NaTelinha Talk

Adriana Araújo chora ao relembrar caso de feminicídio: “Não tenho palavras”

A entrevista com Adriana Araújo foi conduzida por Drika Oliveira e Helô Amighini no canal NT+Talk, no YouTube


Adriana Araújo falou sobre feminicídio no NaTelinha Talk
Por Daniel César

Publicado em 03/12/2025 às 20:02,
atualizado em 03/12/2025 às 20:15

Nesta quarta-feira (3), Adriana Araújo detalhou como foi noticiar as agressões contra Tainara Souza Santos, atingida por um carro e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em São Paulo. A jornalista afirmou que chorou ao abordar o caso tanto na BandNews FM quanto no Jornal da Band. O relato foi dado em entrevista ao canal NaTelinha Talk, conduzida por Drika Oliveira e Helô Amighini.

Ao lembrar de como conduziu o noticiário na rádio, Adriana afirmou que não encontrou maneira imediata de iniciar o comentário. “Chorei no ar essa semana. Na hora que sentei para falar no microfone da BandNews FM, pensei assim: ‘Qual é a palavra? O que você fala agora?’. Eu me perguntei isso. Que palavra você vai dizer para de alguma forma sensibilizar as pessoas?”, disse.

Segundo ela, a tentativa de expressar o impacto daquela notícia a levou a pensar na família de Tainara. Durante a entrevista, Adriana explicou que o choque diante do caso permaneceu ao longo do dia. Ela relatou que a dificuldade para encontrar termos adequados acompanhou seu trabalho na rádio.

“Naquele dia, eu fiquei pensando e não tinha mais palavra. Essa frase ficou o tempo todo na minha cabeça: ‘Eu não tenho mais palavras para dizer o quão absurdo, o quão escandaloso’. É como se você tivesse escalado todas as palavras possíveis para definir a barbárie”, afirmou.

A jornalista disse que a reação ao crime envolveu identificação com mulheres que poderiam estar na mesma situação. “Comecei a falar e pensei na Tainara. Poderia ser uma irmã, uma tia, uma prima, minha filha, qualquer uma de nós pode ser vítima. Foi uma dor tão profunda que desabafei no microfone da rádio”, relatou.

Em seguida, afirmou ter se questionado sobre o limite de sofrimento imposto às mulheres no país. “Pensei: ‘O que falta mais? Qual dor de uma mulher precisa sentir neste Brasil para você falar que agora foi tudo, que agora acabou?’”.

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Adriana descreveu que o comentário feito na BandNews FM ocorreu enquanto chorava. “Fiz esse desabafo na rádio aos prantos. O que mais vamos ter que viver? O que nós vamos ter que suportar? Falei com toda dor que estava dentro do meu coração”, disse.

Ao chegar para ancorar o Jornal da Band à noite, afirmou que o sentimento permanecia presente. Segundo ela, o espaço mais curto de comentário no telejornal não alterou o conteúdo emocional do relato. “Fiz então um comentário muito mais curto, mas com essa dor que está dentro de mim ao falar toda vez que foi mais uma”.

Ao falar sobre a rotina diante de casos semelhantes, Adriana afirmou que a cobertura tem impacto contínuo. “Mexe muito com a gente, mas vamos com força”, disse.

Em seguida, apontou que, apesar do cansaço, segue trabalhando. “Claro que tem hora que eu falo: ‘Não aguento mais’, mas aguentamos”.

Para ela, o histórico de violência contra mulheres no país reforça a necessidade de resistência coletiva. “Acho que as mulheres têm uma capacidade, por toda nossa história, que a gente vive entre o medo e o luto, mas encontramos força e vamos em frente. E sempre unidas, né?”.

Quem é Adriana Araújo?

Adriana Araújo chora ao relembrar caso de feminicídio: “Não tenho palavras”

A trajetória de Adriana Araújo começou em 1992, em Belo Horizonte, sua cidade natal, quando iniciou carreira na TV Globo Minas. Em 1995, passou a produzir reportagens para telejornais da emissora em rede nacional, como Jornal Nacional, Bom Dia Brasil e Jornal Hoje. A partir de 2002, atuou em Brasília cobrindo política e economia.

NaTelinha Talk: Adriana Araújo é a entrevistada desta quarta-feira; assista

Em 2006, transferiu-se para a Record, onde ancorou o Jornal da Record com Celso Freitas e foi correspondente internacional em Nova York. Após retorno ao comando do telejornal em 2013, deixou o posto e a emissora em 2021, após 15 anos. Foi contratada pela Band pouco depois.

Atualmente, Adriana apresenta o Jornal da Band, mantendo atuação como uma das principais âncoras do telejornalismo no país.

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