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Por que os anos 2020 prometem ser os mais transformadores da TV

Um novo tempo se inicia nesta quarta-feira (1º)

Por que os anos 2020 prometem ser os mais transformadores da TV
O que os anos 2020 reservam para a TV? - Reprodução/Shutterstock

Publicado em 01/01/2020 às 08:30:15

Por: Thiago Forato

Os anos 2010 já chegaram ao fim. Enquanto alguns dizem que uma nova década se inicia nesta quarta-feira (1º), para outros é somente em 2021. O fato é que os anos 2020 já começaram.

Com ele, a certeza de serem anos transformadores na TV e talvez até na maneira de se consumir este veículo de massa que é o principal lazer dos brasileiros há décadas.

Ainda que a internet tenha se proliferado juntamente com serviços por streaming, a força da televisão aberta ainda é gigantesca. Uma grande vitrine. Na verdade, a maior delas, já que quase 97% dos lares brasileiros possuem acesso à telinha.

Anos 2010

Nos últimos 10 anos, é bem verdade que muita coisa mudou. A Netflix, líder do segmento no streaming, desembarcou no Brasil para oferecer um vasto catálogo de conteúdo a um preço popular. Muitos aderiram e até substituíram a televisão por assinatura.

Hoje, a concorrência é maior. A Netflix ainda reina, outras plataformas como Amazon Prime Video e Disney+ estão surgindo para desbancá-la.

A televisão por assinatura, aliás, que teve um grande "boom" entre 2011 e 2013, chega no início de 2020 com viés de queda há quatro anos. Números alarmantes para um serviço que pouco está sabendo se reiventar.

Assinaturas caras com pacotes pouco atrativos e dezenas de canais pouco úteis (aqueles que ninguém assiste) vão fazendo o brasileiro deixar o serviço de lado, para aquele que já foi um luxo. Hoje, descartável para muitos.

Anos 2020 - Apresentadores e programas de auditório

Nossa TV está importando cada vez mais formatos do exterior. O maior exemplo disso é a Record, que colocou suas principais estrelas para apresentar realities.

Nomes como Silvio Santos, Fausto Silva, Celso Portiolli, Eliana, Ana Maria Braga, Luciano Huck e mais recentemente uma das maiores perdas de 2019, Gugu Liberato, não parecem ter substitutos.

Chegaremos em 2029, possivelmente, sem a maior parte desses animadores e apresentadores no ar. E não há reposição no mercado.

A próxima década promete uma grande transformação nesse sentido, e não é loucura imaginar que aconteça uma abolição no modelo de programa de auditório "raiz" e uma migração total para os formatinhos engessados e quadrados.

Eventos ao vivo e jornalismo

A televisão aberta deve continuar como grande fonte de informação ao brasileiro com a cobertura de tragédias, eventos esportivos e mundiais e coisas do tipo. Embora grande parte da população já tenha a internet, como disse no início, a TV aberta ainda é a grande vitrine.

Eventos como as Olimpíadas, Copa do Mundo e muito jornalismo ainda vão tomar conta da TV por muitos e muitos anos, assim como a dramaturgia, que é o próximo tema a ser tratado.

Novelas, séries: a dramaturgia

A explosão de séries nos últimos anos se intensificou. As opções são inúmeras. Apenas para ficar na Netflix, muitos passam horas escolhendo o que desejam assistir. É um mar de conteúdo.

O mercado audiovisual está aquecido como nunca e o Grupo Globo, com a construção de um novo complexo de estúdios no Rio de Janeiro, mergulhou de cabeça neste universo com o Globoplay.

Outras emissoras independentes e produtoras estão a todo vapor movimentando o mercado e é um segmento que nunca esteve tão em alta.

O Brasil é o país da novela. Ainda continuará sendo. Os grandes números podem se tornar mais raros. Novelas chegando aos 50 pontos pode vir a ser chocante, mas basta uma história que caia no gosto do público para que ele volte a sintonizar a televisão, seja em que horário for. Afinal, a cada ano que passa, 1 ponto de audiência vale cada vez mais em número de pessoas e lares. Questão de proporção.

Avenida Brasil, que foi um divisor de águas há oito anos com a ascensão da classe C, mostrou uma maneira diferente de escrever folhetim. A reprise mantém a alta audiência nas tardes e prova que não envelheceu. Pelo contrário, ainda é bastante contemporânea.

Cada emissora terá que se mexer e perceber o que o público deseja, como sempre aconteceu na história da TV. A tendência é que agora exista folhetins mais curtos, menos barrigas e mais dinamismo dentro da história. Novelas com nove meses estão fora de cogitação há anos, ao menos na Globo e Record, que produzem dramaturgia para adultos.

O SBT insiste em desgastar até a última gota seja de qual produto for, inclusive novelas. Embora As Aventuras de Poliana tenha nova temporada em 2020, é inegável que a trama se desgastou. Para quem já alcançou 16, 17 pontos, hoje não passa perto disso.

Por fim...

Os anos 2020 prometem. E muito. Ao final deles, certamente estaremos sem os grandes nomes que fizeram história nela.

Ao mesmo tempo, com muito mais opções de conteúdo, numa concorrência no mercado audiovisual que promete ser cada vez mais ferrenha. E possivelmente, acessível.

Ao longo dos últimos 10 anos, também vimos grandes transformações. Hoje podemos assistir a praticamente tudo quando e onde quisermos. Tem para todos os gostos.

No que tange a tecnologia, então, nem se fala. Enquanto o HD estava engatinhando lá em 2010 e era uma grande novidade, já que somente há três anos ela existia por aqui, hoje já é uma realidade. TV de tubo virou trambolho e muitos já partiram para as grandes e finas telas. Muitas delas, Smarts, um grande ganho. Mais conteúdo. Mais praticidade.

Hoje, é a tecnologia 4K quem está engatinhando. As TVs abertas mesmo não utilizam a tecnologia, mas os principais streamings já têm produtos capazes de reproduzi-la. Tudo mais realista, mais prazeroso de se ver. É um grande exercício imaginar como estaremos nesse sentido ao final de 2029 depois de mais duas Copas do Mundo e três Olimpíadas.

A ver o que o futuro nos reserva para os próximos.

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Thiago Forato é jornalista, escreve diariamente para o NaTelinha e deseja um feliz 2020 a todos neste primeiro artigo do ano. Assina a coluna Enfoque NT desde 2011. Converse com ele pelo e-mail thiagoforato@natelinha.com.br ou no Twitter, @tforatto




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