Nova TV digital é chamada de utopia diante da crise das redes e TVs locais
Enquanto a Globo aposta na tecnologia 4K e interatividade, emissoras enfrentam crise severa e encaram o projeto da TV 3.0 como uma utopia
Publicado em 29/09/2026 às 15:45
A TV tradicional aberta vive uma revolução tecnológica com a chegada da TV 3.0. Os testes começaram em abril de 2025, e a tecnologia passou a operar durante a Copa do Mundo. No entanto, para disponibilizar o novo serviço, as redes de TV precisam investir milhões. Com o mercado publicitário retraído e a crise enfrentada pelas emissoras regionais, o projeto vem sofrendo críticas nos bastidores e é visto por muitos como uma utopia.
Segundo a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), o setor de radiodifusão precisará de investimentos entre R$ 9 bilhões e R$ 11 bilhões nos próximos 15 anos para o DTV+.
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Para viabilizar esses custos, há a promessa de uma linha de crédito do BNDES e de um financiamento de US$ 500 milhões do Banco Mundial. No entanto, as emissoras estão receosas em contrair empréstimos, mesmo com juros baixos, pois enfrentam um cenário de crise sem precedentes no mercado.
Muitas só conseguem sobreviver até hoje alugando espaço para igrejas e, até pouco tempo atrás, contando com o dinheiro das Bets, que foram proibidas no Brasil por meio de uma Medida Provisória (MP) assinada por Lula.
Executivos criticam a TV digital
Em conversas com executivos de várias emissoras, que preferiram não se identificar, o projeto da TV 3.0 recebeu duras críticas. Para eles, a nova tecnologia é prioridade apenas da Globo e ocupa o último lugar na lista de urgências das demais redes.
Eles analisam que o DTV+ exigirá a substituição dos televisores atuais ou a aquisição de conversores caros, levantam a dúvida se as vantagens da tecnologia serão capazes de motivar essa troca por parte do consumidor. As críticas também apontam que o país nem concluiu a transição para o sinal digital e grande parte da população ainda não utiliza smart TVs.

TV locais enfrentam crise comercial
Se a crise já afeta as grandes redes de TV, a situação é ainda pior nas emissoras regionais. Afiliadas do SBT, da Record, da Band e da RedeTV! por todo o país, incluindo as da própria Globo, enfrentam graves dificuldades.
Essas empresas sentem o impacto direto da concorrência com as big techs na disputa por anunciantes locais. O cenário é tão crítico que a reportagem ouviu relato de que algumas já não têm condições nem de consertar uma câmera quebrada ou de manter uma equipe de jornalismo.
Não à toa, o tema da TV 3.0 é tratado nos bastidores como uma utopia diante da crise severa que o setor atravessa.
De fato, a Globo é a rede mais empenhada no projeto, apostando que essa nova geração poderá abrir novas oportunidades comerciais com geolocalização. Entre suas principais promessas, a TV 3.0 vai acabar com a tradicional numeração de canais, entregar uma transmissão em qualidade 4K e trazer um nível inédito de interatividade para o telespectador com o uso da internet.
"Eu quero saber como vou sobreviver hoje. Isso é um projeto da Globo que é tratado no mercado como uma grande utopia diante da crise que atravessamos", desabafou um executivo à coluna.