O fim de uma era?

Netflix mergulha em inferno astral e terá que se reinventar para estancar crise

Líder de assinantes no streaming no mundo todo, Netflix se prepara para viver década diferente após auge


Sede da Netflix em Los Gatos, Califórnia
Sede da Netflix em Los Gatos, Califórnia; empresa vai ter década repleta de desafios - Foto: Divulgação

Depois de perder assinantes em mais de uma década, a Netflix enfrentará um desafio inédito pela frente: ao de ter chegado no topo e ter que lidar com a fuga de clientes em meio aos concorrentes que se fortalecem cada vez mais, munidos de uma conta bancária praticamente inesgotável e mais importante que isso: com know-how.

A Netflix pode estar chegando ao fim de uma era e a imprensa dos Estados Unidos a todos os dias alerta sobre sua hegemonia estar ameaçada. De fato, a própria empresa projeta uma queda muito maior neste segundo trimestre, podendo chegar a uma perda de dois milhões de assinantes.

Analistas do Bank of America projetam um crescimento irrisório para 2022 e um ano de 2023 praticamente sem expansão nenhuma, o que pode iniciar um estrangulamento nas finanças da empresa, que despeja bilhões de dólares anualmente com novas produções.

Produções essas que já encantaram pela qualidade, mas que sem programas licenciados de antigos parceiros devido aos grandes conglomerados lançarem seus próprios streamings, obrigou a Netflix produzir uma alta quantidade de produtos originais, sem o mesmo controle e padrão que a faz ser reconhecida até o fim da década passada.

Demissões, compartilhamento de senhas e assinaturas mais baratas: Netflix projeta diminuir rombo

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Em evento na última terça-feira (24), Reed Hastings admitiu que a Netflix se concentrou, ao longo dos últimos anos, em produtos originais na tentativa de se diferenciar, antevendo que a concorrência viria. Mas, agora, a prioridade não é somente essa. A produção em massa vai continuar, mas agora a empresa precisa correr atrás do prejuízo financeiro.

Estima-se que o straming perca mais de US$ 6 bilhões em compartilhamento de senhas. Em países como o Chile, Peru e Costa Rica, já há uma nova política quanto a isso e o usuário precisa desembolsar uma quantia a mais se quiser realmente compartilhar o serviço, como adiantou em primeira mão o NaTelinha, inclusive. Logo, a novidade indigesta chegará ao resto mundo.

O diretor de operações Gregory Peters, no mesmo evento nesta semana, ressaltou que a empresa não quer encerrar o compartilhamento. "Vamos pedir que você pague apenas um pouco a mais pra isso", ponderou o executivo.

A conta não vem fechando, e a Netflix prepara assinaturas mais baratas com publicidade, que espera lançar nos próximos dois anos. A empresa com sede em Los Gatos, na Califórnia, sempre defendeu seu modelo sem anúncios, mas agora terá que oferecer alternativas.

Visando corte de custos, a Netflix demitiu cerca de 150 funcionários nesta semana, o que representa 2% da força de trabalho global da empresa. De acordo com a Variety, as dispensas atingiram diversos departamentos e a maioria dos profissionais desligados são dos Estados Unidos. Isso tem relação com a desvalorização pela qual as ações do serviço de streaming está passando, com o crescimento no número de assinantes desacelerando em meio ao aumento da concorrência.

Investir em conteúdo de qualidade original é imprescindível, dizem analistas

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Para voltar a crescer, a Netflix só tem um caminho a longo-prazo, de acordo com analistas ouvidos pelo site Business Insider: investir em conteúdo original qualificado. Ao longo de 2022, serão investidos até US$ 18 bilhões na programação, um recorde histórico.

E tudo isso será feito sem aporte de nenhum "braço", ao contrário dos concorrentes. A Prime Video conta com aportes da Amazon, HBO Max tem um conglomerado como a Warner e Discovery agora por trás, a Disney uma marca igualmente forte no entretenimento e até a Apple tem de onde tirar. A Netflix buscará ser consciente nos investimentos e fechar a torneira em produtos vistos como frívolos.


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