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Meu Bem, Meu Mal

"Você é piranha?": Cena que virou meme demorou a ser gravada, revela Mylla Christie

Novela entrou para o catálogo do Globoplay na última segunda-feira (28)

Mylla Christie e Luma de Oliveira na novela Meu Bem, Meu Mal (1990)
Em Meu Bem, Meu Mal, Jéssica (Mylla Christie) pergunta para Ana Maria (Luma de Oliveira): "Você é piranha?" - Foto: Montagem/Reprodução/TV Globo
Paulo Pacheco

Publicado em 29/09/2020 às 05:09:01

Qual é o bordão mais marcante de Meu Bem, Meu Mal, novela lançada no Globoplay na última segunda (28)? Quem viu a trama em 1990 não tem dúvidas: "Eu quero melão". Recentemente, a fala de Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte) ganhou uma forte concorrente, que virou meme nas redes sociais: "Você é piranha?", dita por Jéssica (Mylla Christie).

Procurada pelo NaTelinha, Mylla Christie confessa ter se impressionado ao saber que sua primeira personagem havia viralizado: "Eu nem lembrava dessa frase". A cena ganhou força na internet quando a novela foi exibida pelo canal Viva, em 2016.

A "piranha" da cena é Ana Maria (Luma de Oliveira), namorada do pai de Jéssica, Ricardo (José Mayer). Rebelde, a adolescente soltou esta pergunta logo na primeira vez que conheceu a nova companheira do galã (para quem quiser pular para a cena no Globoplay, está no capítulo 17, de 16/11/1990).

Mylla Christie diz que tinha ótimo relacionamento com Luma de Oliveira e revela que a famosa cena demorou para ser gravada porque precisou ser repetida várias vezes.

"O diretor Paulo Ubiratan (1947-1998) falou: 'Quando você olhar para ela, pense em um palavrão e fale o texto', porque o ator trabalha com memória emotiva. A Luma estava tão sem graça que punha o cotovelo na mesa. Fizemos várias vezes para ela se sentir mais segura. Ela não conseguia fazer porque dava risada, e eu também. Uma hora, o diretor falou: 'Fique simpática', porque ela estava séria. 'Você não espera o que a Jéssica vai falar, dê um sorriso', aí ela conseguiu", recorda.

Para a atriz, a cena virou meme porque "piranha" caiu em desuso para xingar uma mulher tachada de "vagabunda" ou "interesseira".

"Naquela época falava piranha. Hoje em dia é uma palavra antiga, ninguém fala mais. O conceito mudou. A mulher hoje está mais empoderada, faz tudo ao mesmo tempo, é mãe, trabalha, leva dinheiro para casa. A Jéssica via que a Ana Maria era uma menina que ficava lá e não fazia nada. Ela não gostava de ninguém que se aproximasse do pai dela", conta.

Mylla Christie: "Sofri preconceito"

Ex-ginasta e modelo internacional, Mylla Christie tinha 18 anos quando foi chamada pelo diretor Paulo Ubiratan e pelo autor de Meu Bem, Meu Mal, Cassiano Gabus Mendes (1929-1993) para estrear em novelas. Sem experiência como atriz, ela alega ter sido discriminada por colegas veteranos.

"Enfrentei muito preconceito na época. Os atores olhavam de lado para mim: 'Como assim, uma modelo, se eu estou aqui porque fiz teatro?'. A princípio, eu estava insegura e não queria fazer: 'Vou ser neta do Lima Duarte e nunca fiz teatro'. Senti muito medo mesmo. Falei para o diretor: 'Não sei se vou conseguir fazer'. Ele respondeu: 'Vai conseguir, a gente te ensina. Vai porque você foi a escolhida'", relembra.

Após o sucesso de sua personagem, Mylla Christie engatou cursos de teatro e acumulou papéis marcantes na Globo, como Eleonora, em Senhora do Destino (2004). Com Verônica, em As Aventuras de Poliana (SBT, 2018), se reconectou ao público infantil para quem trabalhou nos programas Zap (Record, 1989) e Clube da Criança (Manchete, 1993).

 

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