Sabatinas da Globo com Lula e Flávio Bolsonaro geram mal-estar interno; veja o que irritou a direção
Falta de preparo para rebater candidatos e desentendimento ao vivo motivaram reunião de cobrança com os apresentadores
Publicado em 06/09/2026 às 05:54,
atualizado em 06/09/2026 às 08:45
Nos bastidores da Globo, ainda repercutem mal as sabatinas com os presidenciáveis realizadas pela emissora entre os dias 24 e 29 de agosto. A avaliação interna é de que o desempenho dos âncoras César Tralli e Renata Vasconcellos ficou abaixo do esperado, embora o maior volume de críticas tenha recaído sobre Tralli. Na última semana, o NaTelinha conversou com fontes e apurou os principais pontos das entrevistas que mais geraram ruído na alta cúpula do canal.
A primeira avaliação é de que ambos estavam extremamente tensos e não conseguiram disfarçar o nervosismo durante as entrevistas, algo ainda mais nítido no caso de César Tralli. O apresentador demonstrava dificuldade para desenvolver perguntas ou rebater os candidatos sem recorrer constantemente às anotações da bancada.
+ Pluto TV vai transmitir Circuito Banco do Brasil de Surfe de graça
+ Boni alugou galpão após grande quantidade de cartas recebidas por Xuxa na Globo: "Brutal"
Isso ficou evidente na sabatina com Flávio Bolsonaro (PL), quando Tralli se atrapalhou com os papéis e não conseguiu concluir um questionamento sobre segurança pública.
No ar, ficou perceptível até mesmo para o candidato que o jornalista estava perdido em meio a tantas folhas. Nesse momento, ao notar a dificuldade do colega, Renata Vasconcellos precisou intervir para ajudá-lo.
Outro ponto que chamou atenção foi o excesso de interrupções mútuas, transmitindo a impressão de falta de alinhamento prévio sobre o foco e a condução de cada entrevista.
Lula deixou Tralli rendido no ar
Já na entrevista com Lula (PT), o momento mais visado pelas críticas ocorreu quando o presidente, em busca da reeleição, declarou que a imprensa deveria pedir desculpas pelo episódio do PowerPoint.

Ao rebater, Tralli argumentou que a Globo já havia feito uma retratação institucional. No entanto, estava claro que Lula se referia à célebre apresentação da força-tarefa da Lava Jato, enquanto o âncora presumiu que a queixa dizia respeito a um infográfico da GloboNews que repercutira mal em março.
Nesse episódio, a direção da emissora também direcionou críticas à equipe responsável pela coordenação no ponto eletrônico dos apresentadores.
Ainda na sabatina com Lula, Tralli voltou a ser alvo de críticas ao questionar o presidente sobre a promessa não cumprida de zerar a fila do INSS.
Como resposta, ouviu um convite irônico para acompanhar, na semana seguinte, o anúncio oficial do fim da espera. Diante da provocação, o âncora permaneceu em silêncio, estático e visivelmente rendido no ar. A reação repercutiu muito mal nos bastidores.
Resposta sobre Banco Master a Flávio Bolsonaro virou alvo de críticas
Profissionais da Globo também criticaram outras decisões da direção de jornalismo, a exemplo do momento em que Flávio Bolsonaro foi questionado sobre suas ligações com o Banco Master.

Ao ser confrontado, o candidato rebateu argumentando que o patrocínio da instituição ao filme Dark Horse seguia a mesma lógica comercial das parcerias que a própria emissora mantinha com o banco.
Minutos depois, orientado por diretores do jornalismo, Tralli contestou a declaração. No entanto, a avaliação interna foi de que a resposta soou excessivamente burocrática e institucional, falhando em esclarecer com clareza, para a audiência da Globo, a real diferença entre as duas situações.
Ao NaTelinha, fontes relataram que a direção se reuniu com os dois âncoras para manifestar insatisfação com a condução das sabatinas.