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Homenageado em Pantanal, Paulo Gorgulho revela receio com convite para remake da Globo

Destaque na versão original, ator volta à cena com "passagem de berrante" em participação especial na primeira fase da nova novela


Paulo Gorgulho como o peão Ceci na segunda versão da novela Pantanal, que estreia na Globo nesta segunda (28)
"Me senti muito privilegiado de poder participar desses dois momentos, do original e do remake", relata Paulo Gorgulho, que surge no remake de Pantanal com participação especial - Foto: Divulgação/João Miguel Junior
Por Walter Felix

Publicado em 28/03/2022 às 05:30:00

Paulo Gorgulho voltou ao Pantanal na pele do peão Ceci, espécie de “personagem-homenagem” criada para a nova versão da novela. O ator de 62 anos, que foi um dos destaques da versão original, grande sucesso da extinta Manchete em 1990, revela em entrevista exclusiva ao NaTelinha um receio ao ser convidado para integrar o elenco do remake, que estreia nesta segunda-feira (28), na Globo.

Quando me ligaram, tive um pouco de receio que me chamassem para fazer algum personagem fixo da novela. Não ia me sentir muito feliz e confortável, porque a primeira versão foi um marco tão grande na minha vida e na minha carreira que qualquer outro papel original que eu pegasse poderia não ser muito legal”, relata Paulo Gorgulho.

O ator aprovou o peão Ceci, papel escrito especialmente para ele pelo autor do remake, Bruno Luperi, neto do veterano Benedito Ruy Barbosa, responsável pelo texto original. “Quando soube que a proposta era me colocar nos termos de uma homenagem, com uma passagem de bastão – ou de berrante (risos) – fiquei bem emocionado. Me senti muito privilegiado de poder participar desses dois momentos, do original e do remake.”

“O peão Ceci é um vaqueiro velho que vive um conflito: não consegue se aposentar enquanto não achar alguém de confiança para ser seu sucessor. O escolhido é Joventino Leôncio (Irandhir Santos), que também se compromete a orientar e ser o mentor do filho José Leôncio (Drico Alves) para que o menino dê continuidade a seu legado.”

Paulo Gorgulho ganhou um segundo personagem na primeira versão de Pantanal após reunião com medalhões do elenco

Na primeira versão de Pantanal, Paulo Gorgulho interpretou José Leôncio, na primeira fase da história, e José Lucas de Nada, filho bastardo do protagonista que surge no decorrer da trama. Ele conta que esse segundo personagem não existia na sinopse original e foi criado a pedido do público, no rastro do sucesso do ator nos capítulos iniciais da trama.

“Lembro bem de uma reunião na sala do Jayme Monjardim [diretor] em que ele disse: ‘As linhas da Manchete estão congestionadas. Não dá para te tirar da novela, as pessoas gostaram muito do seu trabalho’. Era uma época em que não havia celular nem internet, então as pessoas ligavam para o telefone da emissora para reclamar.”

A decisão de trazer o ator de volta à trama envolveu até dois medalhões do elenco. “Houve muita consideração se era o caso de eu voltar ou não voltar. Tínhamos o Claudio Marzo e a Nathália Timberg como nossos expoentes máximos, então eles também foram chamados para opinar. No final, decidiu-se pela minha volta, por aclamação (risos). Acabei fazendo filho de mim mesmo.”

Ator voltou a gravar no Pantanal após 32 anos: “Foi um reencontro com novas sensações”

Homenageado em Pantanal, Paulo Gorgulho revela receio com convite para remake da Globo

Após 32 anos, Gorgulho voltou a gravar no Pantanal. “Foi um reencontro com novas sensações. O Pantanal estava muito diferente. Acho que estou ficando velho, porque que calor absurdo! (risos) Tinha feito calor quando fizemos a primeira novela, mas nada como sangue novo correndo nas veias. Isso foi o que mais me chamou atenção, em cima de um cavalo com uma roupa de couro. Mas o Pantanal é mágico justamente por suas características.”

Ele guarda várias recordações dos bastidores da novela original. “Ficávamos internados no Pantanal durante as gravações. Não tínhamos nem luz elétrica. O gerador desligava à meia-noite e tchau, amigo! Ou você caminhava sob a luz da lua e das estrelas ou precisava estar sempre com uma lanterna. Para falar com as famílias, era pelo rádio de uma fazenda, só aos finais de semana.”

Na nova versão, a fase jovem de José Leôncio é defendida por Renato Góes, enquanto José Lucas de Nada foi entregue a Irandhir Santos. A troca de experiência entre os atores ocorreu em encontros virtuais promovidos pela própria Globo. O diretor Rogério Gomes reuniu o novo elenco com artistas da versão original – entre eles, Marcos Palmeira, intérprete do peão Tadeu em 1990, que retorna como o protagonista na segunda fase da história.

“Todos os atores são muito respeitosos e reconhecem a importância desse projeto. Dissemos: ‘É outro trabalho, vamos em frente’. Conversamos sobre o que os personagens significaram para nós, mas não havia um cunho de orientação. A época é outra, os atores são outros, a história está sendo reescrita. Foi só uma troca de experiências.”

Remake de Pantanal na Globo não surpreendeu ator: “Me pareceu natural que fosse refeita”

Para a caracterização do peão Ceci, Paulo Gorgulho resgatou duas peças do figurino de 1990. “Eu tinha guardado do primeiro José Leôncio o chapéu e a calça bombacha, que é típica da região. Na época, ganhei de presente da figurinista e guardei todos esses anos em casa, bem emabalado”, conta.

Foi uma forma de complementar o tributo ao trabalho anterior, o que teve aval do diretor Rogério Gomes e da figurinista Marie Salles. “A cor nem era da paleta da figurinista, mas ela abriu uma exceção e compôs de uma outra maneira para incorporar as peças ao figurino desse personagem-homenagem.”

Homenageado em Pantanal, Paulo Gorgulho revela receio com convite para remake da Globo

Sucesso de audiência na Manchete, Pantanal incomodou a Globo no passado e passou a ser lembrada como um dos raros momentos em que a emissora viu a liderança ameaçada. Por isso, a notícia de um remake de uma antiga concorrente surpreendeu muita gente, mas não o veterano:

“É uma história passível de ser refeita, pela grandiosidade e pelo conteúdo. É importante falar do homem simples, das raízes e da natureza nesta época que estamos vivendo. O Pantanal precisa ser olhado, e a novela faz isso com beleza e uma boa carga dramática. Me pareceu natural que a novela fosse refeita, e fiquei muito feliz de ser convidado.”

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