Adriana Araújo cita omissão do Estado e cobra solução sobre feminicídio
Jornalista se revoltou com casos recentes de agressão contra a mulher
Publicado em 03/12/2025 às 19:58
Em participação no NaTelinha Talk desta quarta-feira (3), Adriana Araújo cobrou ações mais eficazes das autoridades em relação aos feminicídios e casos de agressão contra a mulher. No último dia 1º, a âncora do Jornal da Band se emocionou ao vivo ao noticiar o atropelamento de uma mulher que teve as pernas amputadas após ser arrastada propositalmente por um carro dirigido pelo ex-namorado.
"O fato de isso [feminicídio] ter chegado à lei é resultado de anos e anos em que a mulher foi considerada objeto de posse do homem. Nos dias de hoje, são outras razões. Isso vem se repetindo, não podemos chamar de onda de violência, não é uma onda temporária", destacou.
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A apresentadora expôs alguns números alarmantes e seguiu seu discurso: "Outros fatores, as próprias redes sociais, os discursos extremamente conservadores, os movimentos Red Pill, os homens que vão para as redes fazendo discurso de ódio contra as mulheres... Tem uma série de fatores, e um dos fatores é, na minha opinião, a omissão do Estado".
"A gente tem lei? Temos. A gente tem uma lei de que o feminicídio tem uma pena de até 40 anos de prisão. Mas o homem pega 10 anos, mas com o 'bom comportamento' a pessoa paga seis anos e vai embora. Não basta colocar em uma lei, um papel frio. Se a gente não tiver ação concreta todos os dias no nosso país contra o feminicídio, não vai acabar", alertou Adriana Araújo.
Foi aí que a comunicadora deu uma sugestão para as autoridades: "Por que a gente não tem, nesse país, um gabinete de crise montado com todos os representantes do Governo Federal, da sociedade civil, as ONGs de mulheres que lutam contra a violência contra a mulher? Mapeando, discutindo pra onde caminhar para isso acabar?".
"Por que não tem um gabinete de crise até o dia em que a gente possa dizer 'conseguimos acabar com essa praga que são os feminicídios e as agressões contra as mulheres?'", questionou ela.
"Uma de nós pode ser vítima", alerta Adriana Araújo
Ainda no NaTelinha Talk, Adriana Araújo disse que seu desabafo na Band foi o desabafo de alguém que consegue imaginar a dor de uma mulher que passa pelo que Tainara, que ainda está internada e sendo submetida a diversos procedimentos cirúrgicos, passou.
"Eu falo com o coração, mas sei que a dor que está no meu coração está no coração de muitas mulheres, de milhares de mulheres que sabem que uma de nós pode ser a próxima vítima. São mulheres que conseguem pensar na Tainara e imaginar 'qual é a dor que essa mulher vai viver para o resto da vida dela'?", pontuou.