Sem Xuxa, Bozo e Malhação: Globo, Record e SBT enfrentam o maior desafio nos 76 anos da TV
Ao abandonar a programação infantojuvenil, as grandes emissoras ignoraram a renovação de público e enfrentam o desafio de atrair as novas gerações
Publicado em 18/09/2026 às 05:27,
atualizado em 18/09/2026 às 15:25
A TV brasileira completa 76 anos nesta sexta-feira (18), mas Globo, SBT e Record chegam à data sem conversar com o público do futuro. No passado, essas emissoras mantinham programações voltadas para crianças e jovens; hoje, o que se vê é uma crise de renovação de audiência cujos impactos só serão sentidos daqui a alguns anos.
Nos anos 80, a grade da Globo chegou a destinar até cinco horas diárias para cativar o público infantojuvenil com programas como o Balão Mágico e o Xou da Xuxa, uma estratégia que continuou nos anos 90 com a TV Colosso e o Angel Mix.
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Mais tarde, a estratégia se estendia: as histórias de Malhação e as novelas das sete, como Vamp, Top Model e Uga Uga, atingiam diretamente a faixa mais jovem.
O SBT, por sua vez, cresceu tendo o público infantil como um de seus principais pilares, chegando a destinar até 12 horas diárias de sua programação a essa faixa etária com atrações como Show Maravilha, Bozo, Mariane, Sérgio Mallandro e Eliana.
Mais tarde, a emissora também apostou nos jovens com o Programa Livre e manteve a sintonia com os espectadores mais novos ao investir em novelas voltadas para o público infantojuvenil no horário nobre.
O tempo passou e, hoje, praticamente nenhuma emissora conversa com o público jovem e infantil em sua grade diária.
O público da TV aberta
É claro que os tempos mudaram e o avanço do mundo digital afastou parte dessa audiência; o SBT, inclusive, é o último a resistir, mantendo o Sábado Animado no ar. No entanto, o programa é feito para uma criança que existia no passado.
Em levantamento publicado pelo jornalista José Armando Vannucci em 2024, dados do estudo Cross Platform View, do Ibope, revelaram que apenas 10% do público entre 25 e 34 anos de idade assistia à TV aberta.
Isso é explicado de forma muito clara: uma criança de 10 anos que cresceu ouvindo o "bom dia" de Xuxa Meneghel ou ligando para o SBT para participar do Bozo por telefone nos anos 80, completou 50 anos de idade em 2026. E é justamente esse público que sustenta a audiência das TVs hoje.

Chegou a hora de refletir: quando o público entre 25 e 34 anos, aquele que está distante da TV aberta que cresceu assistindo à Galinha Pintadinha no YouTube e, em 2026, acompanhou a Copa do Mundo na CazéTV, se tornar maioria, quem será o público da TV aberta?
A programação da Globo só cresceu e se manteve líder até hoje por um único motivo: hábito.