Dead", que é um fenômeno que ninguém explica.

"Um Contra Todos" deve estrear em setembro e "Me Chama de Bruna", em outubro. Então a gente acha que os canais premium começam a ser bem servidos por séries. O objetivo é fazer quatro por ano. Então eu tenho mais duas séries sendo desenvolvidas para entrarem neste canais.


Quais seriam os segmentos destas séries?

Zico Góes - Uma delas é uma série sobre lutas clandestinas, um vale tudo na rua com apostas. Uma referência ao "Clube da Luta", mas não é a mesma história. A outra, é sobre um assunto que o Brasil já falou e lá fora também. Um tema que não morre nunca que é o narcotraficante, tráfico de drogas. Uma série brasileira inspirada em vários personagens traficantes conhecidos do Brasil. Elas estão sendo escritas e devem estrear no ano que vem.

Em tempo

As inscrições dos projetos para a segunda convocatória podem ser realizadas até o dia 31 de maio, através do site: www.foxproducoesoriginais.com.br



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