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SBT terá que assinar termo de conduta para evitar interdição de sede no Rio

Emissora tem vários casos do novo coronavírus

 SBT terá que assinar termo de conduta para evitar interdição de sede no Rio
Sede do SBT Rio passou por vistoria da Vigilância Sanitária - Foto: Divulgação

Naian Lucas, com Sandro Nascimento

Publicado em 22/04 às 05:39:05

Após a morte do editor de imagens José Augusto Nascimento Silva e ter quase metade dos funcionários do jornalismo afastados por contraírem o novo coronavírus, a direção do SBT terá que assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público para não correr o risco de ter sua sede no Rio de Janeiro interditada. O SBT Rio é alvo de uma investigação do MP sobre as condições de prevenção oferecidas aos seus colaboradores contra a Covid-19.

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Na última semana, a sede carioca do SBT recebeu a inspeção da Vigilância Sanitária, que não encontrou nenhum problema no local. A blitz ocorreu a pedido do Ministério Público. Segundo apurou o NaTelinha, a diretoria do canal de Silvio Santos realizou três vídeo-conferências com a Procuradora do Trabalho, Luciene Vasconcelos, sendo que a última ocorreu na segunda-feira (20). A reunião serviu para que fosse feito um acordo entre a Justiça e a emissora.

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Um dos pedidos feitos pelo MP é que o SBT terá que praticar sanitização três vezes ao dia de maneira mais profunda em equipamentos dos seus funcionários. As medidas têm como intenção evitar que os profissionais da casa fiquem expostos ao contágio do novo coronavírus.

Caso a direção do canal siga à risca os pedidos feitos pelo Ministério Público, é previsto que no dia 29 de abril seja assinado um acordo chamado Termo de Ajuste de Conduta (TAC), permitindo que a sede mantenha seu funcionamento normalmente durante a pandemia.  Porém, se o SBT se recusar a seguir as determinações do MP, o local poderá ser interditado através de uma liminar.

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No dia 13 de abril, José Augusto Nascimento Silva morreu aos 57 anos por coronavírus e 44% dos funcionários do SBT Rio foram afastados por conta da doença, como noticiou o NaTelinha no dia 05 de abril. Os que continuaram trabalhando afirmaram que viviam um drama com temor de contrair a doença na nas dependências do canal. Diante do problema, a diretoria contratou uma equipe de desinfecção para a sede carioca.

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Denúncias

Após a morte de Naná, apelido do profissional que faleceu, muitas denúncias surgiram, inclusive um áudio do editor de imagem foi publicado pelo site Notícias da TV, parceiro do UOL, no qual ele acabou expondo supostos problemas no canal. “Nenhum lugar no Rio de Janeiro tem mais casos suspeitos que no SBT”, disparou. O NaTelinha também teve acesso ao conteúdo.

“Eu agora estou sob suspeita, inclusive com atestado de 14 dias que o doutor deu porque me calcei, sabe que não sou burro. Se tiver que processar essa turma eu vou processar. Acho uma irresponsabilidade tremenda”, declarou o ex-funcionário.

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Sobre os áudios, o SBT enviou o seguinte comunicado: "A direção do SBT manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de seu colaborador, uma perda lastimável para todos, e presta toda a assistência à família, desejando que tenham força para superar este momento tão difícil. O SBT reitera que adotou as adequadas medidas para prevenção do contágio e enfrentamento dessa doença, atendendo as determinações dos órgãos de saúde e autoridades sanitárias, e desconhece a origem e circunstâncias dos áudios mencionados, e pede que todos tenham respeito e consideração pelas pessoas citadas".

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A reportagem também ouviu relatos de contratados que criticaram a demora para que fossem adotadas medidas de prevenção para o coronavírus no SBT Rio e que o prédio não teria ventilação, usando o termo insalubre para se referir às condições da filial.

"Se você multiplicar cada um, dentro da sua casa, com um grupo de quatro pessoas, olha o que esses caras estão arrumando com a família dos funcionários que estão ali no SBT.  Por uma gestão egoísta.  As pessoas estão entrando em quarentena e a gente que está na rua trabalhando e não tem respaldo de ninguém e ainda vai infectar dentro de casa que estão se protegendo, por inconsequências de chefias", desabafou um funcionário à reportagem publicada no dia 14 de abril.

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Com os problemas relatados, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o Sindicato dos Radialistas do Município do Rio de Janeiro e a Associação Brasileira da Imprensa (ABI) entraram com uma denúncia no Ministério Público.

"Nós entramos com uma denúncia no Ministério Público com a relação da sucursal do SBT no Rio. Muito estranho que uma emissora do porte do SBT, que está convivendo com esse problema há mais de 20 dias, não tenha tomada providencias quanto a isso. Chegou ao ponto de morrer uma pessoa e 35 delas estarem contaminadas", disse Arnaldo Cesar, membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), ao NaTelinha.

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A sede

O prédio do SBT Rio, onde fica o estúdio e a redação, é localizado na zona norte da cidade, no bairro de São Cristóvão. A sucursal ocupa o imóvel desde 1982, onde antes funcionava o Cine Fluminense. Embora tenha se adaptado para receber um canal de TV, internamente, o local é todo fechado e com pouca ventilação.

Inaugurada em 1976 como TVS (TV Studios), que acabou originando o SBT, a filial do Rio foi a primeira emissora de Silvio Santos. Mas nessa época, a sede ficava num pequeno estúdio na Rua General Padilha, no mesmo bairro.

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Atualização: Na madrugada desta quarta-feira (22), morreu o segundo funcionário do SBT Rio vítima do novo coronavírus. Robson Thiago Mesquita, conhecido como Tio Chico, era operador de câmera e estava internado há dias no Hospital Badim, localizado na Tijuca, Rio de Janeiro, mas não resistiu.