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RBD no streaming abre possibilidade para reunião, diz criador de grupo

Em entrevista ao NaTelinha, Pedro Damián comenta sucesso da discografia nas plataformas digitais

Pedro Damián posa com os seis protagonistas de Rebelde
Pedro Damián posa com os seis protagonistas de Rebelde (Foto: Reprodução)
Paulo Pacheco

Publicado em 06/09/2020 às 05:00:00

A estreia do RBD nas plataformas de streaming sacudiu a internet desde a última quinta-feira (3). O grupo mexicano, formado pelos seis protagonistas da novela Rebelde (2004-2006), exibida no Brasil pelo SBT, bateu o recorde do fenômeno do k-pop BTS e dominou as paradas do Spotify.

Das 50 músicas mais executadas do Brasil no aplicativo, sete são dos artistas latinos. O ranking viral é ainda mais impressionante: 39 canções aparecem na parada nacional (sendo sete nas primeiras posições) e 21 na lista global.

O sucesso da discografia do RBD, mesmo 16 anos depois da primeira exibição da novela, estimulou os fãs a pedirem um sonho antigo: a tão esperada reunião para uma turnê comemorativa, o que não acontece desde 2008.

O reencontro ganhou força nas redes sociais principalmente após o lançamento de um site com uma contagem regressiva para 4 de outubro (Dia Mundial do RBD). Quem também está otimista para ver os artistas voltarem a trabalhar juntos é o produtor da trama e criador do grupo, Pedro Damián.

Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, o renomado diretor de novelas acredita que o êxito dos álbuns do RBD nas plataformas digitais pode estimular os seis protagonistas de Rebelde para um novo projeto, como uma turnê ou, em função da pandemia de coronavírus, uma live.

Responsável por sucessos como Chispita (1983) e Carrossel (1989), Pedro Damián recebeu da rede mexicana Televisa a missão de adaptar a trama argentina Rebelde Way, de Cris Morena (autora de Chiquititas), mas foi além e transformou os seis protagonistas em ídolos pop. Juntos, venderam mais de 10 milhões de álbuns.

"Criamos a música, o grupo, o show, tudo sem redes sociais. Hoje seria uma bomba. Eles representam uma geração, e esta geração segue viva. A nova geração que vai conhecê-los vai somar, sem dúvida, e vamos chegar a lugares que não pudemos por questão de tempo, como o Japão. Estes fenômenos são muito difíceis que se repitam, é geracional. Agora não há uma ideia geracional que pode levar a um fenômeno desta natureza. Certamente existirá, porém mais para frente", projeta Pedro Damián.

Leia a íntegra da entrevista com Pedro Damián, produtor de Rebelde e criador do grupo RBD:

NaTelinha: Os fãs de Rebelde nunca abandonaram os artistas. Você passou um dia sem que um fã pedisse o retorno de RBD?

Pedro Damián: Não! Todos os dias tinha que responder algo, e às vezes não respondia porque as coisas estavam bem difíceis, parecia não haver nunca um acordo entre Televisa e a gravadora Universal, e no final resultou que sim. Já temos RBD em todas as plataformas. Esta geração sempre esteve aí, nunca se foi. Serei grato infinitamente.

Você mantém contato com os seis integrantes? Conversou com eles a respeito da discografia nas plataformas digitais?

Sim. Há algum tempo não falo com eles, mas às vezes volto a me conectar. A reação deles foi incrível, fizeram os anúncios e tudo, estão felizes, pois ressurgiram de uma forma como não esperavam.

RBD no streaming abre possibilidade para reunião, diz criador de grupo

Você tirou a foto do reencontro dos seis integrantes do RBD no Natal de 2019...

Fui eu? Sim, fui eu! (Risos)

Foi o primeiro passo para que os fãs alimentassem o retorno do grupo. Como o lançamento da discografia pode representar o início de um reencontro pessoal, em algum show, programa de TV ou live, já que estamos em uma pandemia?

O primeiro passo foi dado. Agora é esperar que as coisas se acomodem, que eles também acompanhem todo o processo que acontece com a música e tenham vontade para se reunirem em algum tipo de show, presencial ou virtual em função da pandemia. Mais para a frente, tomara que haja a oportunidade de fazer uma turnê para chegar novamente próximo ao público. Creio que eles levam uma mensagem de amor e fraternidade. Nos shows, Alfonso falava muito de guerras, da intolerância humana, e fizeram os fãs criarem consciência. Um momento bem espetacular no entretenimento para levar mensagem de que a vida segue e temos que ficar de pé.

Você é uma das pessoas mais interessadas neste encontro…

Mais do que interessado, digo que pode ser um momento histórico na indústria do entretenimento e da música estes seres humanos que seguiram carreiras independentes dizerem: 'Vamos estar juntos no Maracanã outra vez'. Seria maravilhoso!

Vou dar um exemplo do Brasil. Sandy e Junior, dois irmãos que começaram a cantar ainda crianças, cresceram e se separaram. No ano passado, eles se reuniram para uma série de shows, e a turnê foi a segunda mais lucrativa do mundo, atrás apenas de Elton John. Acredita que RBD poderia repetir este êxito?

Não duvido de nada, mas tudo tem seu tempo. O primeiro passo é desfrutar a música, fazer o público se conectar com o grupo, e o que vier será bem-vindo.

No Brasil, o sucesso do RBD teve um capítulo à parte, porque os artistas aprenderam português para cantar aqui. Qual foi o maior desafio neste trabalho?

Os fãs brasileiros, para mim, são talvez os mais poderosos do planeta, em todos os sentidos, porque se mexem, se transformam e são muitos, eles gostavam de espanhol, não queriam cantar em português. Os artistas aprenderam português muito bem, mas durante os shows cantavam em espanhol.

Entre as músicas de RBD, qual toca mais o seu coração?

Há dois temas que, para mim, são muito significativos. Um é Sálvame, porque também trabalhei na composição, e o outro é Tras de Mí, também escrito por mim e também com o maestro Carlos Lara, autor da maioria das músicas, como Rebelde. Sálvame traduz o que estamos passando no mundo. Devo também reconhecer a importância de Camilo Lara, CEO da EMI no México, o primeiro que acreditou em Rebelde. 

Sálvame, aliás, inaugurou o novo canal do RBD no YouTube. 

Gravamos no Canadá. Estávamos gravando a novela quando disseram: 'Vamos fazer o clipe'. Conseguimos as roupas de cowboys, a música, e o clipe fizemos com as câmeras e os cinegrafistas da TV. Não foi um clipe pensado três meses antes. Fizemos no momento, não demoramos mais do que seis horas gravando. Creio também ser muito importante agradecer à Televisa por ter me dado a oportunidade de fazer este projeto e por esse projeto ter se tornado o que é, e ao SBT por ter aberto o caminho de Rebelde no Brasil.

Muitos fãs reclamam que Alfonso Herrera parece distante dos outros RBDs. Saberia dizer por quê?

Observe que Poncho era um dos que menos cantava. Ele era um condutor incrível e levava as emoções ao público como queria. Creio que sua meta nunca foi cantar, talvez por isso tenha investido carreira de ator com renome internacional.

Na sua opinião, por que RBD vive até hoje?

São muitos motivos. Obviamente, o talento de muita gente que colaborou comigo no projeto, incluindo as personalidades, os talentos e os personagens que se conectaram a uma geração, e cada um deles se identifica com um grupo. Essa identificação os uniu, pois alguém estava a seu lado. Isso foi fundamental. Os músicos criaram temas que levaram a um renascimento do pop. Isso permite que depois saia o produto audiovisual que temos, o documentário, algum tipo de evento virtual. Abrem-se possibilidades para que aconteça um reencontro. Seria incrível.

O documentário com os bastidores do RBD está pronto ou aguarda alguma decisão legal?

Está em processo. É uma boa oportunidade para voltarmos a insistir no documentário, porque há direitos de imagem e, sobretudo, se os talentos estão de acordo em mostrá-los como são, como seres humanos. Seria bem importante vermos o processo de seis jovens que cresceram, não eram conhecidos no mundo do entretenimento e se tornaram estrelas mundiais em um período muito curto.

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