Fim

5 lições do desfecho de Bom Sucesso para o Brasil de 2020

Novela chegou ao fim com mensagem política e respeito à diversidade

5 lições do desfecho de Bom Sucesso para o Brasil de 2020
Último capítulo de Bom Sucesso teve ode à tolerância e à literatura - Globo/Reprodução

Publicado em 25/01/2020 às 17:50:00 ,
atualizado em 25/01/2020 às 18:31:14

Por: Walter Felix

Bom Sucesso terminou sua jornada vitoriosa no horário das sete na noite de sexta-feira (24), na Globo. Escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm, a novela levantou bandeiras de diversidade e fez uma ode à literatura e à educação - mensagens urgentes e certeiras para o Brasil de 2020.

O amor de Alberto (Antonio Fagundes) e Paloma (Grazi Massafera) pelos livros, o que consolidou a amizade entre eles, fez com que as obras citadas pelos personagens tivessem suas vendas impulsionadas fora da ficção. Já é um feito e tanto para o folhetim, que foi além.

No último capítulo, Bom Sucesso voltou a frisar valores defendidos ao longo de seus 155 capítulos. Confira, a seguir, cinco mensagens dos autores muito pertinentes para o atual momento do país:

Tolerância religiosa

O reencontro sobrenatural entre Alberto e Paloma, após a morte do editor, encerrou a novela. A diferença de crenças nunca foi barreira para a amizade entre os dois e o respeito mútuo foi ressaltado na cena final. Paloma é cristã, mas Alberto é ateu e manteve suas convicções mesmo após a morte.

"Não existe coincidência quando a gente tá nas mãos de Deus", disse a mocinha. "Você sabe que eu não acredito nisso", rebateu o espírito de Alberto. "Pois bem, então eu acredito por nós dois, porque pra mim o senhor tá no céu", finalizou a ex-costureira, que sorri e abraça o amigo.

Cutucada nos terraplanistas

O diálogo com o cenário político brasileiro, constante durante toda a história, não ficou de fora do último capítulo. Logo após a fala sobre religião, Alberto fez questão de frisar que a terra não é plana, ao contrário do que correntes ideológicas, popularizadas recentemente, insistem em defender.

"O céu é lindo, mas muito distante e um pouco entediante. A única vantagem é que a gente pode dizer que a Terra é redonda e azul, como diziam os astronautas", esclareceu Alberto.

Discursos políticos na boca do vilão

Dado como morto, Diogo (Armando Babaioff) reapareceu para pagar por seus crimes atrás das grades. Por diversas vezes, ao longo da novela, o personagem serviu para que os autores conferissem um subtexto à história. Ao assumir o comando da Prado Monteiro, por exemplo, o mau caráter afirmou que censuraria "publicações LGBTXYZ imorais", entre outras com "viés ideológico".

Em entrevista ao jornal O Globo, publicada na sexta (24), Rosane Svartman e Paulo Halm falaram sobre as comparações feitas entre Diogo e líderes políticos da atualidade. "Quando o secretário da Cultura (Roberto Alvim) foi defenestrado em sua arrogância nazista, coincidiu com a queda do Diogo da editora. A coincidência histórica é inescapável e reitera uma leitura da novela que não tem como a gente prever", disse Halm.

Todo amor vale a pena

Breve, mas nada inibido, o beijo entre dois homens foi um dos destaques do desfecho. O final feliz de Pablo (Rafael Infante) e William (Diego Montez) foi selado com um beijaço na Grécia, onde os dois encontraram Gisele (Sheron Menezzes), que também tinha sido dada como morta.

Na trama, Pablo era um ator que escondia sua sexualidade para manter o posto de galã de TV. Com o decorrer da história, ele dispensa um namoro fake com a estrela Silvana Nolasco (Ingrid Guimarães) e assume seu amor por William.

Ode à literatura

No início do mês, o presidente Jair Bolsonaro criticou livros didáticos brasileiros, que, segundo ele, são "um lixo" e "têm muita coisa escrita". Em outubro de 2019, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, tentou censurar uma publicação na Bienal do Livro por conter a imagem de um beijo entre dois super-heróis.

Em tempos de retrocessos na educação e de ataques à literatura, Bom Sucesso foi um alento. Do início ao fim, as referências a livros clássicos, de escritores do Brasil e do mundo, impulsionaram as vendas das publicações citadas. Um paralelo entre a trama e as histórias lidas pelos personagens permeou toda a novela.

O hábito da leitura, cultivado por Alberto, foi transmitido para a mocinha da história. No último capítulo, Paloma colocou um fim à novela lendo A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água, de Jorge Amado, publicado em 1959. Antes, a pequena Sofia (Valentina Vieira) citou versos de Mário Quintana em homenagem ao avô.




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