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Brilhando em "Cine Holliúdy", Letícia Colin reafirma sua versatilidade

A talentosa intérprete chama atenção pela constante reinvenção artística

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Fotos: Divulgação

Thallys Bruno
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Thallys Bruno

Thallys Bruno Almeida é um grande fã de teledramaturgia brasileira e adora escrever sobre novelas e séries. Agora está no NaTelinha. Siga-o no Twitter: @thallysbalm

Publicado em 17/06/2019 às 05:57:07

Ela surgiu para o Brasil ainda criança, no seriado dos irmãos Sandy e Junior. Logo chamou a atenção do público quando integrou a elogiada temporada 2002 de “Malhação”. E de lá para cá, Letícia Colin não parou mais. Com passagens por diversas emissoras, a então promissora atriz foi aprimorando seu talento e ganhando experiência e reconhecimento. E, agora, adulta e consolidada, mostra em “Cine Holliúdy” que deixou de ser uma promessa e virou uma realidade. Mais que isso: uma atriz de fartos recursos, capaz de se reinventar em cena como poucas em sua geração.

Na divertida série baseada nos filmes de Halder Gomes, ela vive Marilyn, uma lindíssima jovem chegada de São Paulo que se vê entediada com a pacata vida em Pitombas, até conhecer o visionário “cinemista” Francisgleydisson (Edmilson Filho). A enteada do prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele) e filha de Maria do Socorro (Heloísa Perissé) logo se torna a musa do cearense, que luta para manter o seu Cine Holliúdy aberto frente à chegada da televisão.

E é ao lado do rapaz e de seu amigo Munízio (Haroldo Guimarães) que ela vive as mais tresloucadas aventuras possíveis na busca do protagonista em manter viva a arte do cinema na região, com direito até mesmo a alienígenas e a criação de uma história de amor que não tenha beijo só para que o apaixonado “cinemista” mantenha sua amada longe do sedutor galã vindo da capital.

Ao longo dos episódios da série, Letícia empresta talento, charme e carisma à sua apaixonante personagem, subvertendo o clichê da mocinha romântica junto ao inspirado roteiro dos autores Márcio Wilson e Cláudio Paiva e formando um delicioso e impagável trio cômico junto aos protagonistas. Ela ainda confere um mais que bem-vindo ar de originalidade à série, uma vez que a personagem não existe nos filmes originais de Halder Gomes (nos quais o protagonista é casado e tem um filho).

Esta incursão pela comédia evidencia o quanto Letícia se tornou uma atriz completa, versátil e competente, sendo merecidamente disputada pelos autores para suas obras. Sua habilidade para compor tipos ainda merece elogios pelas ótimas parcerias cênicas que cria com atores de variadas gerações, como também é o caso de Matheus Nachtergaele e Heloísa Perissé, igualmente impagáveis na série.

A trajetória de Letícia também chama atenção por sua passagem por outras emissoras: após sair de "Malhação", ela se aventurou como apresentadora da extinta "TV Globinho" e, ingressando na Band, se tornou uma das principais personagens de “Floribella” (2005-06), sucesso infanto-juvenil da emissora paulista, protagonizada pela também talentosa Juliana Silveira e baseada na argentina “Floricienta” (de Cris Morena, mesma criadora de "Chiquititas").

Logo após a trama infantil, ela migrou para a Record, onde interpretou sua primeira vilã, a Helô de “Luz do Sol” (2007). Mas seu primeiro grande momento na TV dos bispos foi em “Chamas da Vida”, onde emocionou na pele de Vivi, irmã do protagonista Pedro (Leonardo Brício) e que chamou atenção por ter sido abusada pelo professor, o pedófilo Lipe (André di Mauro). As densas sequências revelaram uma forte capacidade dramática da atriz, merecidamente elogiada.

Depois de outros papeis na Record, voltou à Globo em 2013, na malfadada “Além do Horizonte”, com uma personagem de menor importância. Em “Sete Vidas” (2015), última novela de Lícia Manzo, formou uma emocionante e linda parceria com Isabelle Drummond. Mas seu grande momento viria mesmo em “Novo Mundo” (2017), de Alessandro Marson e Thereza Falcão. Vivendo a imperatriz Maria Leopoldina, Letícia foi merecidamente apontada como uma das melhores atuações daquele ano, pela sensibilidade que conferiu ao espírito idealista da monarca.

Mais recentemente, Letícia se reinventou explorando um campo mais ousado e sensual em sua última personagem, a Rosa de “Segundo Sol” (2018), de João Emanuel Carneiro. A empoderada garota de programa, que nunca se dobrou para o machismo do pai Agenor (Roberto Bonfim), começou a roubar a cena em virtude de sua trama promissora e seu relacionamento quente com o rebelde Ícaro (Chay Suede), resultando em sequências tórridas que empolgaram o público e ofuscaram os protagonistas da trama. No entanto, JEC prejudicou a condução da história de Rosa sem qualquer lógica, tornando-a totalmente diferente do que era em sua essência. Ainda assim, Letícia manteve-se esbanjando talento até o fim e conferindo dignidade a um papel que havia sido destruído sem mais nem menos.

Agora, transitando pela seara da comédia, Letícia Colin comprova mais uma vez que deixou de ser uma atriz promissora para se tornar um talento reconhecido, capaz de se reinventar a cada história e conferir competência aos mais variados tipos que recebe dos autores. E mais um grande desafio virá pela frente: a série “Onde Está Meu Coração”, do Globoplay, onde a atriz será uma médica que tem problemas com drogas. A exemplar trajetória de Letícia lhe confere credibilidade para encarar qualquer universo.

Sem dúvida, um exemplo para muitas de sua geração.


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