Sucesso

70 anos de TV: Sete novelas que enfrentaram e deram um susto na Globo

As tramas viraram fenômeno de audiência mesmo fora da Globo

70 anos de TV: Sete novelas que enfrentaram e deram um susto na Globo
Novelas fora da Globo fizeram muito sucesso - Foto: Montagem

Publicado em 18/09/2020 às 06:19:42

Por: Daniel César

Nesta sexta-feira (18), a televisão brasileira completa 70 anos, desde sua primeira transmissão pela TV Tupi, e um dos principais produtos é a telenovela. O formato de dramaturgia ganhou espaço graças à Globo, que se transformou num fenômeno para reunir a família brasileira. Mas em alguns momentos específicos, a maior emissora do país tomou um susto ao ver novelas de outros canais fazerem sucesso no Ibope.

Se no começo das transmissões, TV Tupi e a Excelsior comandavam a audiência em termos de dramaturgia, rapidamente a Globo se consolidou como a maior emissora do país e foi responsável pelas novelas mais icônicas. Mas houve momentos que canais como SBT, Record e até a extinta Manchete conseguiram se intrometer e produzir tramas inesquecíveis.

70 anos de TV: Relembre novelas de sucesso fora da Globo

Pantanal (1990)

A Manchete já vinha tentando investir em novelas desde a década de 80, mas sem conseguir atrair grande audiência. Em 1990, Benedito Ruy Barbosa deixou a Globo porque não conseguia fazer sua sinopse ser produzida e recebeu a promessa de que veria a trama no ar na emissora rival. Não deu outra, rapidamente Pantanal foi colocado no ar e virou um fenômeno imediato.

Com 21,65 pontos de média no Ibope, a novela protagonizada por Cristiana Oliveira no inesquecível papel de Juma Marruá foi um fenômeno que obrigou a Globo a tentar mexer na programação, já que a Manchete virava líder imediatamente depois do capítulo de Pantanal iniciar, após o fim da novela das oito. A trama se tornou tão icônica que no ano que vem, mais de trinta anos depois, um remake vai ao ar no principal horário do canal carioca.

Éramos Seis (1994)

No meio da década de 90, Silvio Santos decidiu investir em teledramaturgia depois de encarar o sucesso de tramas mexicanas como Carrossel. O SBT então comprou os direitos do roteiro de Éramos Seis, novela exibida nos anos 70 na TV Tupi e que havia sido escrita por Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho. Mesmo com Silvio estando na Globo e se mostrando contrário à exibição, o parceiro vendeu sua parte e ainda foi supervisor da nova versão.

A novela foi protagonizada por Irene Ravache e fez tanto sucesso na tela do SBT, que chegou a ter duas exibições diárias para aumentar o público. Éramos Seis terminou com média de 14,7 pontos e virou uma pedra no sapato da Globo enquanto esteve no ar. Em 2019, a Globo também fez uma versão da história, dessa vez protagonizada por Glória Pires e com texto de Ângela Chaves.

Chiquititas (1997-2001)

Ainda empolgado com o sucesso de seu departamento de dramaturgia, o patrão comprou os direitos de uma novela teen Argentina e surpreendeu todo mundo ao decidir levar o elenco para o país vizinho a fim de gravar a trama. Chiquititas foi um sucesso imediato, vendeu milhões de CD e revelou nomes como Bruno Gagliasso, Débora Falabella e Fernanda Souza.

Dividida por temporadas no melhor estilo Malhação, a história teve cinco temporadas, a maioria com alta audiência. A terceira temporada teve 18 pontos de média geral e é o maior sucesso nacional das novelas do SBT ainda hoje. Nesta década, a emissora fez uma nova versão do folhetim pelas mãos de Íris Abravanel e voltou a revelar artistas, como Giovanna Griggio e Gabriel Santana.

Prova de Amor (2005)

Em 2004 a Record iniciou o projeto A Caminho da Liderança e investiu pesado em novelas. Naquele ano já havia levado ao ar A Escrava Isaura, mas foi no ano seguinte que viu ir ao ar um fenômeno de audiência, que chegou a disputar a liderança com a novela das sete da Globo. Pelas mãos de Tiago Santiago, a novela teve nomes conhecidos do grande público como Bianca Rinaldi, Marcelo Serrado e Lavínia Vlasak, além de Vanessa Gerbelli de vilã, recém saída de Mulheres Apaixonadas.

A trama terminou com 16,6 pontos, maior Ibope da história da emissora e virou mania nacional, elevando Tiago Santiago ao panteão dos autores com salários milionários e garantindo a ele a oportunidade de escrever projetos ainda mais ousados, como Os Mutantes.

Vidas Opostas (2006)

A primeira novela da TV brasileira a colocar a favela como protagonista chocou parte dos telespectadores mais convencionais, mas rapidamente se transformou num fenômeno de audiência e também beliscou a liderança em alguns momentos ao enfrentar a poderosa Globo. Marcílio Moraes criou uma espécie de conto de fadas no meio do tiroteio de uma favela carioca e agradou o público.

A trama fechou com média de 13,1 pontos e deu fôlego para o projeto de liderança da Record, que vinha apresentando sinais de desgaste com outras novelas da emissora. Ainda hoje, Vidas Opostas é lembrada como um dos projetos mais ousados da emissora paulista nesta fase de maior investimento em dramaturgia.

Os Mutantes (2007-009)

O projeto de trilogia em uma telenovela foi mais uma ousadia desta fase da Record. Tiago Santiago levou ao ar em 2007 a novela Caminho dos Corações, no principal horário de novelas do canal, o das 22h30, e rapidamente conquistou uma legião de fãs. Num universo fantástico moderno, no melhor estilo X Men, a trama fez tanto sucesso que ganhou mais duas temporadas, com outros nomes.

Caminhos do Coração terminou com 15,3 pontos e fez com que a Record se empolgasse e mudasse o horário da segunda temporada, batizada de Os Mutantes. A trama debutou contra a novela das 21h da Globo e foi ao ar no mesmo dia da estreia de A Favorita, conquistando grande audiência e barrando a rival. Mas com o desgaste, o segundo ano entrou em declínio e terminou com 13,6. Mesmo assim, a emissora deu umais uma temporada, chamada Promessas de Amor e que chegou ao fim com 8,9 pontos de média, bem abaixo das outras.

Os Dez Mandamentos (2015)

Em 2015, após constantes crises de audiência em suas telenovelas, a Record mudou completamente o formato, deu mais poder para a Igreja Universal do Reino de Deus e passou a investir em novelas bíblicas. A escolhida foi Os Dez Mandamentos, produzido pelas mãos de Vivian de Oliveira, evangélica de carteirinha e mulher de confiança da filha de Edir Macedo.

E a estratégia não poderia ter sido melhor, a história de Moisés teve 176 capítulos e 16,3 pontos de média, quase se tornando o maior fenômeno do canal. Na travessia do Mar Vermelho, a novela chegou a ficar na liderança contra a novela das nove da Globo, um feito raríssimo de se conquistar. O sucesso foi tanto que a trama ganhou segunda temporada, que fechou com 15,6 de média.


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